Silvio Lancellotti Na sua volta ao Mineirão, o Brasil ignora a visita do Paraguai, 4 X 0

Na sua volta ao Mineirão, o Brasil ignora a visita do Paraguai, 4 X 0

Exatos dois anos e seis meses depois de anotar 2 X 0 na Argentina, pela Copa América de 2019, o elenco de Tite esquece que não tinha Neymar na sua escalação e despacha o seu rival, impiedosamente

Os onze do Brasil que começaram o cotejo do Mineirão

Os onze do Brasil que começaram o cotejo do Mineirão

@Conmebol

Exatamente dois anos e seis meses depois de sobrepujar a Argentina, 2 X 0, numa das semifinais da Copa América de 2019, a seleção do Brasil retornou ao Mineirão, nesta noite de terça-feira, 1 de Fevereiro de 2022, peleja contra o Paraguai nas Eliminatórias para a Copa do Catar. Com a sua vaga já assegurada e o time “Guarany” basicamente sem qualquer possibilidade de qualificação, Adenor Tite Bachi, treinador do elenco “Canarinho”, pôde efetuar um batalhão de alterações na sua escalação titular. Pôde, mas quatro das suas substituições no time que principiaria o jogo por imperiosa necessidade.

Raphinha e Paquetá, na comemoração do 1 X 0

Raphinha e Paquetá, na comemoração do 1 X 0

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Por exemplo, o treinador repousou um dos jogadores do Real Madrid (o apoiador Casemiro), que participará das quartas de final da Copa del Rey da Espanha no dia 3, a próxima quinta. E também não disporia dos dois laterais que começaram o combate diante do Equador, 1 X 1, em viagem a Quito, na última quinta, 27 de Janeiro: Emerson Royal, ridiculamente expulso, e Alex Sandro, que fez um teste positivado de Covid-19. Nem teria o zagueiro Éder Militão, outro do Real Madrid, esse suspenso por excesso de cartões amarelos. Claro, a seleção que empatou com o Equador, mediocremente, aliás, não é nenhuma máquina de jogar futebol. A ponto de, mais uma vez, talvez por uma questão de costume, de vício, se lastimar a ausência supostamente salvadora do contundido Neymar.

Eis a avaliação dos atletas que ignoraram o Paraguai:

EDERSON – S/N
Rigorosamente inviável que qualquer outro arqueiro bata os primados que Alisson, o titular de Tite, estabeleceu na partida contra o Equador: receber dois cartões vermelhos que o VAR reverteu. Ao colocar Ederson na meta diante do Paraguai, porém, o treinador, com certeza, não pensou em penalizar o craque do Liverpool. Já previa um rodízio no arco do Brasil. Mal tocou na bola o jogo todo, porém.

DANIEL ALVES – 6,5
Impressionante a sina positiva do veteraníssimo ala de 38 de idade. Trocado pela juventude de Emerson Royal, viu o estabanado garoto de 23 acabar expulso, ridiculamente, antes dos 15’ do jogo de Quito, e resgatou o lugar. Como de hábito, descuidado da marcação, esbanja categoria nas avançadas com a pelota dominada.

Nos vestiários, camisas invertidas do Chelsea e do Barcelona, os clubes de cada qual

Nos vestiários, camisas invertidas do Chelsea e do Barcelona, os clubes de cada qual

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MARQUINHOS – 7,0
Um dos absolutos de Tite, não enfrentou o Equador por precaução médica. Seguro e firme na proteção e nos passes, fez o lançamento de 60m que redundou no 1 X 0 de Raphinha.

THIAGO SILVA – 6,5
Na seleção por catorze dos seus 37 anos, em busca da sua quarta Copa na carreira. Impecável na defesa, e bastante perigoso, nas testadas, em ataques de bola parada.

ALEX TELLES – 6,5
Gaúcho, já nos 29 de idade abiscoita a sua chance graças ao vírus insidioso que pegou Alex Sandro. Mostrou que não teme o peso da camisa. Será complicado, no entanto, até o Catar, desalojar o hoje lesionado Guilherme Arana.

FABINHO – 6,5
Jogador de múltiplas utilidades, um raro coringa no atual futebol do Brasil, nesta noite herdou a dura incumbência de jogar no posto de Casemiro. Importante para o elenco, indubitavelmente estará entre os 23 de Tite no Catar.

Lucas Paquetá, novamente o titular

Lucas Paquetá, novamente o titular

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LUCAS PAQUETÁ – 7.5
Retorna à sua condição de titular. Apenas não enfrentou o Equador porque estava suspenso. Compôs uma parceria promissora com Philippe Coutinho. Pena que lhe falte apuro nas finalizações à meta. Exausto, saiu aos 81’ para a entrada de Rodrygo.

RODRYGO – 7,0
Jogou pouquíssmo tempo. O suficiente, entretanto, para exibir competência na movimentação, na troca de bolas sem equívocos e no toque final dos gostosos 4 X 0.

Philippe Coutinho, o melhor do prélio

Philippe Coutinho, o melhor do prélio

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PHILIPPE COUTINHO – 8,0
Substituto natural de Paquetá, começou entre os onze do duelo com o Equador mas Tite precisou sacrificá-lo, depois da expulsão de Émerson Royal, para a inclusão de Daniel Alves. Agora como parceiro do colega que estaria na sua frente, na preferência do treinador, foi simplesmente o melhor do prélio. Tocou, driblou, cruzou, lançou. Pena, somente, que lhe falte um pouco mais continuidade de  jogo para jogo. Aos 62’, inclusive, registrou um lindo gol, da meia-lua. Saiu aos 77, ovacionado, para a entrada de Bruno Guimarães.

BRUNO GUIMARÃES – 6,5
Leva a boa nota porque, aos 87’, ao receber uma enfiada de bola, maravilhosa, de Antony, longe de ser fominha, colocou de lado para a adequada finalização de Rodrygo.

Raphinha, um golaço, de canhota

Raphinha, um golaço, de canhota

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RAPHINHA – 7,5
Nova chance, e talvez crucial. Péssimo contra o Equador, inclusive por cometer um pênalti boboca, grotesco, que o VAR cancelou. Entendeu o recado. Bem mais agressivo, teve um gol anulado, corretamente, aos 2’. E desperdiçou boa chance, em cima da linha de meta, aos 16. Então, aos 27, depois de entortar um zagueiro, anotou um golaço, de canhota. Saiu aos 80’, cansado mas justamente aplaudido, para a entrada de Éverton Ribeiro.

ÉVERTON RIBEIRO – 6,5
Leva a boa nota pela participação na tabela dos 3 X 0.

VINÍCIUS JÚNIOR – 6,0
Outro do Real, estava acertado com os “Merengues” que Tite o pouparia para a Copa del Rey. Provável que o treinador haja mudado de ideia para que o ex-Flamengo apagasse a horrorosa imagem que deixou no jogo com o Equador. Conseguiu? Perdeu o gol dos 2 X 0, à frente de Antony Silva, por excesso de empolgação. E aos 60’ cedeu o seu lugar a Antony.

Antony, vinte minutos de puro brilho

Antony, vinte minutos de puro brilho

@CBF_Futebol

ANTONY – 7,5
Bastaram vinte minutos de presença no jogo, para que infernizasse os zagueiros adversários de flanco a flanco do gramado até que, aos 85, depois de uma tabela de Fabinho com Éverton Ribeiro, apanhasse a pelota dois metros adiante do bico esquerdo da área e deliciosamente encobrisse o seu xará, arqueiro do Paraguai. Depois, aos 87, enfiou uma bola incrível até Bruno Guimarães, quase na linha da área menor, origem dos 4 X 0.

MATHEUS CUNHA – 6,5
Um brigador solitário no combate anterior, saiu exausto, para a inútil entrada de Gabigol. Com o suporte de dois meias, Paquetá e Coutinho, teve liberdade para se mexer de flanco a flanco, abrir espaços, e ainda bater de fora da área. Pena que não tenha cravado o gol que merecia já no jogo com o Equador. Aos 60’, cedeu lugar a GabyGol.

GABYGOL – S/N

TITE – 6,5
Necessitava, ao menos, preservar uma invencibilidade de 31 partidas em Eliminatórias. E, no caso de elevar a série a 32 porfias, implantaria, sozinho, um novo recorde, uma pugna além da marca que vários técnicos acumularam na orientação da “Canarinho” entre 1954, classificação para a Copa da Suíça e 1993 para a Copa dos EUA. Conseguiu o primado que fixou seu nome, de vez, nas enciclopédias. De todo modo, deveria insistir mais para que, ao invés de um trança-trança irritante na entrada da área do Paraguai, a ofensiva do Brasil ousasse mais nas penetrações e nos arremates, mesmo que de fora da área grande.

O placar final no MIneirão

O placar final no MIneirão

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