Na prorrogação, a Holanda bate a Inglaterra e agora pega Portugal
Pelas semifinais da Nations League da UEFA, 3 X 1 num cotejo equilibrado que se decidiu em duas falhas grotescas da defesa do time dos "Três Leões"
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

Com a sua sexta tripleta num total de 88 gols realizados nas 157 partidas que disputou pela seleção de Portugal, Cristiano Ronaldo, o CR7, praticamente sozinho, nas três únicas ofensivas que efetuou, derrotou a equipe da Suíça na primeira pugna das semifinais da Nations League da Europa. Aconteceu pelo placar de 3 X 1, quarta-feira, no Estádio do Dragão da cidade do Porto.

Nesta quinta, 6 de Junho, diante de 30.000 pessoas, no Estádio Dom Afonso Henriques de Guimarães, também na “Santa Terrinha”, sede da decisão da competição, a Holanda sobrepujou a Inglaterra, de virada, 1 X 1 no tempo regulamentar, 2 X 0 na prorrogação e 3 X 1 no placar acumulado, e conquistou o prazer e o privilégio de enfrentar a “equipa das Cinco Quinas”, no domingo, dia 9, no mesmo Estádio do Dragão, pelo primeiro título da NL e um prêmio equivalente a R$ 25 milhões. O vice abiscoitará a quantia de R$ 20 mi.

Foi o duelo de número 22 entre a Holanda e a Inglaterra. Agora, a “Laranja Mecânica” leva sobre os “Três Leões” uma vantagem de 7 triunfos a 6, mas uma desvantagem, em gols, de 29 X 31. Foi, também, um desafio particular entre os dois treinadores, ambos ex-zagueiros, o britânico Gareth Southgate, 48, e o nederlandês Ronald Koeman, 56, de estilos basicamente opostos nos seus idos de atletas mas assemelhados no comando de suas escalações.

Koeman atuou de 1980 a 1997 e, segundo indicam as estatísticas, cristalizou seu nome como o maior artilheiro da posição de central/líbero, 207 tentos em 581 porfias. Southgate atuou de 1988 a 2016 e disputou um volume parecido de pugnas, 503. Só que estacionou em 26 meros gols. Tanto a “Laranja” como os “Leões”, no entanto, ostentam alas que apóiam bastante, além de volantes e armadores habilidosos e ataques leves, insinuantes, incisivos.

Desenvolveu-se equilibradamente a peleja até que, aos 32’, Marcus Rashford escapuliu velozmente através do flanco esquerdo do gramado, invadiu a área da Holanda e, no seu encalço, o excelente zagueiro Virgil van Dijk, um instante atrasado, ao invés de tocar a pelota esbarrou na canela do inimigo, um pênalti indubitável. O mesmo Marcus Rashford converteria, o seu quarto tento nos últimos sete prélios dos “Três Leões”, o seu sétimo pelo "English Team". Ironia: no intervalo, o artilheiro acusou dores musculares e Southgate se obrigou a trocá-lo. Mas, por um outro “striker” confiável, Harry Kane.

Na etapa derradeira, determinado a provocar o empate e, no mínimo, uma prorrogação, Koeman tirou Ryan Babel, um atacante mais pesado, e De Roon, um volante incapaz de arrematar, e colocou em ação dois atletas na teoria mais potentes, Quincy Promes e Donny Van de Beek. E coube a Van Beek levantar o escanteio que, aos 73’, fulminantemente, o zagueiro De Ligt escorou de testa, 1 X 1. Por impedimento, aos 83’, o VAR ainda anularia, corretamente, um gol de Lingard, da Inglaterra. Consequência das paralisações: sete minutos de acréscimos, e mais os trinta do tempo suplementar.

Uma prorrogação se assemelha a um bingo, e ninguém pode prever que pedra surgirá. Pois numa investida em velocidade, tabela de Promes com Depay e uma defesa miraculosa de Pickford, aos 7’ do suplementar Kyle Walker desviou às próprias redes, Holanda 2 X 1. E os “Leões” ainda perpetrariam uma outra barbeiragem antológica aos 24’, uma atrasada ridícula de Barkley que, na verdade, funcionou como um lindo passe a Memphis Depay, junto à linha de fundo. Depay meramente tocou a Promes, na entrada da área pequena, 3 X 1 para a “Laranja”. Que, no domingo, pegará uma “equipa das Cinco Quinas” um pouquinho mais descansada.

PS: Em homenagem à memória de Lennart Johansson, o seu presidente de 1990 até 2007, um sueco polêmico que faleceu, no dia 4 de Junho, aos 89 anos de idade, a UEFA determinou o cumprimento de um minuto de silêncio em todos os prélios efetuados no Continente. Johansson, de fato, valorizou a entidade e modernizou os campeonatos interclubes sob a sua influência. Contudo, por ojeriza ao brasileiro João Havelange, que mandou na FIFA de 1974 a 1988, em diversas ocasiões tentou derrubá-lo através de intrigas e inclusive traições. Sabe-se que não conseguiu. Havelange fez do protegido Sepp Blatter o seu sucessor e costumava ironizar o corpanzil desajeitado de Johansson ao compará-lo com “um elefante em loja de cristais”.
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