E o impossível se repetiu! Salve o Tottenham! E Viva Lucas Moura!
Depois de um primeiro tempo, como visitante, Ajax 2 X 0, o time de Maurício Pochettino e do brasileiro chega à sua primeira decisão de Champions League.
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

Até as 21h00 da Europa, nesta quarta-feira, 8 de Maio, diante da magia do Futebol havia dois destinos a assumir. Um deles, aliás, absolutamente inédito. Ou a Champions League do Velho Continente se decidiria, pela primeira vez, entre o Ajax da Holanda e o Liverpool da Inglaterra, ou exibiria a segunda final da sua História entre clubes da “Loira Albion” de Sua Majestade. Depois do duelo de 2007/08 entre o Manchester United e o Chelsea, um acumulado de 7 X 6, com 1 X 1 até a prorrogação e daí 6 X 5 nos penais, a inesperada batalha entre os “Reds” da Terra dos Beatles e o Tottenham de Londres.

No seu Johan Cruijff Stadium de Amsterdam, repleto por 52.641 espectadores, o Tottenham bateu o Ajax, 3 X 2, se qualificou à uma inédita finalíssima da CL e agora segue no encalço de um laurel que jamais conquistou. Azar dos “Filhos dos Deuses” que não venceram em suas plagas os seus quatro últimos jogos de CL. Lesionado, Harry Kane mais uma vez desfalcou o elenco de Mauricio Pochettino. E também Erik ten Hagen, do Ajax, ficou sem um atacante crucial, o contundido brasileiro David Neres. De todo modo, o mandante saiu à frente aos 5’, um escanteio causado por Lloris, uma espalmada, alívio do Tottenham depois de uma pressão impiedosa. Schoene bateu e o jovem capitão De Ligt, 19 anos e 269 dias, testou, 1 X 0, conseqüência de uma jogada ensaiada.

Puxado pelo coreano Heung-min Son, de retorno de uma suspensão, o time visitante não fraquejou e com igual tempo de posse de bola, estoicamente buscou a igualdade até os 35’ quando uma contra-ofensiva insinuante dos “Filhos dos Deuses”, bem à maneira do super-Ajax de Cruijff, Neeskens & Cia. na década de 70, decretou os 2 X 0. Tabela fenomenal De Jong-Tadic-Ziyech e o chute de Ziyech, sangue cigano, 26 de idade. Os “Spurs” precisariam de três gols nos 45’ restantes. Parecia consolidado o sucesso dos nederlandeses.

Mas não desistiram os pupilos de Pochettino. Voltaram dos vestiários com uma disposição exemplar. E em 240”, dos 55 aos 59’, graças ao seu brasileiro, Lucas Moura, um ex-São Paulo como David Neres, obtiveram os 2 X 2, em duas investidas hipnotizantes através do miolo da defesa perplexa do Ajax. O combate se escancarou. Subitamente, bafejavam os “Spurs” os ventos da fortuna. O Tottenham que, numa solitária experiência anterior de semis, em 1961/62, havia tombado diante do Benfica, 2 X 1 em casa e 1 X 3 fora. E que havia perpetrado, uma semana antes, um milagre contra o Manchester City.

Até mesmo um poste, aos 79’, impediu Ziyech de cravar os 3 X 2 que encerrariam a escalada do Tottenham. E os cinco minutos derradeiros se transformariam em tortura para a platéia nederlandesa. Aos 87, em duas ocasiões sucessivas, a tensíssima bequeira dos “Filhos dos Deuses” conteve os arremates de Vertonghen, um ex-Ajax, ironia, que ainda atirou uma pelota contra o travessão. Lloris, o arqueiro dos “Spurs”, abandonou a sua meta e se lançou à frente. E, como em Liverpool, na terça-feira, na quarta o impossível explodiu, uma confusão no interior da área do quase desmoronante dique de Amsterdam, Lucas Moura, 3 X 2, com a ajuda de um desvio em De Ligt.

Desfecho fantástico para esta edição 64 da competição, a 27ª desde 1991/92, na última temporada em que, outro formato, tinha outro nome, European Champions Cup. Iniciada em 26 do Junho, com 79 times das 55 afiliadas à UEFA, edição que já atravessou cinco eliminatórias, uma fase de grupos, as oitavas, as quartas e as semis, um total de 215 jogos, nos quais se registraram 574 gols, a média de 2,67. Dos grupos em diante, em 124 partidas aconteceram 364 tentos, média ótima de 2,94. Exatos 6.099.772 espectadores presenciaram as 124 partidas, média excelente de 49.192 por pugna.
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