Silvio Lancellotti Na Paralimpíada/2020, o Brasil sonha com o seu centésimo ouro

Na Paralimpíada/2020, o Brasil sonha com o seu centésimo ouro

Já arrebatou 87. E pelo ritmo das suas conquistas recentes, 21 em Londres/2012 e 14 no Rio/2016, é bastante provável que atinja essa meta agora em Tóquio. Para tanto, competirá com 260 atletas.

A chama paralímpica de Tóquio/2020

A chama paralímpica de Tóquio/2020

@paralympics

Com justos motivos, chegou a empolgar a participação do Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Afinal, apesar de dolorosas frustrações, particularmente nos Esportes coletivos, o País realizou a melhor performance de toda a sua história de cem anos no evento. Registrou um recorde de pódios. Transformou em ídolos atletas de modalidades sem apoio ou platéia, como a contagiante Rebeca Andrade da Ginástica Artística e como o guerreiro Isaquías Queiroz da Canoagem. E ainda  revelou diamantes insuspeitados nas novas disputas que o evento do Japão absorveu, como o Skate e o Surfe.

Lembrança dos Jogos de Stoke Mandeville. em 1948

Lembrança dos Jogos de Stoke Mandeville. em 1948

Reprodução

Maravilha. Que ninguém, todavia, se acomode sobre os louros conquistados. Desta terça-feira, dia 24 de Agosto, até o dia 5 de Setembro, o domingo da próxima semana, na mesma Tóquio se desenrolará a XVI Paralimpíada, a igualmente emocionante competição destinada a atletas com deficiências físicas ou sensoriais, todas as contendas organizadas de acordo com as características específicas dos praticantes. Uma competição que surgiu em Stoke Mandeville, Inglaterra, 1948, para reabilitar feridos na II Guerra, e que evoluiu a ponto de, em 1989, ganhar o seu próprio Comitê Paralímpico Internacional. Aliás, com um brasileiro, Andrew Parsons, na presidência desde 2017.

Andrew Parsons

Andrew Parsons

IPC

Também nos Jogos Paralímpicos o evento atual repete o preceito dos Olímpicos, que a Covid-19 atrasou em doze meses, e mantém o nome de Tóquio/2020. E, em relação ao Rio/2016, apesar da pandemia bate todos os primados. Ostenta 162 delegações, inclusive duas sem bandeira nem hino, a dos Refugiados e a dos Russos, de Comitê punido por causa do doping sistêmico. E cinco dessas nações são jejunas nos Jogos: Butão (dois representantes, Atletismo), Granada (um e um, Atletismo e Natação), Ilhas Maldivas (dois Atletismo), Paraguai (um Atletismo e um Natação), São Vicente e Granadinas (um Atletismo e um Natação). O Afeganistão, por razão além de óbvia, não enviou ninguém, mas o CPI fez questão de exibir seu pendão oficial, preto-rubro-verde, no desfile de abertura.

A bandeira do Afeganistão, presente

A bandeira do Afeganistão, presente

Reuters/Marko Djurica

Exatos 4.403 atletas, ou 75 mais do que no Rio/2016, se congregaram no Japão para estes Jogos de Tóquio/2020. Um outro recorde: o total de mulheres, 1.853, ou 42%, contra as 1.671 do Rio, 39%. O anfitrião, claro, aparece com a maior delegação, 254 integrantes que equivalem ao dobro de 2016. Quanto ao Brasil, levou a Tóquio 260 atletas, 164 homens e 96 mulheres, inclusive personagens fundamentais de apoio, como os guias para os deficientes visuais no Atletismo, os goleiros para o Futebol de Cinco. os calheiros para a Bocha. Com mais os membros da sua comissão administrativa e das equipes técnica e médica, uma delegação efetivamente alentada, de 434 pessoas.

O calheiro, na Bocha, Oscar Carvalho, e o filho Mateus Rodrigues

O calheiro, na Bocha, Oscar Carvalho, e o filho Mateus Rodrigues

Arquivo Pessoal

Seu desafio: simplesmente preservar o ritmo e a tradição de sobrepujar, a cada nova edição dos Paralímpicos, seu número de pódios, e se possível, melhor ainda, medalhas de ouro. Em Londres/2012, foram 43 medalhas, ou 21 de ouro, 14 de prata e 8 de bronze. No Rio, embora menos vezes o topo do pódio, apenas 14, arrematou 72, com 29 de prata e 29 de bronze. Sem dizer que, descontados os seus habituais sucessos no Atletismo e na Natação, subiu ao pódio em 13 esportes – quatro deles ineditamente, a Canoagem, o Ciclismo, o Levantamento de Pesos e o Vôlei Sentado. Melhor ainda: 15 dos seus atletas que levaram medalhas, sete mulheres e oito homens, tinham menos de 23 de idade, e estão de volta.

O esplêndido Centro Paralímpico de São Paulo

O esplêndido Centro Paralímpico de São Paulo

CPB

Claro que a Covid-19 atrapalhou a fase de preparação. O prejuízo, todavia, acabou atenuado por uma preciosidade que a gestão de Parsons construiu e que o seu sucessor, o advogado Mizael Conrado de Oliveira, que uma catarata congênita e, depois, um descolamento de retina, tornaram deficiente visual, mantém impecável: o espetacular CTP, o Centro de Treinamento Paralímpico. No quilômetro 11,5 da Rodovia dos Imigrantes, em 95.000m2 de área construída, um  verdadeiro clube com duas pistas de Atletismo, uma  externa e outra indoor; duas piscinas, de 50m e de 25m; dois campos de Futebol, de 5 e de 7; quadras de Basquete, Goalball, Rugby, Tênis e Vôlei Sentado; áreas para Halterofilismo, Judô, Tênis de Mesa, canchas de Bocha e de Esgrima; fitness e fisioterapia; Medicina e Ciência do Esporte, áreas de administração e até uma ala residencial com 300 leitos.

Mizael Conrado

Mizael Conrado

CPB

Sobre Mizael, importante saber que ele é o vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo, a OAB-SP, e um dos responsáveis pela providencial Lei de Inclusão da Pessoa com Deficiência, que elimina barreiras de acessibilidade no transporte, na moradia, nos serviços, na educação, no esporte, até mesmo no exercício da cidadania, e  que beneficia cerca de 50 milhões de cidadãos do Pais com algum tipo de deficiência e de pouca mobilidade. Mizael lembra que o Brasil já participa de Paralimpíada desde 1984, uma edição curiosamente mista, entre Stoke Mandeville e Nova York: “Nossa bandeira tremulou no mastro mais alto em 87 ocasiões. E faltam só 13 para alcançarmos o centésimo ouro. Se em Londres conquistamos 21 e outras 14 no Rio, por quê não sonhar que suplantaremos essa marca em Tóquio?”

O logo e a mascote de Tóquio/2020

O logo e a mascote de Tóquio/2020

@paralympics

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