No Brasileiro, apenas cinco clubes ainda mantêm um mesmo treinador
Renato Gaúcho, do Grêmio, e Mano Menezes, do Cruzeiro, são os mais antigos no cargo. Até o atual líder, o Palmeiras, já trocou o seu comando técnico.
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

Com nove dos seus dez cotejos de tabela, neste sábado, dia 6 de Setembro, chega à sua jornada de número 28 o Campeonato Brasileiro de 2018. Nove prélios em dez porque, na noite da quinta, o Cruzeiro havia desafiado o Boca Juniors, da Argentina, por uma das semifinais da Libertadores, e assim se alterou a data do seu duelo, em Minas, diante do Ceará. Apenas jogos no sábado porque, no domingo, acontecem as eleições nacionais do País.

Curiosamente, o fato de não existir Futebol, no Brasil, no domingo da votação, acabou por produzir um imprevisto inusitado: a ausência de qualquer transmissão ao vivo no Campeonato. Desde que, em 2003, o torneio assumiu o atual critério dos pontos corridos, naqueles anos em que ocorreram eleições (2004, 2006, 2008, 2010, 2012, 2014 e 2016), a Rede Globo, detentora solitária dos direitos de transmissão, invariavelmente exibiu um dos combates na tarde de sábado. Mas, desta vez, não mostrará nenhum.

Programado para 38 rodadas, o certame agora atinge os seus três quartos de duração, praticamente a sua reta final e decisiva. Outra peculiaridade: dos seus vinte clubes, só cinco ainda preservam o mesmo treinador desde o início. Internacional (53 pontos, vice-líder, Odair Hellman). São Paulo (52, o terceiro colocado, Diego Aguirre). Grêmio (50, quarto, Renato Portaluppi). Atlético-MG (45, sexto, o estreante Thiago Larghi). E Cruzeiro (37, sétimo, o já veterano Mano Menezes. No mínimo, os seis primeiros classificados no Brasileiro conquistam as suas vagas na próxima edição da Libertadores.

O líder Palmeiras, também 53 e uma vantagem sobre o Inter no saldo de gols, 23 X 18, demitiu Roger Machado antes da jornada 16, passou uma semana sob o interino Wesley Carvalho e então contratou Luiz Felipe Scolari, o Felipão. Agora no quinto lugar, 49 pontos, o Flamengo chegou a ocupar a liderança entre 29 de Abril (jornada 13 e vitória sobre o Ceará, 3 X 0) e 4 de Agosto (jornada 17 e derrota para o Grêmio, 0 X 2). Preservou no seu cargo Marcelo Barbieri, 31 de idade, o mais jovem treinador na história da Série A, até antes da 27, quando passou horas sob Maurício Souza e contratou Dorival Jr.

Por enquanto, já completados três quartos da duração do Campeonato, atingem a sete as modificações por decisão do próprio treinador. Nelsinho Baptista do Sport Recife, Fábio Carille do Corinthians, José Ricardo do Vasco da Gama, Jorginho de Amorim Campos do Ceará, Abel Braga do Fluminense, Enderson Moreira do América-MG e Alberto Valentim do Botafogo.

Dos sete, quatro afirmaram ter de propostas fascinantes. Carille, que se transferiu à Arábia Saudita. Jorginho, que optou pelo Vasco e no entanto, desafortunadamente, não se demorou mais do que duas semanas. Enderson, que aceitou uma grana superior do Bahia. E Valentim, que também se mudou à Arábia, por lá se frustrou, não ficou um mês e desembarcou no Vasco.

No total, descontados os mandatos provisórios, alcançam o número 20 as trocas de treinador. O recorde absoluto data do Campeonato de 2015, com 32 mudanças. Então, só Adenor Bacchi, o Tite, do Corinthians, permaneceu as 38 rodadas no seu cargo. Coube ao Sport Recife, que não recorreu a provisórios, a primazia negativa de ostentar um quarto treinador, Mílton Lopes. Detalhe: Claudinei Oliveira, que substituiu Nelsinho e caiu em 16 rodadas, carregou as malas ao Paraná Clube. Incrivelmente, antes de perder o emprego para Mílton Lopes, por oito rodadas dirigiu o clube Eduardo Baptista, o filho de Nelsinho.

Também sem provisórios, Botafogo, Ceará e Corinthians acumulam um terceiro treinador. No “Timão”, o atual é Jair Ventura, que o Santos dispensou antes da jornada 15. Além de Jair, Claudinei e Valentim, também Enderson não tarda a abiscoitar um novo emprego. Outra ironia: ao abandonar o “Coelho”, o clube de Belo Horizonte sofria a ameaça dramática da Zona de Rebaixamento mas, com Adílson Batista na batuta, paira, um pingo mais tranquilo, na 13ª colocação. Enderson substituiu Guto Ferreira no Bahia e o tricolor de Salvador está exatamente no dramático 14ª degrau da classificação.
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