Depois de 50' de apagão, justiça e empate, Santos 1 X 1 Corinthians
Um jogo bonito mas maculado pelo sucateamento do estádio e pela briga de vândalos longe, e muito longe, das arquibancadas com torcida única
Silvio Lancellotti|Sílvio Lancellotti

Aconteceu de tudo antes e durante o duelo entre o Santos e o Corinthians, programado para a tarde deste domingo, 4 de Março, com torcida única, a do Peixe mandante, no venerável Pacaembu. Guerra de vândalos dos dois clubes. Uma vítima fatal. Outro apagão no estádio. E, no fim das contas, sobrou um belo jogo, de placar adequado, 1 X 1.

Pena que não haja mesmo limites para a insanidade. E, no caso do prélio, a insanidade se manifestou algumas horas antes de o futebol ocupar o seu justo lugar no coração e na mente do admirador. Obviamente através das infames tocaias armadas nas supostas “Redes Sociais”, ostrogodos do Corinthians se informaram que visigodos do Santos participariam de uma churrascada em Itaquaquecetuba, a cerca de quarenta quilômetros de São Paulo. Prepararam uma emboscada, numa avenida do lugar. Motos e carros depredados e até incendiados, ao menos um morto, fã do “Mosqueteiro”, e 21 detidos pela PM, todos do “Peixe”.

Convenhamos, de que vale impedir a sociabilização de dois clãs de esportistas, digamos, legítimos, num estádio, se os imbecis de plantão sempre encontram uma porta de saída para a sua necessidade de violência? Pena. Acabou infelizmente maculada a antologia do desafio de número 329 do mais antigo dos clássicos do Estado, o único entre times de mesmas cores, alvinegros, em todo o planeta.

Dentro de campo, felizmente, à parte as tensões naturais, a pugna transcorreu sem qualquer ameaça de pancadaria. Foi, aliás, o primeiro confronto entre Jair Ventura Filho, 39, o treinador do Santos, e o Corinthians. Do outro lado, Fabio Carille, 44, o seu adversário já com 11 clássicos no cartel, 9 triunfos, 3 empates e um único tombo, procurava exatamente se resgatar da queda solitária anotada em 10 de Setembro de 2017, Santos 2 X 0 na Vila Belmiro.
Definiram-se depressa as estratégias de ambas as equipes. O “Peixe” de Jair na pressão e basicamente no alçamento de bolas sobre a insegurança do miolo de zaga composto por Henrique e Balbuena. O “Mosqueteiro” de Carille na velocidade através dos flancos e no desfrute das inúmeras saídas de bola equivocadas da bequeira do Santos. Pois o placar se abriu num lance inesperadíssimo, aos 24’, lindo tiro de Renê Junior, 30m, que resvalou na cabeça de Léo Citadini e se aninhou no ângulo direito de Vanderlei.

Um problema renitente no Pacaembu, porém, o absurdo sucateamento das suas instalações, interrompeu a partida aos 67’. Pela quarta vez desde Janeiro, falta de energia. E dizer que, por causa da precariedade da fiação do estádio, lá se usam geradores. Quando um sucumbe, todavia, os outros, mais três, logo se solidarizam – e pifam, também. Patético: nem mesmo a bandeira da cidade de São Paulo, que drapeja num mastro, rasgada, a Prefeitura substituiu. E porque se enganchou em pontas de ferro na marquise, um enorme pavilhão do Santos, triste, se esgarçou.

Cinquenta minutos e incontáveis gambiarras depois, os refletores se reacenderam e a redonda voltou a rolar. E, numa situação boboca e sem perigo, Romero escorregou na lateral, debaixo do banco de reservas do “Peixe”. Os integrantes do pelotão de arbitragem não viram mas as câmeras de TV flagraram um pontapé desferido por um dos suplentes de Jair na coxa direita do paraguaio. Sinto observar: foi, contudo, uma atitude de malfeitor.

Estupidez porque, àquela altura, o Santos já merecia a igualdade. Que ocorreria aos 87’, uma rebatida primária de Cássio que o recém-entrado Diogo Vítor desfrutou, 1 X 1. Curiosidade: o primeiro empate do “Peixe” com o “Mosqueteiro” em onze porfias, desde 5 de Abril de 2015, outro resultado de 1 X 1 pelo certame do Estado.
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