Em jogos difíceis, Sassuolo e Inter vão às quartas da Coppa Italia
O time "neroverde" apenas venceu o frágil Cagliari por 1 X 0. E a "Biscione" precisou de uma proeza de Ranocchia nos acréscimos do tempo normal para ganhar do Empoli, por 3 X 2, na prorrogação.
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

Com os triunfos, muito prováveis mas abusadamente complicados, do Sassuolo sobre o Cagliari por 1 X 0 e da Inter sobre o Empoli por 3 X 2, nesta quarta-feira, dia 19 de Janeiro, se definiu mais uma das quartas de final da Coppa Italia de 2021/2022. Agora com os mandos pré-determinados na tabela de partidas, e não mais em função do ranking, se digladiarão, em datas a se determinarem entre 8 e 10 de Fevereiro, Juventus X Sassuolo em Turim, Fiorentina X Atalanta em Florença, Milan X Lazio em Milão, Lecce ou Roma X Internazionale em Lecce ou em Roma. Falta apenas o resultado de Roma X Lecce, que se enfrentarão, nesta quinta-feira, dia 20, no antológico Stadio Olìmpico da capital.
Eis como se desenvolveram as porfias desta quarta:

SASSUOLO 1 X 0 CAGLIARI
Sassuolo, MAPEI Stadium
Gol: Abdou Harroui
Os hospedeiros “neroverdi” abriram o placar aos 18’, um cruzamento do matogrossense Rogério, ex-Internacional de Porto Alegre, que o marroquino Harroui aproveitou de voleio, charmosamente. E dominaram as ações quase sem riscos. Somente aos 62 o Cagliari gelou os parcos “tifosi” que foram ao MAPEI. O uruguaio Nandez, impedido, na esquerda, entregou a Pavoletti que, igualmente de voleio, fulminou o atônito arqueiro Pegolo. O VAR, todavia, notificou o mediador Matteo Marchetti, que anulou o gol do 1 X 1.

INTER 3 (2/1) X 2 (2/0) EMPOLI
Milão, Stadio Giuseppe Meazza
Gols: Sánchez, Ranochia, Sensi X Bajrami, Radu/con
Um lance absolutamente inusitado, logo aos 2’ do prélio, assustou a tropa da “Biscione”, a serpente mitológica da Lombardia. Depois de um “contrasto” estranhíssimo com o zagueiro Simone Romagnoli, o avante platino Joaquín Correa, enfim escalado como titular por Simone Inzaghi, desandou a chorar de dor no bíceps femural da sua coxa esquerda. Durou nada a sua chance de mostrar serviço e Inzaghi necessitou trocá-lo pelo chileno Alexis Sánchez, um suplente de luxo na Inter. E foi exatamente Sánchez quem, aos 13’, registrou o tento que, aparentemente, ao menos, por alguns minutos amenizaria a tensão.

Num cruzamento do ótimo Dumfries, um ala neerlandês, versátil e eficiente, que a cada peleja prova o acerto da sua contratação, o chileno subiu muito mais do que toda a bequeira do Empoli e, de testa, remeteu a pelota ao cantinho da meta de Furlán. A Inter, então, relaxou. E o Empoli, numa temporada muito produtiva, passou a buscar o empate. Proteção na defesa, marcação cerrada no meio-campo, especulação na frente, enfim o elenco de Aurelio Andreazzoli obteve o que bem merecia aos 61’, um alçamento do albanês Asllani que o albanês Bajrami, que coincidência!, matou no peito e de canhota fez 1 X 1.

Sorte da Inter que, aos 74, o VAR cancelou um penal mal apontado pelo árbitro Jean Luca Sacchi num pelota que tocou em Dumfries, o braço colado em seu corpo. E azar da Inter que, aos 76, o VAR legitimou o segundo tento do Empoli, a cabeçada de Cutrone que o arqueiro Radu, com as costas, colocou nas próprias redes. Daí, dramáticos, os momentos derradeiros já pareciam conduzir à eliminação da campeã da Bota quando, aos 91, Dzeko cruzou e numa acrobacia estelar Ranocchia cravou os 2 X 2. E haveria a impensável prorrogação. Incrível a quantidade de tentos que a “Biscione” desperdiçou até que, aos 104’, Sensi, da meia-lua, saboreou uma bobagem de Romagnoli e decretou o resultado, 3 X 2.

Nascida em 1922, com o triunfo do Vado, um clube da Ligúria que, hoje, praticamente amador, se esconde na Série D, quarta divisão do Calcio, a Copa Itália, montada basicamente no esquema de mata-matas, se caracteriza por também abrigar clubes das repartições inferiores e de todas as regiões da nação. Em cem anos, porém, a disputa muitas vezes se interrompeu e apenas adquiriu constância em 1958. Sucesso, então, da Lazio de Roma. Na verdade, assim, esta é a sua edição 75. Naquela que o Vado venceu se inscreveram 38 agremiações. Em 2019/2020, quando a Juventus atingiu o topo do pódio, absorveu 78. A Covid-19, todavia, provocou um enxugamento radical. O Calcio precisou de espaço para a Eurocopa/2020, que a seleção de Roberto Mancini abiscoitou, e para as eliminatórias da Copa do Catar/2022. A seleção do “Mancio” brigará por uma vaga, entre 24 e 29 de Março, com a Macedônia do Norte e depois, possivelmente, com o difícil Portugal.

Consequência: inaugurada em 7 de Agosto de 2021, esta edição 75 principiou com todos os vinte clubes da Série A, todos os 20 da Série B e ainda os quatro melhores da Série C. Numa fase inicial, em 7 e 8 de Agosto os quatro times da Série C e os quatro de ranking mais baixo da B duelaram em jogo único. Da C, só o Catanzaro resistiu e acabou detonado, na etapa seguinte, pelo Verona da A. A A segunda fase, pelejas entre 13 e 16 de Agosto, ostentou os quatro sobreviventes, mais os 16 outros da B e mais 12 da Série A, de ranking de 9 até 20. Da B sobraram meros cinco: Benevento, Citadella, Lecce, Crotone e Ternana. A batalha recomeçou em Dezembro, de 12 a 16, quando os 16 clubes que restaram se digladiaram em oito jogos. Só o Lecce se qualificou às oitavas que agora se desenrolam, numa única partida, os oito vencedores contra os oito de ranking mais alto da A, sempre os mandantes.
Partidas realizadas anteriormente
Dia 12 de Janeiro:
ATALANTA 2 X 0 VENEZIA
Gols: Muriel, Mahele
Dia 13 de Janeiro:

NAPOLI 2 X 5 FIORENTINA
Gols: Mertens, Petagna X Vlahovic, Biraghi, Venuti, Piatek, Maleh
MILAN 3 X 1 GENOA
Gols: Giroud, Rafael Leão, Saelemaekers X Ostigard
Dia 18 de Janeiro:
LAZIO 1 (0-1) X 0 (0-0) UDINESE
Gol: Immobile
JUVENTUS 4 X 1 SAMPDORIA
Gols: Cuadrado, Rugani, Dybala, Morata/pen X Conti

Nas suas 35 porfias até esta data a Copa Itália 2021/2022 registrou 124 tentos, média de 3,54. Programadas para 8 e 10 de Fevereiro, as quartas de final exibirão: Atalanta X Fiorentina, Milan X Lazio, Juventus X Sassuolo/Cagliari, Roma/Lecce X Inter/Empoli. Só nas semis os desafios serão no formato de ida e volta, as datas ainda não estabelecidas. Daí, a final, quaisquer que sejam os adversários, ocorrerá no Olímpico de Roma. Com 14 títulos, a Juventus é a maior campeã. A Roma tem 9 lauréis. Inter e Lazio somam sete cada.

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