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No Calcio, a Juventus cada vez mais disparada na liderança da tabela

Ao superar a Inter por 1 X 0, a "Senhora" de Turim abre 11 pontos à frente do Napoli e 14 adiante da velha rival de Milão, agora quase fora de combate

Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

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Mandzukic, Juve 1 X 0 Inter
Mandzukic, Juve 1 X 0 Inter

Em dezessete temporadas, desde o seu “scudetto” de 2001/02 e até completar o inédito hepta, sete triunfos em sequência, no certame de 2017/18, a Juventus de Turim abiscoitou o título da Velha Bota em nove ocasiões.

Por causa do seu envolvimento no escândalo da manipulação de arbitragens, o “Calciopoli”, que explodiu em 2006, a Justiça Desportiva revogou outra conquista sua, no certame de 2004/05, daí oficializado sem qualquer dono.


Pior, ainda retirou da “Senhora” todos os seus 91 pontos do torneio de 2005/06, larga folga sobre os 76 da então vice Internazionale de Milão, que acabaria por herdar o troféu, o primeiro de uma saraivada de cinco. Apenas o Milan, com dois galardões, se intrometeu na disputa.

Torcedores da "Senhora", uma FanFest de Boston, nos EUA
Torcedores da "Senhora", uma FanFest de Boston, nos EUA

Nesta sexta-feira, 7 de Dezembro, no Allianz Stadium da capital do Piemonte, Norte da Itália, todos os seus 40.507 lugares vendidos com antecedência, as duas agremiações realizaram o seu confronto de número 239. O placar de 1 X 0 em favor da Juve lhe permitiu acumular 109 vitórias contra 57 empates e 73 derrotas, 341 tentos a 295. A Juve subiu aos 43 pontos em 45 possíveis, 11 acima do Napoli, que hospeda o frágil Frosinone, meros 8, neste sábado. A Inter, no entanto, estacionou nos 29 e, mesmo com 2/3 do campeonato a se desenrolar, ainda, já parece praticamente fora de combate.


Celebração inglória, o título da Série B
Celebração inglória, o título da Série B

Até o seu rebaixamento forçado em 2006, só a “Senhora” e a “Biscione”, a “Serpente Mitológica” de Milão, ainda não tinham conhecido o amargor da segunda divisão. E a Inter se tornou a única a jamais desabar à Série B. Gianni Brera (1919-1992), um dos ícones do jornalismo na Bota, inclusive apelidou o duelo de “Derby d’Italia”, embora a expressão melhor se encaixe em cotejos de clubes de uma mesma cidade. Tal batismo, datado de 1967, se deveu ao exacerbamento absurdo da rivalidade entre ambas as agremiações, a partir de um episódio inusitado, confuso e polêmico, de 1961.

Em 1961, a saída de campo, depois dos 9 X 1 nos juvenis da Inter
Em 1961, a saída de campo, depois dos 9 X 1 nos juvenis da Inter

Então, em 16 de Abril, a Juve prestes a arrebatar o título de número 11, os seus fãs superpovoaram o Olímpico de Turim para um prélio diante da Inter. Sem espaço nas arquibancadas, torcedores se alojaram nas laterais do campo. O árbitro Carlo Gambarotta suspendeu as ações e, pela formalidade do regulamento, decretou a “Biscione” como a ganhadora por 2 X 0. A “Senhora” recorreu e a FIGC, a Federação peninsular, marcou uma nova peleja.


Detalhe: presidia a FIGC um certo Umberto Agnelli, da família dona da Juventus. No dia 3 de Junho, a Inter se sacrificou num protesto radical. Já desinteressada pelos pontos do triunfo, colocou no gramado os seus juvenis. Resultado, inesquecível, enciclopédico: 9 X 1 em favor da “Zebra”.

Acrobacia frustrada do CR7 contra a Inter
Acrobacia frustrada do CR7 contra a Inter

Massimiliano Allegri e Luciano Spalletti, os treinadores respectivos, apreciam montar os seus times no clássico sistema 4-3-3. E, classificação à parte, no departamento dos tentos anotados e sofridos, as suas estatísticas eram razoavelmente equivalentes. A Juve 31 X 8 e a Inter 27 X 12. Existia na “Senhora”, porém, um diferencial de nome Cristiano Ronaldo, até antes desta sexta com 10 gols e 6 assistências em 14 jogos no campeonato.


John Charles
John Charles Reprodução/My Football Facts

Desde o galês John Charles, nos idos de 1957/58, um estreante não fulgurava tanto em Turim. O lusitano do Funchal, Ilha da Madeira, efetivamente se aplicou da forma que os “tifosi” esperavam. Até mesmo se empenhou na marcação de rivais em escanteios sobre a meta de Szczesny. Tanto que Spalletti refluiu a um 4-5-1 e optou por especular nos contra-ataques velozes.

A festa de Mandzukic, depois do gol do 1 X 0
A festa de Mandzukic, depois do gol do 1 X 0

Petulante, a “Zebra” exagerou nos toquinhos inúteis e, para a sua felicidade, a “Biscione” não soube aproveitar a coleção de passes horizontais, sempre equivocados, que comprometeu as atuações de Pjanic e Matuidi. Numa das suas tolices a Inter apenas não abriu o placar porque, ao receber um lançamento de Policano, diante de Szczesny, o atrapalhado Gagliardini tentou bater de chapa mas se limitou a arrematar de tornozelo, no pé do poste.

Quem não faz, toma. E aos 66’, graças ao cruzamento de um outro português, o ótimo ala João Cancelo, a “Senhora” cravou 1 X 0 numa testada típica de Mandzukic. Bastou. Resta à Inter batalhar, na próxima terça, dia 12, em seu Meazza, pela Champíons, contra o PSV Eindhoven, da Holanda, e torcer para que o Barcelona, paralelamente, descarte o Tottenham da Inglaterra.

A Juve, já classificada à etapa das oitavas, cumpre tabela na quarta, 12, na Suíça, diante dos Young Boys de Berna. Claro, óbvio, favoritérrima.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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