E Messi praticamente conduz o seu Barça à decisão de mais uma CL
Num jogo empolgante, cujo placar de 3 X 0 puniu um ótimo Liverpool, o argentino segue célere em busca da taça e do prêmio de melhor do mundo
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

Desde que o brasileiro Kaká, então no Milan, ganhou o prêmio de Melhor Jogador do Mundo em 2007, apenas em 2018 os eleitores da FIFA não votaram no argentino Lionel Messi ou no lusitano Cristiano Ronaldo. Em 2018, porque ambos foram particularmente opacos na Copa da Rússia, o topo do pódio ficou com o croata Luka Modric, da seleção vice, atrás da França. No percurso, o Leo e o CR7 arrebataram cinco galardões cada qual. O platino, em 2009, 2010, 2011, 2012 e 2015. O português, em 2008, 2013, 2014, 2016 e 2017. Messi ainda foi vice em cinco temporadas. Cristiano, o segundo em oito.

Eliminada a sua Juventus na atual Champions League, e só o recente “scudetto” que ganhou na Itália a enriquecer o seu currículo, o CR7 apenas preservará as suas chances no caso de a seleção das “Cinco Quinas” conquistar, em Junho, o título da primeira Nations League da História do Futebol. Semifinalista da competição, inédita até aqui, a sua “equipa” precisará superar a Suíça e daí, na decisão, a vencedora de Holanda X Inglaterra. Não se trata de uma missão impossível. Portugal, afinal, sediará a decisão.

O Leo, no entanto, acaba de abiscoitar, por antecipação, com o Barcelona, o seu décimo título da Ibéria. E ainda lutará com a “Albiceleste” de sua pátria numa contenda internacional, a Copa América, que acontecerá no Brasil entre Junho e Julho. Não se trata de uma tarefa inviável, a Argentina resgatar uma taça que não levanta desde 1993. Sem dizer que, nesta quarta, 1º de Maio, Messi ampliou e bastante as suas possibilidades de reforçar o seu tesouro com um novo troféu na Champions, o de número 6. Eis como se desenrolou o prélio na capital da Catalunha, o Leo o seu protagonista magistral.
BARCELONA 3 X 0 LIVERPOOL
Camp Nou, Barcelona, 98.299 espectadores
(Suárez, Messi/2)
Jogo de volta em 7 de Maio
Anfield Road, Liverpool, 51.074 lugares

Graças ao seu sucesso nesta quarta, além de se aproximar da nona decisão em 23 participações na Champions, 5 títulos e 3 vices até aqui, o clube “Blaugrana” aumentou para 32 pelejas o seu recorde absoluto de invencibilidade dentro de casa em toda a história da contenda. E também elevou a 36 X 18 a sua contagem diante de britânicos em 75 porfias. Os “Reds” da Terra dos Beatles, agora em 38 duelos, meramente ganham de 14 a 13.

Evidentemente, conforme se previa, o Barça se propôs à pressão, o Liverpool ao contra-ataque. Mas, infelizmente, aos 24’, por azar exatamente num contra-ataque em velocidade, Naby Keita, o parceiro de Sadio Mané e Mo Salah no trio de frente dos “Reds”, sentiu uma fisgada de virilha e Juergen Klopp se obrigou a substituí-lo pelo mais lento Jordan Henderson. Pior, logo aos 26’, depois de uma triangulação belíssima com Jordi Alba e Philippe Coutinho, o ex-Liverpool Luís Suárez abriu o placar em favor dos hospedeiros. Ironia: o primeiro gol do polêmico astro do Uruguai nesta edição da CL.

Talvez um outro time, com um outro treinador, desistisse da pugna em tal situação. Não o elenco de Klopp, que se manteve inflamado e na busca do empate. Admirável. E mesmo depois do intervalo, quando Ernesto Valverde, o treinador “Blaugrana”, deveria ter reformulado o seu sistema, os “Reds” continuaram a batalhar, incessantemente - e o prélio se tornou dramático, empolgante, uma sucessão de pontadas cá e lá. Até que, aos 75’, o Leo se impulsionou através do miolo da retaguarda do Liverpool, entregou a Sergi Roberto que entregou a Suárez que bateu de joelho na bola que atingiu o travessão e voltou, claro, a Messi, que marchou imparável à meta, 2 X 0.

Golpe terrível para o time da Terra dos Beatles. Natural o seu arrefecimento. Então, aos 82, o Leo cobrou uma falta de 28 metros, milimetricamente, no ângulo destro do arco de Allison Becker. Absolutamente mágico, o seu tento de número 600 com a camisa do Barça. Absolutamente cruel o resultado para os “Reds”, que necessitarão atropelar os rapazes de Valverde por 4 X 0 em Anfield Road. Difícil? Sim. Todavia, não custa lembrar que, nas quartas da CL de 2017/18, o “Blaugrana” impôs 4 X 1 à Roma, no Camp Nou, e no entanto engoliu a surpresa dos 0 X 3 no Olímpico da capital da Bota e disse “adiós”.
O jogo do dia 30 de Abril
TOTTENHAM 0 X 1 AJAX
Tottenham Hotspur Stadium, 60.044 espectadores
(X Van de Beek)
Jogo de volta em 8 de Maio
Johan Cruijff Arena, Amsterdam, 54.990 lugares

Desfalcados dos seus dois artilheiros principais, o capitão Harry Kane, em recuperação de uma lesão no tornozelo esquerdo, e o sul-coreano Heung-min Sun, punido pelo terceiro cartão amarelo, único suspenso dos quatro times das semis, os “Spurs” de Mauricio Pochettino, atordoados pelo ótimo toque de bola e pela impressionante aplicação dos “Filhos dos Deuses” de Erik ten Hag, praticamente se limitaram aos chutes de longa distância e não ameaçaram a meta do camaronês Onana. O gol do triunfo nasceu aos 15’, de uma trama preciosa, de quatro passes, e a enfiada providencial de Ziyech a Van de Beek.

Foi o seu segundo combate de mata-matas da história do Ludopédio na Europa. O único anterior havia acontecido em 1981/82, quando lá se travavam três competições em paralelo. A principal, datada de 1955, a Champions Cup, só reunia os ganhadores dos certames nacionais, aqueles realizados em turno e returno, pontos corridos. A Recopa, datada de 1960, reunia os ganhadores das copas, também nacionais, mas que se disputavam basicamente em duelos eliminatórios. E a Copa UEFA, datada de 1971, reunia os clubes que, digamos, não cabiam nas duas mais importantes mas mereciam a Europa.

A briga Tottenham X Ajax de 1981/82 valeu pela Recopa e, logo na primeira rodada, por 3 X 0 em casa e 3 X 1 em viagem. os “Spurs” imediatamente superaram os “Filhos dos Deuses”. Contra times ingleses, agora, em 23 pelejas, o Ajax alcançou a igualdade, 8 X 8. Melhor, os “Filhos dos Deuses” ampliaram para nove a sua invencibilidade em pugnas como visitantes. E em seus domínios, dia 8, necessitarão de um simples empate para desembarcar na decisão desta edição de número 64 da CL, a 27ª desde a temporada de 1991/92, aquela última em que se denominava Champions Cup.

Iniciada em 26 do Junho, com 79 times das 55 afiliadas à UEFA, esta competição atravessou cinco eliminatórias, uma fase de grupos, as oitavas e as quartas, num total de 213 cotejos, nos quais se registraram 565 gols, a média de 2,65. A partir da fase de grupos, somadas as oitavas e as quartas, em 122 partidas houve 355 tentos e a média de 2,91. Exatos 5.931.676 espectadores viram as pugnas, 48.620 por jogo. Definidos os sobreviventes das semis, a decisão se desenrolará em uma só porfia, dia 1º de Junho, no belíssimo Wanda Metropolitano Stadium de Madrid.
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