Depois da decepção no Rio 2016, a Natação do Brasil enfim se renova
No Troféu Maria Lenk, no Rio, boas promessas para o futuro: até a sexta-feira ao menos três tempos entre os melhores desta temporada de 2018.
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

Com um número recordista de 33 atletas, 22 rapazes e 11 garotas, a Natação do Brasil mergulhou nos Jogos do Rio, em 2016, na expectativa auspiciosa de ampliar o seu tesouro de 13 medalhas na história do evento. Já havia arrebatado 1 de ouro (César Cielo em Pequim/2008), 4 de prata (Ricardo Prado em Los Angeles/84, as duas de Gustavo Borges em Barcelona/92, Thiago Pereira em Londres/2012), 8 de bronze (Tetsuo Okamoto em Helqinque/52, Manoel dos Santos Júnior em Roma/60, o Revezamento 4 X 200 Livre em Moscou/80), Gustavo e Fernando Scherer em Atlanta/96, o Revezamento 4 X 100 Livre em Sydney/2000, Cielo em Pequim/2008 e em Londres/2012). Porém, sairia pateticamente da Cidade Maravilhosa, apenas o bronze de Poliana Okimoto nos 10km da Maratona Aquática para as mulheres.


À decepção se sucederam o corte do volumoso patrocínio da Caixa Federal e o brutal escândalo de desvio de verbas e outros penduricalhos que redundou, inclusive, na prisão pela PF, durante a “Operação Águas Claras”, em 2017, de Coaracy Nunes, na presidência da CBDA desde 1988, e também de Sérgio Ribeiro, o seu Diretor Financeiro, e de Ricardo Cabral, Coordenador de Pólo Aquático. Pior, até mesmo a FINA, a organização que regula a modalidade no planeta, precisou interferir. Exigiu uma renovação imediata nos estatutos da CBDA, mas uma confusão monumental, com liminar atrás de liminar na Justiça do País, se estendeu a Fevereiro, quando, enfim, Miguel Cagnoni, opositor de Coaracy, pôde assumir de fato a presidência. Tudo isso longe das piscinas.

Pairou no ar, evidentemente, uma dúvida crucial: de que maneira essa balbúrdia afetaria os praticantes que muitas vezes saltam das suas camas ainda na madrugada e seguem direto no rumo das águas em sessões insanas e superfatigantes de treinamentos? Pelos resultados do Troféu Maria Lenk, que se realiza no Rio e que selecionará os convocados ao Pan-Pacific de Tóquio (23 a 27 de Agosto) e aos Jogos Olímpicos da Juventude de Buenos Aires (6 a 18 de Outubro), não houve a menor interferência. Felizmente. Algumas marcas excelentes e um batalhão de promessas sugerem que, não somente nas competições mais próximas, o País pode sonhar com resultados honrosíssimos. As esperanças parecem ótimas até para Tóquio/2000.

O Maria Lenk ainda se estenderá até este sábado, dia 21 de Abril. Claro, provavelmente com performances dignas de registro. Retornarei ao tema. De todo modo, hoje, aqui desejo consignar particularmente dois nomes. Anote, por favor: Pedro Spajari e Gabriel Silva Santos, ambos do E. C. Pinheiros de São Paulo, que cravaram 47”95 e 47”98, respectivamente, numa eliminatória e na finalíssima dos 100m Livre. Trata-se, brilhante!, da segunda e da terceira marcas do mundo na temporada. Os Jogos de Tóquio, é claro, ainda estão bem distantes. Porém, com a adição de Marco Antonio Ferreira (Minas T. C., 48”01) e de Marcelo Cherighini (Pinheiros, 48”48), a Natação do Brasil já dispõe de um revezamento capaz de subir ao pódio no Pan-Pacific.

PS: Nos 50m Borboleta, com 22”97, Nicholas Santos, da Unisanta, de Santos, igualmente estabeleceu um belo primado, o segundo índice do universo na temporada. A prova, todavia, não faz parte do Pan-Pacific. Além disso, aos 38, ele superou em duas décadas a idade dos Jogos da Juventude.
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