Fiorentina e Atalanta, os impactos inesperados da Copa Itália 2018/19
Em Florença, a "Viola" arrasou a Roma por 7 X 1. Em Bérgamo, a "Dea" ignorou a Juventus, detentora do troféu e em busca da quinta conquista em seguida.
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

Definido. Fiorentina de Florença e Atalanta de Bérgamo se enfrentarão, nos dias 27 de Fevereiro e 24 de Abril, respectivamente no Artemio Franchi da Toscana e no Atleti Azzurri da Lombardia, pela fase semifinal da Copa Itália de 2018/19. A esquadra “Viola” conquistou tal direito ao dilapidar em seus domínios, por 7 X 1, nesta quarta-feira, 30 de Janeiro, a Roma da capital da Bota. E a Atalanta ao suplantar, em casa, a Juventus de Turim, 3 X 0. Na terça, ao derrotar o Napoli, no seu San Siro, 2 X 0, o Milan se qualificara para pegar, nas mesmas datas, o sobrevivente de Internazionale e Lazio de Roma, que se digladiarão, nesta quinta-feira, 31, também na metrópole de Milão.

Datada de 1922, na sua edição inicial a Copa ficou com o Vado, um time de uma cidade da Ligúria, vizinhanças de Gênova, cerca de 8.000 habitantes. Detalhe: hoje o Vado participa do que corresponderia a um certame da Série F. Depois de atravessar intermitências e transformações, a competição, atualmente, congrega 78 agremiações: 9 da Série D, 27 da C, 22 da B e 20 da A. Nesta temporada, a de número 72, inaugurada em 28 de Julho, já ocorreram 73 prélios com 204 tentos registrados, a média excelente de 2,79.

A Juventus detinha o título da competição, amealhado pela quarta vez consecutiva, sua décima-terceira conquista na história de 72 edições da Copa. A Atalanta fantasia a segunda vitória na competição, depois da celebração de 1963. A Fiorentina já acumula 6 sucessos, o último abiscoitado em 2001. O Milan ostenta 5, o derradeiro em 2003. A Inter, 7 galardões, não celebra desde 2001. A Lazio arrebatou a sua sexta taça em 2013. Antes definida em cotejos de ida e volta, na temporada de 2007/08 a Copa modificou o seu formato e assumiu o conceito da decisão em um jogo único, sempre em Roma e na presença do Presidente da República, encarregado de entregar o troféu aos ganhadores, agora em jornada programada para 15 de Maio.

Numa só expressão verbal, a Fiorentina de Stefano Pioli devastou a Roma. E dois herdeiros de craques do passado fundamentalmente protagonizaram a sua impressionante humilhação: Federico Chiesa, filho de Enrico, um antigo artilheiro da Sampdoria e da “Viola”, que anotou 3 dos 7 tentos. E Giovanni Simeone, filho de Diego, atualmente o treinador do Atlético de Madrid, que realizou outros 2. A “Loba”, como se dizia lá atrás, não viu a cor da pelota.

Petulantemente escalada por Eusebio Di Francesco que, na tola suposição de poupar os seus principais titulares, depositou Lorenzo Pellegrini, Daniele De Rossi e Edin Dzeko no banco de reservas, a Roma desceu ao vestiário, no final do primeiro tempo, já com 1 X 3 no placar: aos 7 e aos 18’ Chiesa fez 2 X 0; aos 28 Kolarov diminuiu; mas, aos 33, Muriel fechou o resultado. Durante o intervalo, Di Francesco acordou e colocou Pellegrini e Dzeko em ação. Inútil. Aos 66 Benassi ampliou, 4 X 1. Aos 72 o bósnio exagerou nos palavrões e foi expulso. E a “Viola” se locupletou: Chiesa aos 74, Simeone aos 79 e aos 89.

Dona de uma longa invencibilidade diante da Atalanta, 21 triunfos e 5 empates, sem conceder uma “rete” sequer em oito pugnas da Copa, a equipe da Juventus visitou o Atleti Azzurri d’Italia e a “Dea” de Gian Piero Gasperini como a favoritérrima a se qualificar. Em 120 segundos, porém, a hospedeira “narazzurra” conseguiria apavorar a “Senhora”. Duas falhas patéticas da retaguarda hesitante de Massimiliano Allegri. Aos 37’ Castagne roubou a bola de João Cancelo, 1 X 0. Aos 30’ o artilheiro colombiano Zapata atropelou a bequeira da Juve e duplicou. Allegri reclamou uma falta e acabou excluído.

Missão ingente da “Zebra”, revolucionar tal resultado. O elenco de Gasperini, de fato, mais lembrava um batalhão de carrapatos que não desgrudavam, um por um, de cada inimigo. À Juventus restou o recurso dos chuveirinhos na área do arqueiro Berisha. Para exagerar o seu sofrimento, a performance de Cancelo beirava o ridículo: municiador ao contrário, um efetivo armador das contra-ofensivas da “Dea”. Aos 88’, numa barbeiragem imperdoável, Rugani recuou precisamente para Zapata fulminar, 3 X 0. A Juve se despediu grotescamente do sonho de, mais uma vez, e agora pela quinta em seguida, bordar no seu fardamento o “scudetto”, símbolo do título nacional, e a redondinha “coccarda” que se concede ao time campeão da Copa.
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