Ficou no 0 X 0 o clássico Milan X Inter nas semis da Copa Itália
Começou melhor a visitante "Biscione", serpente mitológica da Lombardia. Depois, porém, o "Diavolo" equlibrou a ações. Faltou-lhe o acerto nas finalizações. Faltou-lhe o lesionado Ibrahimovic.
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

Nada melhor que dois grandes clássicos para encantar a fase semifinal da Copa Itália, a segunda competição mais significativa do Calcio, o Futebol da Velha Bota. Agora, nesta terça-feira, dia 1º de Março, em Milão, aconteceu o “Derby della Madonnina” entre o Milan e a Inter. No dia 2, quarta-feira, em Florença, ocorrerá um dos confrontos de maior rivalidade na península – embora originárias de cidades diferentes, Fiorentina X Juventus. Na Copa Itália (ou Coppa Italia, com dois pp e sem o acento no á, assim exige sua grafia original), até esta fase semifinal todas as etapas se decidiram por mata-matas simples, com mando da equipe melhor ranqueada. Desta vez, haverá pelejas de retorno, em 20 e em 21 de Abril.
A partida desta terça-feira:

MILAN 0 X 0 INTER
Milão, Stadio di San Siro
Árbitro: Maurizio Mariani
Sem vencer o “Diavolo” de Stefano Pioli no “Nazionale”, um empate de 1 X 1 em visita ao San Siro e uma derrota de 1 X 2 no seu Giuseppe Meazza, a “Biscione”, serpente mitológica que simboliza a Inter de Simone Inzaghi, via o duelo desta terça como uma chance de vingança e, bem melhor, de se revigorar para a busca do “Scudetto” desta temporada. A “nerazzurra” somava quatro jogos sem vencer, havia feito um só gol e cedido cinco.

E o Milan também atravessava um momento difícil. Eliminado na Europa, advinha de igualdades cruéis no torneio, com a mediana Udinese e com a já condenada Salernitana. Natural que explodissem as expectativas em relação ao desafio do San Siro. Ah, uma explicação, para quem não sabe: o estádio que abrigou o prélio se situa no bairro de San Siro e se chama Meazza, mas os torcedores do “Diavolo” preferem não homenagear o nome do astro que fulgurou essencialmente com a camisa da Inter. Uma manifestação coletiva, muito bonita, fundamental, antes do apito inicial de Mariani, colocou as duas esquadras, solidárias, no centro do gramado, a pedir a paz imediata na Ucrânia.

Uma constatação basilar: vale bem menos o fato de não ser o mandante quando um visitante não necessita viajar. E a “Biscione” controlou o jogo até os 10’. Então, uma saída de bola tenebrosa de Handanovic quase propiciou o 1 X 0 ao Milan. Saelemaekers desperdiçou o tento com o arco escancarado. Depois de alguns momentos em que acusou sentir a barbeiragem do “portiere”, a Inter recuperou o domínio do meio-de-canpo, para a irritação de Ibrahimovic, astro do “Diavolo”, lesionado e no estaleiro ninguém sabe por quanto tempo, a ruminar o seu mau-humor nas tribunas ao lado do filho caçulinha Vincent.

Detalhe crucial: ao contrário do que já se determinou nos torneios da Europa, o fim do quesito do chamado “gol no campo do inimigo”, nesta temporada ainda prevalece, na Coppa Italia, o antigo critério. E assim, encerrados os 45’ em 0 X 0, supostamente, nos 45 derradeiros, a “Biscione” deveria se entregar à caça de uma folga. Só que melhorou muito o Milan. Faltou-lhe, apenas, nas oportunidades que produziu, o ajuste no arremate. Olivier Giroud se limitava a fazer pivô para a finalização de Saelemaekers, Florenzi ou Rafael Leão. Faltou o Ibrahimovic. Daí, nos arredores dos 65’, Inzaghi e Pioli passaram a mexer nas escalações. Inutilmente. Ficou tudo, mesmo, para o próximo "Derby", programado para o dia 20 de Abril, no Stadio Giuseppe Meazza. É, aquele que se situa no bairro de San Siro.
Na quarta-feira, dia 2 de Março:

FIORENTINA X JUVENTUS
Florença, Stadio Artemio Franchi
Árbitro: Marco Guida
Volta em 21 de Abril
Em seu Jubileu de Diamante, a edição 75 da Copa Itália apresenta uma singularidade. Na verdade, nasceu faz um século, em 1922, com o triunfo do Vado, clube que, hoje amador, se esconde na Série D, quarta divisão, e ostentou apenas 38 clubes das sete regiões ao norte da nação. Com o tempo, passou a abrigar times das repartições inferiores e de todas as vinte regiões. Em cem anos, porém, diversas vezes se interrompeu até se firmar, de fato constante, em 1957/58, então com 32 equipes e a com a conquista pioneira da Lazio.

Em 2019/2020, vencida pela Juve, acomodou 78. Daí, no entanto, a Covid-19 provocou um enxugamento radical e o Calcio ainda precisou de espaço para a Euro/2020, que a “Azzurra” levou, e para as eliminatórias do Mundial do Catar/2022. E a “Azzurra" ainda lutará por uma vaga, 24 de Março, no Stadio Renzo Barbera de Palermo, contra a Macedônia do Norte, e então dia 29, possivelmente no Dragão do Porto, contra o Portugal de Cristiano Ronaldo.

Raras vezes antes desta, digamos, era moderna, a Copa da Bota ostentou tão poucas equipes inscritas, 44: as vinte da Série A, as 20 da B e as quatro primeiras da C. Hoje sob o patrocínio da Frecciarossa, a linha de trens aerodinâmicos, de alta velocidade, que atravessa a Itália, esta edição da Copa principiou em 7 de Agosto de 2021, teve apenas 41 pelejas até esta data, com 142 tentos registrados e a média excelente de 3,46.
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