Kawhi Leonard, entenda-se Raptors, 4 X 2 sobre os Milwaukee Bucks
Noutra atuação exuberante, mesmo no sacrifício, lesionado num joelho, ele leva Toronto a uma decisão inédita na história do Basquete do Canadá
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

Oficialmente instalada no dia 3 de Agosto de 1949, a NBA, ou a National Basketball Association, na verdade deveria se chamar International. Das suas 30 agremiações, 29 são dos Estados Unidos e uma provém do Canadá. Aliás, na verdade, já foram duas aquelas do Canadá. Em 1995, ao realizar uma expansão de franqueadas, a NBA abrigou os Raptors de Toronto e os Grizzlies de Vancouver. Até que, em 2000, por compromissos comerciais, os Grizzlies se transferiram à cidade de Memphis, no Tennessee, EUA.

Integrantes da Conferência Oeste da NBA, em uma única temporada dos seus 24 anos de existência, a de 2012/13, os Grizzlies atingiram a respectiva decisão numa melhor-de-sete porfias mas perderam dos San Antonio Spurs, 0 X 4. Os Raptors chegaram às últimas três semifinais e, por infortúnio, lhes coube duelar com os Cleveland Cavaliers do incrível LeBron James, campeões em 2016, vices em 2017 e em 2018, uma queda por 2 X 4, duas sovas de 0 X 4.

Pois o elenco de Toronto, com 3 X 2 no placar geral da série, estava a um triunfo de amealhar um primeiro título de Conferência para o Canadá. Nesta noite de sábado, 25 de Maio, nas finais da Conferência Leste contra os Bucks de Milwaukee, cidade dos EUA, situada no lado oposto dos Grandes Lagos, na sua Scotiabank Arena de 19.800 lugares, apenas precisava de mais um sucesso para enfim desafiar os Golden State Warriors, os campeões de 2015, de 2017 e 2018, pela posse do Larry O’Brien Trophy. O time de Milwaukee chegou a escancarar uma vantagem respeitável de 15 pontos até faltarem 2’18” do terceiro quarto. Daí, numa reviravolta fenomenal, os hospedeiros incendiaram a Arena e se consagraram, triunfo inédito, 100 X 94.

Num texto sobre o jogo 5 desta batalha, originalmente publicado durante a madrugada de 24 de Maio, observei que eventualmente as estatísticas podem mentir. Mas, também comentei que podem funcionar como bons indicadores de tendências. No caso, as tendências favoreciam os Bucks, por inversão de valores. Na temporada regular, com os seus 82 cotejos, só em duas ocasiões tinham perdido duas pugnas consecutivas. E o jogo 5 lhes havia imposto o seu terceiro tombo seguido, Raptors 105 X 99, em Milwaukee. Desabaria um raio sobre os Bucks, pela quarta vez, na quadra rival? Sim. O relâmpago estrondou, impiedoso. O nome do seu disparador: Kawhi Anthony Leonard.

Graças a uma atuação magistral de Leonard, o elenco de Toronto advinha, no jogo 5, da maior vitória de toda a sua história na NBA. Na função inusitada de armador, ele havia acumulado a sua sétima peleja de “playoffs” com mais de 35 pontos. E, curiosamente, a primeira com nove assistências em toda a sua carreira de 570 pelejas disputadas até tal noite. Magia. Nove assistências, todas para arremessos de 3 pontos. Ou, numa conta elementar, 62 pontos num resultado de 105 X 99, a preciosidade de 59% do global da sua equipe.

Leonard também havia se destacado pela impressionante marcação homem-a-homem do portentoso, até espetaculoso, Giannis Antetokounmpo, o greco-nigeriano dos Bucks, a quem os especialistas apontam como o craque da NBA na próxima década. Detalhe: Giannis ostenta 2m11 de altura e 110kg de peso contra os 2m01 e 104 de Leonard. Mas, além de uma elasticidade primorosa, Leonard se iguala a Giannis na envergadura, 2m11. E foi graças à sua mescla de agilidade com envergadura que limitou o inimigo aos 24 pontos. Mais, em 12 rebotes diretos entre ambos, Leonard sobrepujou Giannis por 7 X 5.

Repetiu-se, no jogo 6, a atuação esplêndida de Leonard. E no sacrifício, horas e horas de contraste de frio e de calor no joelho direito lesionado, massagem, fisioterapia, eventualmente uma infiltração de anestésico não proibido pelas regras do anti-doping. No momento em que os Bulls exibiam 76 X 61 no placar e os Raptors ressuscitaram, ele acumulava apenas 12 pontos no seu boletim. Daí, em pouco mais de 14’, evoluiria formidavelmente, outros 15. E Leonard ainda capturaria 17 rebotes e proporcionaria 7 assistências. Sem lembrar que, implacável na cobertura de Giannis, limitaria o inimigo a 21 pontos. Claro, abiscoitou o prêmio de MVP, o Atleta Mais Valioso da série. Indiscutível.

Porque, na temporada regular, os Raptors obtiveram uma performance melhor que a dos Warriors, 58 sucessos a 57 naquele global de 82 porfias, começarão as “Finals”, em 30 de Maio e 2 de Junho, na sua Scotiabank. Então, a série terá ao menos dois prélios na Oracle Arena de Oakland, nas despedidas dos Warriors no endereço, 5 e 7 de Junho. No caso de a melhor-de-sete se estender, estão programados mais três prélios: dia 10 em Toronto, dia 13 em Oakland, e dia 16 em Toronto. Ganhem ou fracassem, após estas “Finals” os Warriors vão se instalar em San Francisco. As despedidas, no entanto, prometem emoções extras. Steve Kerr, o seu treinador, já recuperou os contundidos Andre Iguodala e DeMarcus Cousins. E também deve resgatar o cracaço Kevin Durant. Warriors, um sinônimo de seleção Talvez. A ver.
Gostou? Clique em “Compartilhar”, em “Twittar”, ou deixe a sua opinião em “Comentários”. Muito obrigado. E um grande abraço!



