Na estreia de Mancini como seu treinador, a "Azzurra" se frustra
Com um empate, 1 X 1, preservou a sua invencibilidade, em casa, contra a Polônia. E atestou a transição dramática que o Calcio atravessa.
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

De certa maneira, foi quase o jogo das ressurreições. De um lado, a Polônia, um fracasso retumbante na Copa da Rússia, mero último lugar no grupo da Colômbia, do Japão e do Senegal. Do outro, a Itália, que nem conseguiu uma vaga na disputa universal deste ano de 2018. Aconteceu em Bologna, a capital gastronômica da Bota, no Estádio Renato Dall’Ara, com meramente 70% dos seus 38.279 lugares efetivamente ocupados, um duelo pela Série A da recém-inaugurada Nations League da Europa. Um duelo interessante, aliás, também de dois estreantes no complexíssimo encargo de treinador.

Pela “Squadra Azzurra”, o ex-meia Roberto Mancini, 41 de idade, o qual, curiosamente, iniciou a sua carreira de atleta profissional lá mesmo, em Bologna e no Dall’Ara, no clube rossoblu da cidade, e depois defendeu a sua seleção em 36 combates, 4 tentos anotados. Pelas “Biale Orty”, as “Águias Brancas”, o ex-volante Jerzy Brzeczek, 47, um cartel de 42 pugnas e 4 gols como internacional. Ironia: no elenco de Brzeczek que iniciou a peleja, havia oito atletas que atuam em campos do Calcio. E Mancini se lamentava, antes do apito inicial, que os “estrangeiros” atualmente ocupam a maioria dos espaços no Futebol do seu país, daí a dificuldade de a “Azzurra” se renovar. De fato, numa bobagem do ítalo-brasileiro Jorginho, coube a um dos tais oito, o ala Piotr Zielínsky, que joga no Napoli, colocar a Polônia em vantagem aos 40’.

Tem certa razão o “Mancio”, apelido que recebeu ainda menino, por causa da sua habilidade em tratar uma pelota com a perna esquerda. No idioma da Bota, um canhoto é mancino. Na Itália de hoje, aliás os “estrangeiros” não apenas ocupam espaços dentro dos gramados como se aboletam nas tribunas-de-honra e nos camarotes. Clubes de tradição como Internazionale, Milan e Roma foram açambarcados pela grana de investidores/especuladores de outras plagas. Pior, sucessivas gestões de engravatados incompetentes na FIGC, a entidade que regula o Calcio, atrasaram uma imprescindível renovação de quadros nas categorias de base. É bem fraquinha a geração atual.

Tentou de tudo e até mais um pouco o “Mancio” na etapa derradeira. Das trocas destinadas a transformar o seu 4-3-3 num ousado 4-2-4 aos berros caudalosos na sua lateral do gramado. Funcionou, aos 76’, uma tabela preciosa do titularíssimo Bernardeschi com Chiesa e Bonaventura, dois dos substitutos, redundou num penal que Jorginho converteu. Jorginho quem? Bem, a “Azzurra” também tem direito aos seus não nativos. No caso um oriundo, um catarinense de sangue peninsular, Jorge Luiz Frello Filho, de Imbituba, 26 de idade mas na Bota desde os 15, ex-Napoli e agora Chelsea da Inglaterra. Detalhe: Jorginho havia falhado no lance que originou o 1 X 0 de Zielinski, seu amigo pessoal. Ao menos a esforçada porém precária equipe da Itália preservou a sua invencibilidade caseira diante da Polônia: agora, numa história de seis desafios, o terceiro empate contra três triunfos.

Mas, como funciona essa Nations League, que começou as suas batalhas na quinta-feira, 6 de Setembro, com o clássico Alemanha X França, placar de 0 X 0? Trata-se de uma disputa entre seleções que a UEFA, a entidade que organiza o Futebol na Europa, inventou para mobilizar as suas 55 afiliadas, a sua mídia e, principalmente, claro, os distribuidores das verbas de patrocínio, e aproveitar as chamadas “Datas FIFA” com pelejas verdadeiramente oficiais e não apenas caça-níqueis e sem um valor de fato comparativo. Além do ótimo tesouro equivalente a R$ 320 milhões em premiações, a NL, prevista para ocorrer a cada dois anos antes da Copa UEFA, ainda propiciará mais quatro vagas de qualificação à sua competição-matriz e, evidentemente, acumulará pontos para o ranking de nações do Velho Continente.

Interessantíssimo princípio: com base no ranking antigo, aquele completado logo após a fase de grupos das últimas eliminatórias da Europa à Copa do Mundo da FIFA, a da Rússia/2018, a UEFA separou as 55 afiliadas em quatro divisões. Na A, obviamente a das melhores, ficaram doze seleções. Na B, mais doze. Na C, outras quinze. Na D, as remanescentes dezesseis. Em cada grupo das divisões se definiram cotejos de ida e de volta, a se disputarem entre este dia 6 e o dia 20 de Novembro. Os quatro vencedores se digladiarão, daí, entre 5 e 9 de Junho de 2019, para se decidir o campeão. Melhor: ineditamente haverá quatro seleções rebaixadas da A à D. E respectivamente haverá outras quatro seleções promovidas pelo acesso desde a D até a A.

Um sorteio distribuiu as doze de ranking superior, ou as doze da Série A, nas quatro chaves aqui explicitadas:
1 – Alemanha, França e Holanda
2 – Bélgica, Suíça e Islândia
3 – Portugal, Itália e Polônia
4 – Espanha, Inglaterra e Croácia
Os outros prélios deste início de NL:
Dia 8
Suíça X Islândia (Grupo2)
Inglaterra X Espanha (Grupo 4)
Dia 9
França X Holanda
Dia 10
Portugal X Itália
Dia 11
Islândia X Bélgica
Espanha X Croácia
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