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Copa Davis, Brasil X Colômbia, e o 2 X 0 que se transformou em 1 X 1

Depois de Thiago Monteiro despachar o experiente Santiago Giraldo por 2 X 0, Guilherme Clézar saiu à frente do garoto Daniel Galán e se entregou, 1 X 2

Silvio Lancellotti|Sílvio Lancellotti

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A delegação do Brasil: de terno, o presidente Rafael Westrupp
A delegação do Brasil: de terno, o presidente Rafael Westrupp

Em 4 de Março de 2017, quando assumiu a presidência da CBT, a Confederação Brasileira de Tênis, o ainda bem jovem catarinense Rafael Westrupp, 36 de idade, quase nada na tradição de uma cartolagem vetusta, obviamente conhecia as dimensões da caverna em que se enfurnava. Fora um dos vices de Jorge Lacerda (no trono de 2004 a 2016), afastado do poder na esteira de um escândalo de desvio de dinheiro público, por sua vez o sucessor de um quase ditador, Nelson Nastás (de 1994 a 2004), a quem inclusive superastros laureados como Gustavo Kuerten e Fernando Meligeni consideravam, para dizer o menos, um irresponsável absoluto.

Um administrador de empresas, também um professor de Educação Física, e um tenista com quem Guga adorava treinar, de fato Westrupp assumiu um espólio tristemente depauperado. Depressa deparou com uma decisão áspera dos Correios, que diminuíram o seu patrocínio de R$ 9mi para somente R$ 2mi. Imediatamente concluiu que seria impossível bancar a manutenção do Centro Olímpico de Tênis, uma herança dos Jogos do Rio/2016, calculada em R$ 10mi, pois não lhe sobraria uma graninha sequer para o café de coador. Além disso, o seu esporte atravessava a mais dramática transição de gerações desde os tempos de Thomaz Koch & Edson Mandarino na década de 70.


Rafael Westrupp
Rafael Westrupp

Neste milênio, na Copa Davis, o campeonato masculino de seleções na modalidade das raquetes e das bolinhas amarelas, o esquadrão do Brasil meramente brilhou numa única ocasião, em 2000, quando Guga e Meligeni só caíram na fase das semifinais, diante da Austrália, e numa quadra de grama. Depois, em 17 disputas, apenas em cinco vezes ocupou a nobre zona da Primeira Divisão, abrigo das 16 melhores equipes do planeta. Pior, além das suas onze temporadas de sofrimento na Série B, em 2005 ainda perambulou no Grupo II das Américas, espécie de Terceira Divisão.

O Parque de Raquetas
O Parque de Raquetas

O confronto que se iniciou nesta sexta-feira, 6 de Março de 2018, vale uma vaga no chamado Grupo Mundial, o da turma de cima, a tal Primeira Divisão. Aconteceu no belíssimo Parque de Raquetas de Barranquilla, Colômbia, inaugurado na mesma época da posse de Westrupp. Pela história do desafio, Brasil 8 X 0, um favoritismo integral do elenco capitaneado por João Zwetsch. Só que haveria, teoricamente, três sérios desfalques nesse elenco. Thomaz Bellucci, que já foi o número 1 do País e um dos Top 40 do planeta. Rogério Dutra Silva, o Rogerinho, que desbancou Bellucci da liderança. E Bruno Soares, seguramente um dos melhores duplistas em ação na atualidade.


A ausência de Bellucci, sinceramente, não me incomoda, tal é a sua irregularidade, tão grande é a sua inconstância. Rogério, desprezado por Zwetsch no duelo com o Japão, em 2017, dificilmente se integraria, livre de amargores, aos colegas que se omitiram e até se locupletaram da sua não convocação. E Bruno se justificou, honestamente: já completou os 36 de idade e optou por permanecer junto da esposa Bruna, que atravessa uma gravidez atribulada. Além disso, na verdade, ranking por ranking, depois de 20/30, convenhamos, as diferenças de qualidade são insignificantes.

Thiago Monteiro, numa devolução de voleio
Thiago Monteiro, numa devolução de voleio

Detalhe: com um novo regulamento, Grupo Mundial à parte, a Copa Davis não mais exige jogos em melhor-de-cinco sets. Uma circunstância que, sempre teoricamente, deve beneficiar os atletas menos experientes e menos viajados. Pois no cotejo inicial Thiago Monteiro (#125) ignorou Santiago Giraldo (#290). Trata-se de uma classificação ilusória, a de Giraldo, que já frequentou os Top 30 e se lesionou em Setembro de 2017, daí a sua despencada abrupta. Thiago, todavia, se portou impecavelmente e mesmo contra uma torcida pequenina, até educada mas barulhentíssima, realizou 2 X 0 (6-1 e 6-2).


Caberia então a Guilherme Clézar (#234) se debater com Daniel Galán (#257). Apesar da pouca folga no ranking se acreditava num sucesso sossegado de Clézar, quatro anos mais velho do que o praticamente juvenil Galán, 21. Pois Clézar atropelou o seu adversário no set inicial, 6-3. O comandado de Zwetsch, porém, costuma agir de forma primitiva e atabalhoada. No Japão, escalado como titular ao invés do repudiado Rogério, num lance, digamos, duvidoso, teve o desplante de ironizar um juiz de linha ao imitá-lo num gesto grosseiro, desrespeitosérrimo, de puxar os olhos com os dedos.

Clézar e o seu protesto infame, no Japão
Clézar e o seu protesto infame, no Japão

Clézar escancarou o placar, 6-3. Então, numa trajetória lastimável em que foi do pedantismo ao desânimo, sucumbiu à garra do garoto Galán, que lhe sapecou 6-2 e 6-1. Resultado igual, Colômbia 1 X 1 Brasil. Neste sábado, dia 7, ocorrem as pugnas restantes. Antes, as duplas, o Brasil de Marcelo Melo e Marcelo Demoliner versus a Colômbia de Robert Farah e Juán Sebastián Cabral. Muito importante: Farah e Cabral vêm de um vice no Australian Open e, com toda a certeza, transformarão a peleja numa batalha. Fatais, daí, serão os embates Clezar X Giraldo e Thiago X Galás. Prognóstico? Impossível.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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