Foi Cancelo e não o CR7 o herói português da Juve contra a Lazio
O lateral entrou no jogo aos 70', quando a "Senhora" perdia de 0 X 1. Anotou um gol de esperteza e provocou o penal que o compatriota bateria, 2 X 1.
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

Faz praticamente duas décadas que a Lazio de Roma surrupiou um dos títulos que a Juventus de Turim mais considerava assegurado em toda a sua História. Ocorreu no certame peninsular de 1999/2000. A oito rodadas do encerramento do campeonato, tranquilamente a Juventus ostentava nove pontos de vantagem na tabela. Então, de maneira paulatina, acachapante, desabou, até que, na jornada derradeira a sua folga caiu a meros dois. Tinha 71, contra os 69 da Lazio. E ambas disputariam os seus cotejos fatais contra equipes então intermediárias na tabela de classificação.

Em Roma, a Lazio cumpriu a sua obrigação e suplantou a Reggina, da Calábria, por 3 X 0. Só que, na Úmbria, num campo impraticável pela chuvarada inclemente, graças a um gol boboca o Perugia anotou 1 X 0 e a Juventus não conseguiu, sequer, atingir o empate. Consequência: o segundo “scudetto” da Lazio desde a sua fundação em 1900. Antes, abiscoitara o troféu de 1973/74.

Pois neste domingo, 27 de Janeiro de 2019, de novo no Olímpico da capital da Velha Bota, outra vez as duas agremiações se defrontaram em situações peculiares. A “Zebra”, líder tranquila com 56 pontos em 60 possíveis. A “Águia”, obviamente sem a menor chance de reprisar aquela façanha, tinha 32. De todo modo, um triunfo seu auxiliaria um outro clube de fardamento bastante similar, o vice Napoli que, no sábado, arrancou um placar de 0 X 0 ao Milan, em Milão, e assumiu, esperançoso, o patamar dos 48.

A Juventus carregou ao Olímpico uma providencial folga nas estatísticas. Em 149 pelejas anteriores, acumulava 80 sucessos para 33 fracassos, 266 tentos a 162. O treinador Massimiliano Allegri, em 5 duelos, jamais havia perdido para o seu rival Simone Inzaghi. De todo modo, Inzaghi estruturou uma impressionante proteção de meio-campo, sob o comando do espanhol Luís Alberto, e a “Zebra” não produziu um único lance de perigo na primeira etapa.

Ao contrário, se destacou o polonês Szczesny, arqueiro da “Senhora”, com três intervenções cruciais. Cristiano Ronaldo, que havia prometido presentear a “fidanzata” Georgina, presente nas tribunas, com um gol celebrativo, mal pegou na pelota. Aliás, felizmente, e igualmente ao contrário, não aconteceu qualquer incidente entre duas torcidas que habitualmente se digladiam com ferocidade. E os 45’ regulamentares se escoaram pacificamente.

No segundo tempo, continuou muito melhor a Lazio, que abusou, todavia, dos arremates à distância e sem pontaria. A Juve? Bem, a Juve realizava a sua pior apresentação de todo o certame, agora na jornada 21 de 38. Para ampliar o drama de Allegri, aos 59’ o precioso Luís Alberto bateu um escanteio da esquerda e, na confusão característica de pequena área, o turco-alemão Emre Can cabeceou contra a sua própria meta. Impressionante, inexistia a “Senhora” enquanto a “Águia” desperdiçava as suas oportunidades.

A Juve, no entanto, é a Juve. Aos 60’ e aos 70’, Allegri perpetrou duas trocas que se provariam salutares. Trocou Blaise Matuidi por Bernardeschi e daí Douglas Costa por João Cancelo. Pois aos 74’ Bernardeschi desceu através do seu flanco canhoto e cruzou. Paulo Dybala fuzilou e o arqueiro Strakosha, grego-albanês, rebateu muito mal, de modo estapafúrdio, onde se localizava João Cancelo, esperto, o seu primeiro tento com a camisa da "Senhora".

Sim, sairia de um outro português, não o CR7, o gol em honra de Georgina. Pior para a Lazio, aos 87’, em um lance sem bola, tolamente, Lulic derrubou João Cancelo. Coube ao CR7 cobrar, impecavelmente. O seu tento de número 15 no campeonato, um degrauzinho abaixo dos 16 de Fabio Quagliarella, da Sampdoria de Gênova. Juventus 2 X 1, agora 59 pontos em 63 disponíveis, 11 adiante do Napoli. Mais e mais à vista o oitavo "scudetto" consecutivo...
Gostou? Clique em “Compartilhar”, em “Twittar”, ou deixe a sua opinião em “Comentários”. Muito obrigado. E um grande abraço!



