Na seleção de Tite, o prêmio à consistência e à confiança
Absolutamente nenhuma surpresa entre os 23 chamados, embora, por preferências meramente pessoais, outros pudessem integrar a relação
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

Mais do que dar pistas, a entrevista coletiva que Adenor Bacchi, o Tite, treinador da seleção do Brasil, concedeu logo após o anúncio da sua relação dos 23 convocados à Copa da Rússia, forneceu as confirmações sereníssimas do que todo o País já aguardava. Talvez por preferências estritamente pessoais haverá quem lastime as ausências de Neto (arqueiro do Valência/ESP), do lateral Rafinha (Bayern/ALE), do zagueiro Rodrigo Caio (São Paulo), do meiocampista Arthur (Grêmio) ou do atacante Luan (do Grêmio, também). Tite, no entanto enfatizou os termos “regularidade”, “consistência” e “olho no olho”. Claro, com absoluta certeza, soube exatamente o que fez.
Por preferências pessoas, que justifico, ainda, com alguns argumentos profissionais, eu levaria Alex Sandro (um dos coringas da Juventus/ITA, capaz de atuar em ambas as laterais e como um dos meiocampistas) e, ao invés de Taison, um outro multímodo, como Luan ou, inclusive, como Rodriguinho (Corinthians). Esse, todavia, perdeu a chamada porque seria mais um do “Mosqueteiro” do coração do treinador. Deve entrar na lista dos 35. Muito bem, eis os 23 de Tite com as minhas observações.

ARQUEIROS
Alisson Becker (Roma/ITA)
Criticado pelo volume de tentos que a sua agremiação cedeu em alguns prélios decisivos da recente Champions League da Europa. Acusações descabidas. Na verdade, carregou a “Loba” da Bota até a fase das semifinais.
Ederson (Manchester City/ING)
Atuou uma única vez como titular. No entanto, integra o grupo básico de Tite desde as suas aparições da Sub-23 em 2015. Além disso, realizou uma temporada sem erros no clube que levantou a taça da Premier League.
Cássio (Corinthians)
Na lista dos prediletos do treinador desde o Mundial da FIFA, em 2012. Acaba de completar 350 participações na meta do Corinthians. Um ídolo da Fiel.

LATERAIS
Fagner (Corinthians)
Outro da relação dos favoritos do treinador. Não desce ao ataque tão efusivamente como o lesionado Daniel Alves. Em compensação, bem mais confiável na marcação.
Danilo (Manchester City/ING)
Em oito anos, quatro clubes: Santos, Porto, Real Madrid e o City. Inconstante na coleção de camisas e, às vezes, em uma mesma peleja. Mais firme na temporada atual. Boa briga pela posição.
Marcelo (Real Madrid/ESP)
Como ala, excepcional nas ofensivas. Todavia, escancara um sambódromo às suas costas quando vai e não retorna. Tite precisará cuidar dedicadamente da sua cobertura. Uma tarefa essencial.
Felipe Luís (Atlético de Madrid/ESP)
Em muitas ocasiões o substituto natural de Marcelo, nas contusões do insubstituível. Mas, também se lesionou e, embora já recuperado, se afastou dos holofotes. Superou Alex Sandro pela antiguidade.

ZAGUEIROS
Miranda (Internazionale/ITA)
Sempre frio, atentíssimo, um verdadeiro sobrevivente na retaguarda de uma equipe irregularíssima, que ainda luta pelo milagre de uma última vaga da Velha Bota na próxima CL.
Marquinhos (PSG/FRA)
Mais um dos inarredáveis de Tite. Porém, à maneira do que deverá fazer com Marcelo, o treinador necessitará de muita paciência para aperfeiçoá-lo na impulsão e no corte das bolas altas.
Thiago Silva (PSG/FRA)
Companheiro de Marquinhos durante cinco anos no time da Cidade Luz, seria o seu parceiro natural na seleção. A causa da sua estadia no banco? Um dos mistérios insondáveis de Tite.
Pedro Geromel (Grêmio)
Um alicerce primoroso do esquadrão que Renato Gaúcho edificou no “Mosqueteiro” de Porto Alegre. Um líder nos vestiários e nos gramados. E preciso nos seus passes e corajoso nas avançadas.

MEIOCAMPISTAS
Casemiro (Real Madrid/ESP)
Na Ibéria e na CL se aprimorou como o protetor perfeito de uma bequeira, exatamente ao estilo que Tite idolatra. Também aprendeu a avançar nos instantes corretos.
Paulinho (Barcelona/ESP)
No Corinthians campeão do Mundo de 2012 o treinador o transformou e, de volante comum, se tornou o formidável apoiador de potência que anotou 12 tentos em 48 pelejas.
Fernandinho (Manchester City/ING)
Mescla interessante de Casemiro com Paulinho, eficiente opção para qualquer de ambos ou para uma mudança de sistema em uma pugna particularmente complexa, que exija a preservação do resultado.

Renato Augusto (Beijing Guoan/CHI)
Há momentos em que lembra o grande Gérson Papagaio, pela sua capacidade de cadenciar, de alterar o ritmo de um jogo. E ainda funciona como artilheiro-surpresa, inclusive nas cabeçadas
Philippe Coutinho (Barcelona/ESP)
Paulatinamente se tornou indispensável, pela facilidade com que flutua na direita ou na esquerda, pelo brilho dos seus toques, lançamentos, e até arremates à distância.
Willian (Chelsea/ING)
Briga com Philippe Coutinho por uma posição nos onze de cima. Também é esperto em ambos os lados do campo e ostenta uma vantagem singular, chuta muito bem de longe.
Fred (Shakhtar Donetsk/UCR)
Um utilitário de fôlego inesgotável. Eficaz na marcação e na correria, um atleta do tipo que um time exige quando tem que segurar um resultado.

ATACANTES
Gabriel Jesus (Manchester City/ING)
Depois de praticamente duas temporadas de Europa, vai à Copa com a experiência que o faz indispensável em cada seleção do planeta. Sua performance: 9 tentos/15 jogos.
Neymar (PSG/FRA)
Evidentemente indiscutível. A questão é saber se, enfim, mesmo acossado pelos becões que adoram espancá-lo, não se machucará de novo ou não permanecerá o cai-cai.
Roberto Firmino (Liverpool/ING)
Um atestado da determinação com que Tite examina os seus convocáveis. Quando as suas pugnas pelo Liverpool viraram comuns na TV, ficou comprovada sua eficiência.
Douglas Costa (Juventus/ITA)
Outro que parecia distante dos olhares dos fãs do Brasil até que os triunfos da Juventus demonstrassem a sua competência e o acerto do treinador.
Taison (Shakhtar Donetsk/UCR)
Cada seleção nacional ostenta aquele jogador que jamais entra em campo numa Copa. Deve ser o seu caso. Mas, levou vantagem por já atuar nas plagas da competição, na Ucrânia vizinha da Rússia.

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