Na catimba e na bola, o Palmeiras ganha a primeira do Corinthians
Dentro de sua casa e diante de uma torcida única e quase recordista, o elenco de Carille sucumbe à melhor organização dos pupilos de Roger Machado
Silvio Lancellotti|Sílvio Lancellotti

Conforme se imaginava, neste sábado, dia 31 de Março de 2018, a Arena ainda-sem-nome de Itaquera, casa do Corinthians e sede do seu duelo contra o Palmeiras pela decisão do Campeonato Paulista da temporada, recebeu um público espetacular, 43.535 que compraram seus ingressos e 535 que entraram sem pagar, num total de 43.905, razoavelmente abaixo, porém, do primado dos 46.493 presentes ao triunfo do “Timão”, 3 X 2, sobre o “Verdão” no recentíssimo Brasileiro que arrebatou, em 5 de Novembro.

Por desfrutar o apoio de uma torcida única, também se acreditava que o “Mosqueteiro” estenderia a cinco a sua série de triunfos seguidos sobre o “Periquito/Porco”. Os quatro sucessos com Fábio Carille na sua orientação. Foi o Palmeiras, contudo, quem devassou a Arena, 1 X 0, no cotejo de número 357 entre os dois clubes, e subiu a sua vantagem a 127 vitórias a 125. Pena que, ao contrário do que se desejava, parte da torcida do Palmeiras, à distância, tenha se esmerado em exacerbar as tensões. Jamais se saberá se a confusão pré-jogo afetou psicologicamente Carille & companhia bela.

Nas inefáveis “Redes Sociais”, a facção Mancha Verde, espalhou postagens supostamente feitas pelo árbitro Leandro Bizzio Marinho, e por seus parentes, em favor do “Timão”. Felizmente, mesmo atabalhoado na técnica e na disciplina, na sua cabeça Marinho não se abalou. Só que, ainda pior, todavia, num vídeo de “motivação”, André Guerra, presidente da Mancha, num exagero verbal que logo o obrigou a pedir desculpas mas continua punível por Lei, chegou a sugerir o sequestro da mãe de Carille, de modo a desmobilizar o inimigo. É, jamais se saberá se a catimba funcionou. Mas, até o treinador indiretamente admitiu que foi ridícula a atuação do seu Corinthians.

Cronometricamente impiedoso, o costumeiro toró que, no mês de Março, tomba sobre São Paulo nas tardinhas, desandou a encharcar a plateia poucos momentos antes de a pugna se iniciar. Então, nem o mais pessimista dos alvinegros poderia sonhar que logo aos 7’ a sua defesa reprisaria o erro crônico de titubear nas bolas cruzadas. Um levantamento de Dudu resvalou no travessão, outra vez o arqueiro Cássio apenas olhou e, entre Balbuena e Henrique o colombiano Borja escorou, 1 X 0. Ironia: naqueles ralos instante antes de sofrer o gol o “Mosqueteiro” parecia bem mais perigoso.

O chuvaréu cessou. A torcida não parou de estimular o seu “Timão”. A mediação do apitador Marinho se provou tão serena e tão eficiente que passou despercebida. Claro que o “Verdão” refluiu e optou pelas contraofensivas em velocidade através dos flancos. Sem penetração, o elenco de Carille se limitava a uma troca estéril de passes e às tentativas isoladas de Émerson Sheik, que reclamava da sua solidão à frente. Impressionava a dinâmica de Lucas Lima, literalmente nos quatro cantos do gramado.

Aos 45’, depois de um entrevero típico de decisão, junto à linha lateral do lado canhoto do Corinthians, o azougue Dudu acendeu o estopim de empurra-empurra no qual sobraram cartões vermelhos para Clayson e para Felipe Melo. No intervalo, Carille necessitaria planificar uma revolução para aproveitar a ausência do sólido mastim do inimigo. Mas, não substituiu ninguém até os 55’, quando trocou Mateus Vital por Romero, uma alteração normal, e o lateral Sidcley por Pedrinho, uma alteração ousada.
Roger Machado já havia recomposto a sua muralha ao sacrificar Borja e colocar na porfia o volante Moisés. Daí, por contusão, Diego Barbosa entrou na posição de Vítor Luís. E por contusão, aos 68’, Thiago Santos entrou na posição de Bruno Henrique. Paulatinamente os nervos se expuseram na Arena. E a falta de alguém como Jô, artilheiro e pivô, no centro do ataque do “Mosqueteiro”, se demonstrava ostensivamente crucial.

Efetivamente, todos os seus lances mais instigantes saíam de Sheik, um veterano já no caminho dos 40 de idade. De resto, meros chutões destemperados desde as imediações da área. Danilo, outro vovô, remeteu Sheik ao repouso nos 78’. Não funcionaria. As estatísticas atestavam que, apenas naquela altura, o Corinthians tinha desperdiçado a bagatela de 33 inúteis cruzamentos. Terá de melhorar, e muito, no próximo domingo, no Allianz Parque, para no mínimo levar a decisão aos penais.
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