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Depois de quatro jogos pela Copa do Brasil, o primeiro balanço do VAR

Torcedores reclamam de atraso numa partida. Não pensam nas outras causas da perda de tempo e não pensam que o VAR pode salvar um árbitro.

Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

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Daronco e o lance da punição dupla em Bahia X Palmeiras
Daronco e o lance da punição dupla em Bahia X Palmeiras

Impressiona a polarização que o uso do VAR, desde a recente Copa da Rússia, produziu na meia-dúzia de piedosos que se submetem a ler os meus textos. Não existem posições de meio termo. Ou são contrárias ou são contrárias. E pelos argumentos mais diversos e inclusive mais disparatados.

Wílton Pereira Sampaio
Wílton Pereira Sampaio

Houve quem reclamasse que, logo na estreia do recurso, na quarta dia 1º de Agosto, o árbitro Wílton Pereira Sampaio, de Goiás, tenha interrompido por 27 segundos o prélio entre o Santos e o Cruzeiro “apenas” para verificar se houve um tranco de Dedé em Gabigol e daí decidir que não acontecera nada.


Wagner dos Santos Magalhães
Wagner dos Santos Magalhães ANAF

Houve quem considerasse inútil que o carioca Wagner dos Santos Magalhães tenha interrompido por 54 segundos o jogo entre o Corinthians e a Chapecoense “apenas” para verificar se houve um toque de mão, talvez de Romero, num entrevero confuso na área do “Timão”, depois de um cruzamento, e daí, igualmente, absurdo!, decidir que não acontecera nada.

Rafael Claus
Rafael Claus FolhaPress

Houve quem se enfurecesse porque, em Grêmio X Flamengo, nem o paulista Rafael Claus, no campo, e nem o paranaense Rafael Traci, na cabine do VAR, tenha visto um pênalti talvez de Geromel em não se sabe quem, quando, no máximo, ocorreu uma situação meio obscura e ao contrário, um esbarrão em Kannemann, ignorado até por quem transmitiu ao vivo pela televisão.


Falou-se que o VAR interrompe e atrasa o jogo. Mas esse, que me perdoem os piedosos e também os desafetos, é um raciocínio sofrível. Além da clássica cera, mais interrompe e atrasa um prélio a quantidade irritante de demoras na reposição da pelota, nos protestos a cada infração, a cada formação de barreira, a cada substituição etcetera e tal. As estatísticas atestaram que, na Copa, o cai-cai de Neymar, sim, desperdiçou muito mais tempo.

Neymar, Brasil 1 X 1 Suíça
Neymar, Brasil 1 X 1 Suíça

E a polêmica se instalou de vez na Fonte Nova, nesta quinta-feira, noite de 2 de Agosto, quando o gaúcho Anderson Daronco apitou um penal de Gregore, do Bahia, em Artur, do Palmeiras. Corretíssimo na sua marcação o mediador. Que, no entanto, em seguida desrespeitou uma determinação da FIFA e puniu duplamente o clube de Salvador: além do penal, o cartão vermelho ao seu atleta. Recentemente se tornou explícito que não mais existe, como antes, uma obrigação de excluir da pugna quem comete uma infração fatal.


Vuaden, num dos treinamentos do VAR
Vuaden, num dos treinamentos do VAR

Daronco acertou e imediatamente, também, se equivocou. Felizmente, da cabine do VAR, o seu conterrâneo Leandro Vuaden o advertiu. Protocolares a conferência, o exame e o reexame de imagens na lateral do gramado até que Daronco aceitasse que cometera uma tolice. Quase cinco minutos. E daí? Não foi o VAR que interrompeu e atrasou o jogo. Único responsável: o árbitro de campo, ele, Daronco. A quem o VAR, convenhamos, salvou.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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