Nas quartas da CL, o impacto da Roma e a certeza do Liverpool
Contra um Barcelona inexistente na Cidade Eterna, e um Manchester City pedante e mal montado por Guardiola, a Itália e a Inglaterra nas semis
Silvio Lancellotti|Sílvio Lancellotti

Começou nesta terça-feira, dia 10 de Março, a decisão das quartas-de-final da Champions League de 2017/18, a sua edição de número 63. Mesmo como visitante o Liverpool soube se locupletar do seu resultado na ida, em casa, 3 X 0 no Manchester City. Um novo sucesso, impactante, 2 X 1, diante de uma equipe mal montada por Pep Guardiola, que inclusive acabou expulso, colocou Juergen Klopp & Cia. nas semis. O Barcelona de Ernesto Valverde, porém, soçobrou na “Cidade Eterna” mesmo depois dos 4 X 1 no Camp Nou. Pedante, insolente, desprezou a sua adversária, uma Roma aguerrida, e quando percebeu já carregava 3 X 0 no seu cangote.

Desde 27 de Junho, com 79 agremiações de 54 países da Europa, na competição atual já aconteceram três etapas de desafios pré-eliminatórios, uma fase de playoffs, uma de oito grupos de quatro times, as oitavas e, até aqui, seis pelejas das quartas, num total de 212 jogos e 613 tentos, a média de 2,89, num global de 8,90 milhões de pessoas, a média de 41.970. Os últimos dois duelos se desenrolarão nesta quarta dia 11. Na sexta 13 a UEFA organizará, em Nyon, na Suíça, o sorteio dos mata-matas das semis.
ROMA/ITA 3 X 0 BARCELONA/ESP
Stadio Olìmpico, 73.051 espectadores
Tentos: Dzeko, DeRossi/Pen, Manolas

Tarefa ingente, dos “Giallorossi”, a reversão dos 1 X 4 do Nou Camp. Além da quebra da invencibilidade de 13 jogos do Barça, em torneios diversos, contra clubes da Itália, a detonação de um terremoto mais do que inviável. No passado da CL, depois de 48 duelos que favoreceram o dono da casa, por 4 X 1, na ida, em apenas 8 o perdedor virou a sua sorte. A “Loba”, no entanto, entrou na batalha fulminantemente. Enquanto os “Blaugranas” guardavam a sua vantagem na marcação quase homem-a-homem, ao elenco de Eusébio Di Francesco restava esperar por um lance individual ou uma distração do adversário. Ambas as possibilidades se somaram aos 6’ quando De Rossi enfiou ao bósnio Edin Dzeko que, um eterno oportunista, se livrou de dois carrapatos, Piquè e Semedo e, de canhota, mansamente, fez 1 X 0.

Isoladíssimo o astro Messi, 100 tentos em 124 aparições na CL, apagadérrimo Luisito Suárez, a Roma dominou as ações mas lhe faltaram mais habilidade na armação e um bom parceiro para o artilheiro bósnio na frente. Detalhe: até então, o Barça havia perdido só um combate nas suas últimas 48 aparições. E a “Loba” precisaria de mais dois tentos, sem conceder nenhum gol, para atingir as semis. Pois subiu a 2 X 0 quando Dzeko, aos 57’, entre trancos e barrancos, sofreu uma infração fatal na área dos ibéricos. De Rossi cobrou, o arqueiro Ter Stegen acertou o canto mas não atingiu a bola. Imediatamente a torcida da Roma fervilhou. Aliás, aos 82’, explodiu de vez. Recém-entrado, o turco Cengiz Under alçou um escanteio e o imprevisto surgiu na testada do grego Manolas, 3 X 0. O Manolas que havia anotado contra no Camp Nou.
MANCHESTER CITY/ING 1 X 2 LIVERPOOL/ING
Etihad Stadium, 55.003 espectadores
Tentos: Gabriel Jesus X Salah, Firmino

Absolutamente todas as estatísticas privilegiavam o time de Klopp. No seu único encontro, em torneios da Europa, sucesso dos “Reds” sobre os “Blues”, 3 X 0, uma semana atrás. E, nos certames de Sua Majestade, em 178 porfias, o Liverpool ostentava 87 sucessos a 45. Nas 9 recentes o City só havia obtido 1 vitória e 2 empates. E muito pior, na antologia da CL, depois de 126 duelos que favoreceram o dono da casa, por 3 X 0, na rodada de ida, em somente 7 ocorreu uma reviravolta. Claro, Pep Guardiola motivou o seu elenco a procurar um gol rapidamente. E funcionou antes dos 2’, lançamento de Fernandinho a Sterling, passe a Gabriel Jesus e arremate bem no canto.

Evidentemente o time de Klopp se assustou e então cedeu espaço a uma pressão sufocante do City. Todavia, muito mal estruturados, sem a menor eficiência, os “Blues” se limitaram a um chorrilho de chuveirinhos inúteis. Além do gol de Jesus, no primeiro tempo, apenas mais um outro chute estéril à meta de Karius e um gol mal anulado que redundou na expulsão do Pep. O City precisaria de mais três tentos, sem conceder nenhum gol, para avançar às semis. Precisaria. Pois uma tabela africana amplificou o problema para quatro, o egípcio Salah até o senegalês Mané que devolveu a Salah que daí registrou o seu oitavo gol em dez pugnas nesta edição da CL. Imediatamente a torcida do City murchou. Inclusive porque, aos 77’, um outro não-britânico, o brasileiro Firmino, saboreou uma falha coletiva da retaguarda do City e fez 2 X 1.
Os jogos do dia 11
REAL MADRID/ESP X JUVENTUS/ITA
Santiago Bernabéu, 81.044 lugares
Na ida: Juventus 0 X 3 Real Madrid
Tentos: CR7, CR7 e Marcelo
Real 12 títulos, o último em 2017
Juventus 2 títulos, o último em 1996
Na história, 20 confrontos, 10 vitórias dos “Merengues” e 8 da “Senhora”, 25 tentos a 22. A “Senhora” suplantou o Real nos seus últimos quatro mata-matas. E não cai, nesse sistema de disputa, desde 1987, 1 X 0 em casa e 0 X 1 em Madrid, quando o Real se desvencilhou, nos penais, por 3 X 1. Em 6 combates Cristiano Ronaldo, o CR7, já anotou 9 tentos na Juve. E, nas 126 partidas com o mesmo placar, na ida, todas favoreceram o visitante.
BAYERN/ALE X SEVILLA/ESP
Allianz Arena, Munique, 75.000 lugares
Na ida: Sevilla 1 X 2 Bayern
Tentos: Sarabia X Navas/contra e Thiago Alcântara
Bayern 5 títulos, o último em 2015
Sevilla, nenhum troféu na CL
Na história, na Europa, um triunfo dos bávaros, no único duelo contra os “Nervionenses”.Pela primeira vez, desde 1958, classificados às quartas da principal competição do Futebol no continente, os andaluzes também sacrificaram outro privilégio: a invencibilidade de 11 porfias diante de tedescos, 7 vitórias e 4 empates. Já houve 91 partidas que na ida favoreceram o visitante. E, um bom alvitre no rumo do Bayern, apenas 5 reviravoltas.
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