Neste sábado, um Juve X Milan de de impactar a História do Calcio
Caso vença e, no domingo, o Napoli perca do Genoa, a "Zebra" conquistará o octocampeonato com o absurdo de oito rodadas de antecedência
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

Uma obviedade e uma surpresa caracterizaram o meio de semana do Campeonato Italiano de 2018/19. Terça-feira, dia 2 de Abril, pela 30ª “giornata” da edição de número 87 do certame, mesmo na Sardenha a Juventus de Turim bateu o Cagliari por 2 X 0 e subiu aos 81 pontos ganhos na classificação. Daí, na quarta, o vice Napoli sucumbiu ao Empoli, 1 X 2, e parou nos 63.

Agora, neste sábado, 6, no Allianz Stadium, a “Vecchia Signora” hospedará o irregular Milan, apenas 52, e poderá atingir o patamar dos 84. No caso de o “Burro” da Terra da Pizza, no domingo 7, perder do Genoa, a diferença se esticará aos 21 pontos com 21 disponíveis até o desfecho do torneio. Como o primeiro dos critérios de desempate é o confronto direto, e a Juventus já venceu os seus dois duelos contra o Nápoli, 3 X 1 no Piemonte e 2 X 1 na Campânia, poderá comemorar a glória do 35º “scudetto”, o seu oitavo em sequência, com incríveis, impressionantes, oito rodadas de antecedência.

Na Europa, só o PSG da França e de Ibrahimovic, em 2015/16, abocanhou o troféu com tanta folga. O Bayern de Munique, Alemanha, e o Celtic de Glasgow, Escócia, já abiscoitaram o título com sete. E, mesmo que não leve o galardão neste final de semana, a “Signora” quase que certamente quebrará o seu primado histórico: em 2014/2015, comemorou na 34ª “giornata”.

Ainda há outros recordes que a “Zebra” sonha em bater, Ambos, todavia, bem difíceis. Um pertence a ela própria, 102 pontos no torneio de 2013/14, graças a 33 sucessos, 3 igualdades e 2 quedas. E para sobrepujá-lo a Juve, além de derrotar o Milan, necessitará de 6 triunfos e ao menos 1 empate nos 7 jogos restantes. Hoje, ostenta 27 sucessos, 3 igualdades e um único tombo.

Um segundo primado pertence à Internazionale de Milão que, em 2006/07, escancarou 22 pontos à frente da vice Roma. Os especuladores de plantão crêem que a “Signora” até pode carregar a sua folga aos 22. Depois, contudo, bem mais provavelmente, no remanescente do seu trajeto, relaxada pelo título no bolso e empenhadérrima na CL, se esquecerá dessa fantasia.

No papel, aparentemente, auxiliam o Milan as ausências dos convalescentes Cristiano Ronaldo e Mandzukic, que o “mister” Massimiliano Allegri pretende resguardar para o combate crucial da “Zebra” diante do Ajax da Holanda, no próximo dia 10, na Johan Cruijff Arena, em Amsterdam, a complexa pugna de ida pela fase das quartas-de-final da Champions League da Europa.

Como seu substituto, porém, começou a brilhar o garoto Moise Kean, 19 de idade, 4 tentos em 6 pelejas. Também cresceu, paralelamente, a eficiência de Federico Bernardeschi, um precioso municiador de Kean. Simultaneamente, problemas muito mais sérios ainda prejudicarão a escalação do “Diavolo”.

Gennaro Gattuso, o seu teinador, não terá o seu arqueiro Gigio Donnarumma, titular da “Squadra Azzurra”, com dores musculares, e nem o meia brasileiro Lucas Paquetá, que torceu o tornozelo destro. Para a meta sempre existe um bom reserva. Paquetá, no entanto, depressa virou o craque do time.

E o drama de Gattuso não se limita à mera ausência do seu melhor atleta em um momento no qual o Milan se obriga a somar o máximo viável de pontos e obter uma vaga na CL. Acontece que o clube contratou o polonês Krzysztof Piatek ao Genoa exatamente com a intenção de propiciar a Paquetá um alvo para os seus passes milimétricos. Piatek havia anotado praticamente a metade dos gols do Genoa no certame. E Gattuso perfeitamente sabe que, sem o seu engatilhador brasileiro, o canhão polonês não fará milagres.
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