Na estréia de Loss, o "Timão" perde muitos gols e perde também o jogo
Tivesse realizado metade das chances que desperdiçou, o "Mosqueteiro" sairia da sua Arena com um resultado bem folgado contra o Millionários
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

Em praticamente dezoito meses, seria o primeiro combate do Corinthians sem Fábio Carille como o treinador de seu elenco principal. Dezoito meses em que Carille acumulou um título nacional e o bi estadual. Em que, muito mais do que um comandante nos vestiários e nas laterais de um campo de Futebol, esse paulistano de 44 anos de idade se tornou um amigo-irmão dos seus atletas, um ídolo da Fiel Torcida do “Timão”. Simultaneamente, no entanto, foi o primeiro prélio de Osmar Loss, um gaúcho de Passo Fundo, 42, no agora complexíssimo encargo de sucessor de Carille.

Por quê o adjetivo no aumentativo? Raros ocupantes de uma posição tão significativa conseguem atingir, em tão pouco tempo, a quase unanimidade que Carille alcançou. E, ironicamente, dentro do “quase” pode-se encaixar um certo Andrés Sanchez, o presidente do clube, Com aquele seu estilo peculiar em que a rudeza abafa qualquer sinal de gentileza, logo ao tomar posse, em 5 de Fevereiro, o mandatário anunciou que, no caso de não se enquadrar aos seus ditames, Carille estaria livre para partir. Pois o ex-assessor eterno que, em praticamente dezoito meses, ganhou fama mundial, intuiu que as fofocas de bastidores estavam prestes a esgotar a sua paciência e topou assumir o comando de um caminhão movido a petrodólares.

Curiosamente, embora integrem uma mesma geração, e embora tenham eclodido a partir do anonimato, sem os degraus intermediários de praxe, os dois, Carille e Loss, não ostentam outras semelhanças. “Mosqueteiro” desde 2009, Carille participou de comissões técnicas sempre muito eficientes, de Mano Menezes a Tite. Loss viveu um mínimo de experiências como o interino do Internacional de Porto Alegre. Mas, invariavelmente, de 1995 a 2017, quando Carille o promoveu, perambulou nas categorias de base. A sua estrela só fulgurou, já no Corinthians, com os vice-títulos da Copa São Paulo de Juniores em 2014 e em 2016, e com os belos triunfos de 2015 e de 2017.

Aconteceu nesta noite de 24 de Maio de 2018 a primeira partida do “Timão” sem Carille e a primeira de Loss na administração da sua estratégia e da sua tática. Diante do Millionários da Colômbia, pela última rodada da fase de grupos da Libertadores de América, ao “Mosqueteiro”, antecipadamente classificado aos mata-matas, um sucesso valeria a sua colocação no chamado Pote 1 do sorteio dos próximos emparceiramentos, e o alívio de não enfrentar, nas oitavas-de-final, Cruzeiro, Grêmio, Palmeiras ou Santos. Na ida, em Bogotá, havia arrancado um empate, 0 X 0.

Depois de cinco rodadas, a classificação da Chave G da competição exibia o Corinthians com 10 pontos, o Independiente da Argentina com 7, o Deportivo Lara da Venezuela com 6 e o Millionários com 5. Quer dizer: o “Azul y Blanco” de Bogotá necessitaria sobrepujar o “Alvinegro” bandeirante e ainda esperar que os platinos e os venezuelanos se limitassem a um empate no seu prélio programado para Avellaneda, juntinho a Buenos Aires. Quase impossível. De todo modo, o seu treinador Miguel Angel Russo, um ex-volante do Estudiantes de La Plata, determinou que os seus atletas se atirassem no ataque.

No canto triangular que a Arena reserva aos visitantes, os menos de mil fãs presentes do “Azul y Blanco” vibravam com as pontadas dos seus esforçados Del Valle e Rojas. Loss, porém, reagiu com tranquilidade e com sabedoria. Escolheu o toque de bola, a espera paciente do momento justo, e então das investidas em velocidade. Acabaram em 0 X 0 os 45’ iniciais. O Corinthians, todavia, deveria ter descido aos vestiários com a vantagem no placar. E na etapa derradeira, chances e mais chances desperdiçadas pelo “Timão”, o panorama basicamente não mudou.

Treinador, obviamente, não chuta à meta do adversário. Assim, não se deve culpar Osmar Loss pela carência de pontaria dos seus pupilos. E não se deve elogiá-lo pela alteração que perpetrou aos 71’, a previsível saída do menino Pedrinho, ainda sem condições de resistir por todos os 90. Loss imitou Carille, Mateus Vital entrou. E, para ampliar o infortúnio do estreante, no lance subsequente, ao desfrutar de primeira, 25 metros, uma rebatida de Balbuena, o recém entrado Carrillo acertou um petardo de destra, espetacular, no ângulo do retornado Walter, absolutamente indefensável, 1 X 0.

Aos 81’, modificações em granel. Marquinhos Gabriel e Júnior Dutra nos postos de Romero e de Jadson, diante da apreensão de 30.340 pagantes, menos, é lógico, os cerca de mil do Millionários. Loss e a Fiel Torcida ainda sofreriam aos 85’, um tento de Maycon corretamente anulado por imedimento de Sidcley na raiz da jogada. E de nada adianta afirmar que Loss não mereceu principiar a sua carreira de treinador, mesmo, com um fracasso. No futuro, as antologias meramente cravarão: perdeu.
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