No Calcio, a Inter perde a chance de permanecer folgada na liderança
Mesmo no seu Giuseppe Meazza, e mesmo depois de pressionar a Roma, exaustivamente, a equipe de Milão não conseguiu escapar do placar de 0 X 0
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

Líder do Campeonato Italiano de 2019/20, pela primeira vez uma candidata efetiva ao “scudetto” desde o título de 2009/10, a Internazionale de Milão, 37 pontos na tabela de classificação, nesta sexta-feira, 6 de Dezembro, no seu Giuseppe Meazza da capital da Lombardia, hospedou a Roma, 28, com um olho pregado no certame do Calcio e o outro na Champions League.
Até por atuar em sua casa, era a favorita a um triunfo e à possibilidade de abrir 4 pontos na frente da sua vice, a Juventus de Turim, que tem 36 e que, neste sábado, enfrentará a Lazio, 30, no Olímpico da “Cidade Eterna”. Mais complicada, certamente, parecia a a missão da Inter pela Champions na terça, 10. Apenas se garantirá, sem sustos, nas oitavas-de-final da competição, caso supere, também em Milão, o poderoso e já assegurado Barcelona.

Como convinha ao seu estilo guerreiro, Antonio Conte, o treinador da “Biscione”, a serpente mitológica de Milão, evitou um rodízio eventual que lhe permitisse poupar os seus titulares mais suscetíveis ao cansaço ou às contusões. Problema para o moçambicano Paulo Fonseca, o “mister” da Roma, ex-Shakhtar Donetsk da Ucrânia e ex-Porto de Portugal, na sua experiência de estréia na Bota. Faltaram à “Lupa”, a loba, atletas fundamentais como o ala Zappacosta, o central Fazio, o armador Pastore e o atacante Kluivert, todos lesionados. Sem dizer que o artilheiro Edin Dzeko, em plena convalescença de uma gripe demolidora, ficou no banco de reservas até os 66’. De todo modo, embora muito melhor do que a Roma, e a pressionar, exaustivamente, durante o cotejo todinho, a Inter não conseguiu escapulir do 0 X 0.

Precedeu a porfia, desafortunadamente, mais um episódio em que as tintas do racismo macularam o Esporte. Na sua manchete de quinta-feira, dia 5, o crucial diário “Corriere dello Sport”, editado em Roma, num escorregão patético, brincadeira idiota, em letras robustas, apresentou o cotejo como “Black Friday”, o desafio de dois jogadores negros, o avante belga Romelu Lukaku, da “Biscione”, e o beque inglês Chris Smalling, da “Lupa”, ambos amigos desde os idos em que atuavam pelo britânico Manchester United.

Steven Zhang, presidente da Inter, que é chinês, retrucou imediatamente com uma nota oficial de protesto. E James Pallotta, o presidente da Roma, que é norte-americano, de forma ainda mais incisiva determinou que os repórteres do “Corriere” fossem proibidos de freqüentar as sedes da sua agremiação até o final do ano. Pobre Ivan Zazzaroni, o diretor de redação do periódico, que, numa justificativa estabanada, lastimou tanta incompreensão pelo escopo da manchete. Segundo Zazzaroni, o diário tencionava “exatamente homenagear a diversidade”. Grotesco. Muito pior tal emendinha do que o soneto. E, aliás, no departamento das cretinices, nenhuma suplantou a de Luigi de Siervo, um cartola da Liga da Série A, para quem basta retirar os microfones que se localizam junto a cada torcida organizada e o racismo sumirá dos campos.

Apesar da sua rivalidade antológica, que se exacerbou em 1991, quando a “Biscione” bateu a “Lupa”, na decisão da ex-Copa Uefa, hoje Europa League, 1 X 0, não ocorreu, a partir dos “tifosi”, qualquer manifestação mais agressiva. Mesmo decepcionados, os interistas não interromperam o seu apoio até que Gianpaolo Calvaresi encerrasse a pugna sem acréscimos despropositados. E mesmo irritadíssimo com o resultado, que pode significar, até, a perda da liderança, Antonio Conte não se poupou de um abraço robusto em Paulo Fonseca à saída do gramado. Agora, resta à Inter sonhar que a Lazio, a outra “squadra” de Roma, em mais 24 horas, comprometa o resgate da Juventus.
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