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Em Milão, a batalha, de verdade, de um voluntário contra a Covid-19

Bruno Danovaro, um super-atleta de vários esportes, até mesmo precisa suplantar assaltantes para cumprir a sua bela missão na Lombardia

Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

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Bruno Danovaro, em seus tempos de Pugilismo
Bruno Danovaro, em seus tempos de Pugilismo

Um atleta exemplar, Bruno Danovaro não fuma. De todo modo, ao sair do prédio da Cruz Vermelha de Milão, na Via Marcello Pucci, e bater um papo derradeiro com um colega de turno, exausto, tenso e enjoado por mais um longo dia de plantão como voluntário na batalha contra a Covid-19, aceitou um cigarro e se despediu. Uma centena de metros depois, a caminho de casa, na cidade vazia e já bem escura do entardecer, enquanto atravessava, sozinho, o Giardino Valentino Bompiani, e procurava um lugar no qual depositar a bituca, das sombras de um arvoredo três homens tentaram assaltá-lo. Azarados e cretinos, eles não sabiam que Danovaro, hoje nos 52 anos de idade, ainda é um especialista em Artes Marciais, o Judô, o Pugilismo, o Karatê, invicto em 112 lutas consecutivas. Durou menos de um round a aventura desafortunada. Pelo celular, Danovaro convocou uma ambulância da própria Cruz Vermelha para recolher os três e levá-los ao hospital.

Herói das Lutas Marciais
Herói das Lutas Marciais

Danovaro não se vangloriou do desfecho do insólito episódio: “Eu reagi instintivamente”, ele testemunhou à polícia, que solicitou o seu depoimento. “Fiquei aborrecidíssimo ao ver em que estado deixei os caras. Mas, foram eles os agressores. Espero que fiquem bem. Quando puder, até pretendo visitá-los”. De fato, à parte o profissionalismo nos ringues e nos octógonos, na vida pessoal escreveu uma história basicamente de benemerências. Em 1988, por exemplo, já convocado a defender o time de Judô da Itália nos Jogos Olímpicos de Seul, treinava nos Estados Unidos quando constatou que era comum o recurso ao doping nos ginásios e nos vestiários. Esqueceu Seul e se tornou um vigilante capaz de impedir a disseminação de produtos como os esteróides que cassariam a medalha de ouro do canadense Ben Johnson nos 100m do Atletismo dos Jogos. E embora fosse um estrangeiro na América, o presidente George Bush não hesitou em condecorá-lo pela sua postura nobre.


Danovaro, o sapateador
Danovaro, o sapateador

Natural de Milão, numa família apenas remediada mas dedicada aos esportes, depois de Seul optou por ganhar dinheiro em atividades mais exóticas. Somou títulos no Braço-de-Ferro, no MMA, inclusive marcou um recorde mundial que perdura até hoje: no chamado Supino, um estilo de levantamento de peso em que o atleta se estira, de costas, no chão, ele alçou o absurdo de 527,5kg. E, paralelamente, foi campeão máximo numa modalidade extrema do Karatê, o “Kyokunshinkai”. Não se pense, porém, que na vida de Danovaro tudo seja brutalidade. Ele também se dedicou ao cinema, como dublê de cenas perigosas, do huno Átila. E, frequentemente, visita orfanatos e clínicas para se exibir, inclusive, como um exímio sapateador.

Ele, com Sabrina Zuccalà
Ele, com Sabrina Zuccalà

Mais admirável ainda, com sua mulher Sabrina Zuccalá, agora cuida da 4ward360, uma empresa especializada em Nanotecnologia, uma ciência que se dedica ao estudo da manipulação da matéria em escala infinitésima, e que se utiliza nas áreas de computação, da eletrônica, da física, da medicina, da química. Danovaro deseja se destacar como um batalhador pela defesa do meio-ambiente. “E eu não vou abandonar o meu voluntariado”, ele assegura. “Permanecerei na minha batalha em favor dos doentes e, principalmente, das crianças. As crianças são o futuro”. Medo eventual de um novo assalto? Danovaro sorri, e replica, candidamente: “Já fui ameaçado até mesmo por narcotraficantes. Torço, todavia, para que ninguém mais tente uma tolice como a daqueles três coitados. Detesto a violência nas ruas. Apenas sei como me proteger. E quem protege a verdade não teme nada”.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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