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Dos 20 clubes do Brasileiro, 11 já trocaram seu treinador original

O campeonato agora chega à jornada 16 de um total de 38. E, curiosamente, no comando do líder Flamengo está o mais jovem dos técnicos em ação.

Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

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Marcelo Barbieri, o mais jovem, e o líder
Marcelo Barbieri, o mais jovem, e o líder

Realizadas praticamente quinze das suas 38 rodadas, o Campeonato Brasileiro de 2018 já produziu mudanças de treinador em 11 dos seus 20 clubes. Usei o advérbio de modo “praticamente” porque o Vasco da Gama ainda tem dois jogos atrasados. O Bahia, o Ceará e o Santos ainda necessitam resgatar uma peleja adiada. Trata-se, porém, de quase 40% do integral do certame. E, nesse período, exatos 55% dos times da Série A trocaram os seus comandantes. Eis, para quem me lê gravar e/ou imprimir, uma síntese do que ocorreu com cada um dos clubes desde o início do Brasileiro.

Adilson Batista, em plena preleção
Adilson Batista, em plena preleção

AMÉRICA-MG


14º Lugar – 15j e 17pg (5vit/2emp/8der – 17gp/23gc)

O paulistano Enderson Moreira, professor de Educação Física, 46 anos de idade, no "Coelho” desde 2016, durou até a 13ª jornada. Em seu posto assumiu o ultraexperiente Adílson Batista, 50, Adrianópolis/PR, ex-zagueiro que, em 2000, pelo Corinthians, chegou ao título do Mundial de Clubes da FIFA, e que se tornou treinador em 2001. Passou por Grêmio, Corinthians, Santos, São Paulo, Vasco, e estava, digamos, desempregado, desde 2015


ATLÉTICO-MG

3º Lugar – 15j e 26pg (8vit/2emp/5der – 28gp/22gc)


Permanece bem firme em seu cargo Thiago Larghi, de Paraíba do Sul/RJ, 37, cursos de treinador na CBF e na UEFA. Analista de Desempenho para a seleção de Tite. No “Galo” desde o início desta temporada de 2018.

ATLÉTICO-PR


19º Lugar – 14j e 10pg (2vit/4/emp/8der – 13gp/19gc)

O mineiro Fernando Diniz, 44, um ex-meiocampista, diplomado em Psicologia, treinador desde 2009, no “Furacão” desde 2018, aguentou até a 12ª jornada. Em seu posto assumiu Tiago Retzlaff Nunes, 38, gaúcho de Santa Maria, muito bem sucedido nas categorias de base e inclusive o campeão estadual de 2018 com um elenco de aspirantes, uma única derrota em 16 combates.

BAHIA

16º Lugar – 14j e 16pg (4vit/4emp/6der – 15gp/19gc)

O paulista Guto Ferreira, de Piracicaba, 52, professor de Educação Física, campeão estadual da temporada, ficou com o encargo até a 12ª jornada. Em seu lugar assumiu o recém demitido do América-MG, Enderson Moreira.

Marcos Paquetá, na sede do "Glorioso"
Marcos Paquetá, na sede do "Glorioso"

BOTAFOGO

10º Lugar – 15j e 20pg (5vit/5emp/5der – 17gp/18gc)

Uma proposta em petrodólares levou o mineiro Alberto Valentim, 43, no “Glorioso” desde o princípio do ano, ao quase desconhecido Pyramids do Egito. Assumiu o seu posto o carioca Marcos César Dias Castro, o Paquetá, de 59 de idade, desde 2004 em périplos através do Exterior, inclusive nações sem nenhuma tradição futebolística como a Líbia e a Índia.

CEARÁ

20º Lugar – 14j e 8pg (1vit/5emp/8der – 8gp/19gc)

Na 7ª jornada se foi o baiano Marcelo Chamusca, 51, que se mantinha no “Vovô” desde 2017. Assumiu a batuta o antigo lateral Jorge de Amorim Campos, mais conhecido como Jorginho, da seleção que ganhou a Copa dos EUA em 1994. Jorginho, no entanto, apenas sobreviveu até a 9ª jornada, quando cedeu o encargo ao gaúcho Luiz Carlos Cirne Lima de Lorenzi, o Lisca, de Porto Alegre, 45, já treinador desde 1990 e ex-Criciúma/SC.

CHAPECOENSE

17º Lugar – 15j e 16pg (3vit/7emp/5der – 15gp/21gc)

Apesar do desempenho irregular da equipe, a direção do “Condá” se mantém confiante em Gilson Kleina, de Curitiba/PR, 50, auxiliar de Abel Braga no Olympique de Marselha e treinador desde 2002. Passou por Ponte Preta, Palmeiras, Bahia, Coritiba, Goiás. Em Chapecó desde 2017. No “Verdão”, em 2013, campeão da Série B, recuperou a divisão de cima.

CORINTHIANS

8º Lugar – 15j e 22pg (6vit/4emp/5der – 17gp/12gc)

Ex-zagueiro, auxiliar, no “Timão”, de 2009 a 2016, sob Mano Menezes e Tite, treinador efetivo desde 2017, os títulos do Brasileiro/2017 e do Paulista em 2017/18, o paulistano Fábio Carille, 44 de idade, permaneceu por lá até a 7ª jornada e daí se transferiu ao Al Wehda da Arábia Saudita. Assumiu a sua posição o seu principal assistente, Osmar Loss Vieira, conhecido como apenas Osmar Loss, um gaúcho de Passo Fundo, 43. No “Mosqueteiro” desde 2013, em 2015 ele subiu à equipe sub-20 e, em 2017, depois da conquista da Copa São Paulo de Futebol Júnior, foi promovido à Comissão Técnica de Carille.

Mano Menezes, em plena celebração
Mano Menezes, em plena celebração

CRUZEIRO

6º Lugar – 15j e 24pg (7vit/3emp/5der – 13gp/11gc)

Solidíssima a situação de Mano Menezes, gaúcho de Passo do Sobrado, 55, um ex-zagueiro, treinador desde 2002, Caxias, Grêmio, Corinthians, seleção e Flamengo. Na “Raposa” desde 2016. Títulos: Copa do Brasil/2009 e Paulista/2009 com o Corinthians; Gaúcho/2006/2007 com o Grêmio; Copa do Brasil/2017 e Mineiro/2018 com o Cruzeiro. O mais duradouro dentre os 20.

FLAMENGO

1º Lugar – 15j e 31pg (9vit/4emp/2der – 24gp/9gc)

Embora o caçula da turma, Maurício Barbieri, paulista de Campinas, 36, lidera o Campeonato. Quando o torneio se inaugurou, em 14 de Abril, dificilmente se achavam boas fotos dele em ação. Professor de Educação Física, chegou a estagiar com José Mourinho, no Porto, em 2004. Então, passou por Red Bull, Audax. Desportivo Brasil. No “Urubu” desde 2018, ainda busca um laurel.

FLUMINENSE

9º Lugar – 15j e 21pg (6vit/3emp/6der – 18gp/19gc)

Impressionante, até a 13ª jornada e o intervalo da Copa da Rússia, o elenco de Abel Braga, carioca do Rio, 65, meramente amargava uma derrota. Daí, sofreu cinco em seguida e ele, zeloso, se demitiu. Ex-zagueiro, inclusive no PSG, treinador desde 1985, um título do Mundial da FIFA com o Internacional em 2006, no “Pó-de-Arroz” desde 2017, acabou substituído por Marcelo Oliveira. Um mineiro de Pedro Leopoldo, 64 de idade, ex-craque do Atlético Mineiro nas décadas de 70 e 80, Marcelo se tornou treinador em 2007 e, desde então, passou por Cruzeiro, Palmeiras, pelo “Galo” e pelo Coritiba.

GRÊMIO

4º Lugar – 15j e 26pg (7vit/5emp/3der – 15gp/7gc)

Inabalável a condição de Renato Portaluppi, o Gaúcho de Guaporé, 55. Ex-atacante, passou por Grêmio, Flamengo, Fluminense, Botafogo, Roma, seleção. Treinador desde 2000. Passou por Fluminense e Vasco. Então, de novo no Grêmio, desde 2016. Títulos: como jogador, Libertadores e Intercontinental/83; como treinador, a Libertadores/2017.

INTERNACIONAL

5º Lugar – 15j e 26pg (7vit/5emp/3der – 19gp/12gc)

Admirável o desempenho de Odair Hellmann, gaúcho de Salete, um ex-meia, 41de idade. Desde 2010 no Inter, várias vezes interino. Em 2018, enfim, efetivado no cargo, ganhou apoio até das alas mais rebeldes da torcida do “Colorado”, costumeiramente bem violentas. Títulos na carreira: como jogador, o Gaúcho/97; como auxiliar, o Gaúcho/2013/14/15/16.

Felipão, de volta ao "Verdão"
Felipão, de volta ao "Verdão"

PALMEIRAS

7º Lugar – 15j e 23pg (6vit/5emp/4der – 22gp/15gc)

Numa agremiação abalada pelas disputas políticas, Roger Machado, gaúcho de Porto Alegre/RS, 42, ex-zagueiro de 1994 a 2008, treinador desde 2015, ex-Grêmio e Vissel Kobe do Japão, no Atlético-MG em 2017, desembarcou sob fanfarras no “Verdão”, neste 2018, mas sucumbiu precisamente no meio da semana. Como o salvador da bandeira, a diretoria correu atrás de um velho ídolo dos seus torcedores, outro gaúcho, Luiz Felipe Scolari, de Passo Fundo, 69 de idade, ganhador da Copa do Japão e da Coréia do Sul em 2002. O Felipão já fulgurou no Parque Antarctica, de 1997 a 2000 e de 2010 a 2012.

PARANÁ CLUBE

18º Lugar – 15j e 13pg (3vit/4emp/8der – 8gp/19gc)

Como Gílson Kleina, na Chapecoense, também Rogério Micale, baiano de Salvador, 49, prevalece no seu posto apesar da lastimável performance dos seus pupilos. Um ex-goleiro, em 1992 montou uma escola de Futebol em Londrina e paulatinamente se tornou treinador, sempre nas categorias Sub-23 e Sub-20. Conquistou o ouro nos Jogos do Rio/2016 sem nunca ter dirigido qualquer clube profissional. Desde 2018 com o “Tricolor” de Curitiba.

SANTOS

15º Lugar – 14j e 16pg (4vit/4/emp/6der – 16gp/18gc)

O penúltimo a cair, horas antes de Roger Machado no “Verdão”, o carioca Jair Ventura Filho, 39, ex-atacante, jamais sequer se aproximou do nível do pai, o Jairzinho do México/70. De 2006 a 2009 o assistente de preparador físico do Botafogo, Ney Franco o tornou seu auxiliar de treinador. Efetivado em 2016. Desde o início de 2018 no “Peixe”, acabou substituído por Sérgio Bernardino, um paulistano de 64 de idade, mais conhecido por Chulapa, grande artilheiro nos seus tempos de São Paulo, de 70 a 80, várias vezes interino no Santos.

SÃO PAULO

2º Lugar – 15j e 29pg (8vit/5emp/2der – 23gp/14gc)

Cotado para comandar a “Celeste” da sua pátria, Diego Aguirre, uruguaio de Montevidéu, 52 de idade, o único estrangeiro na turma, já anunciou que permanecerá no “Tricolor Paulista” até o final do certame. Ex-atacante, um craque no Peñarol, discretamente passou, aqui no Brasil, por Internacional, São Paulo e Portuguesa de Desportos. Treinador desde 2003, orientou o Inter, o Atlético-MG e se celebrizou no San Lorenzo de Almagro, Argentina. Título como jogador: a Libertadores/87 pelo Penãrol.

Claudinei Oliveira, no posto do decano Nelsinho Baptista
Claudinei Oliveira, no posto do decano Nelsinho Baptista

SPORT RECIFE

12º Lugar – 15j e 19pg (5vit/4emp/6der – 16gp/19gc)

Até a jornada de número 3 do certame, ostentava em seu banco o decano da turma, o paulista Nelsinho Baptista, de Campinas, 67 de idade. O treinador, porém, brigou com um par de cartolas do “Leão da Ilha” e, numa inesperada entrevista coletiva, em que não poupou impropérios, se desligou. Assumiu o ex-arqueiro Claudinei Oliveira, um paulista de Santos, 48, ex-Avaí/SC.

VASCO DA GAMA

11º Lugar – 13j e 19pg (5vit/4emp/4der – 19gp/19gc)

No caso de proporcionarem dois triunfos, dois prélios de atraso significam 6 pontos,. Tradução: não parece tão ruim a situação do “Almirante”, que subiria de um salto ao 6º Lugar. Ainda assim, as confusões costumeiras da sua cartolagem levaram à queda de Zé Ricardo, carioca de 47, o seu treinador até a 9ª jornada. Assumiu então o eterno interino Valdir Bigode e, desde a 11ª, supervisiona o elenco o antigo ídolo Jorginho, também carioca, 53, por apenas quinze dias no Ceará, com 3 cotejos e 3 insucessos.

VITÓRIA

13º Lugar – 15j e 18pg (5vit/3emp/7der – 19gp/27gc)

Na ordem alfabética dos clubes, o último dos nove que ainda se garantem. Vágner Mancini, Ribeirão Preto/SP, 51 de idade, um antigo volante, 13 clubes como jogador. Treinador desde 2004, passou por 14 clubes, inclusive o Al Nasr, de 2005 a 2007, nos Emirados. No comando do “Leão da Barra” desde 2017. Títulos: como jogador, no Grêmio, a Libertadores/95; como treinador, a inédita Copa do Brasil do Paulista de Jundiaí, em 2005.

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