Carille experimenta, experimenta, mas o Timão soma os três pontos
Placar de 2 X 1, de virada, sobre a Ferroviária, no Pacaembu
Silvio Lancellotti|Sílvio Lancellotti

Pelo comportamento que, de certa maneira, Fábio Carille padronizou, desde o princípio deste ano de 2018, se pode afirmar que o treinador do Corinthians efetivamente já decidiu priorizar a Copa Libertadores de América. Carille jamais emitiu uma vírgula mínima a respeito do assunto. E, provavelmente, deva desmentir a minha consideração. Os fatos, no entanto, conduzem à inevitável conclusão que abre este parágrafo.
Carille desprezou solenemente a Florida Cup dos Estados Unidos, com que o “Mosqueteiro” iniciou a temporada. Tanto que entregou dois combates absolutamente ganhos contra o Feyenoord da Holanda e o Glasgow Rangers da Escócia ao substituir todos os seus titulares no intervalo. Também não parece preocupado em conquistar o seu bi no Campeonato Paulista e multiplicar o prazer de quem, em 2017, não passava de um interino da “Quarta Força”. Para o prélio desta quarta-feira, 24 de Janeiro, diante da Ferroviária de Araraquara, no clássico Estádio do Pacaembu, levou ao gramado uma escalação integralmente modificada.

Por exemplo, esqueceu o seu simpático mas atabalhoado atacante Colin Kazin e o trocou pelo recém-contratado Junior Dutra, autor de um tento na primeiríssima pelota em que tocou no cotejo do domingo, 4 X 0 sobre o São Caetano. Colocou em campo o artilheiro Lucca, de volta de um empréstimo à Ponte Preta. Concedeu mais uma chance ao irregular Marquinhos Gabriel. E, surpresa maior, promoveu a estreia do meia Mateus Vital que, no seu Vasco de origem, ganhou duas comparações nobres, Philippe Coutinho e o sérvio Dejan Petkovic, radicado cá no País..
Num grupo complicado, que inclui o Independiente da Argentina, o Millionários da Colômbia e o Deportivo Lara da Venezuela, o “Timão” apenas faz a sua estreia em 28 de Fevereiro, no El Campín de Bogotá. Carille, de todo modo, optou por não economizar nos testes prévios. E a Ferroviária, que apenas empatou as suas duas pelejas do Paulistão até aqui, prometia ser um rival conveniente. O seu componente mais famoso, afinal, curiosamente é o chefe da sua comissão técnica, P. C. de Oliveira, também o treinador da seleção brasileira de Futsal, ganhadora da medalha de ouro na Copa do Mundo do longínquo ano de 2008.

Impacto: coube à Ferroviária registrar 1 X 0 logo aos 18’, Leo Castro de cabeça, no meio da zaga do alvinegro, uma deficiência crônica que Carille precisa corrigir, já. Pior, sem as habilidades de Jadson e de Rodriguinho na sua armação o “Mosqueteiro” se desconjuntou. Mateus, por exemplo, não foi Pet, não foi Coutinho e muito menos foi vital. Dois veteranos, Fagner no alçamento e Balbuena na testada, aos 48’ se congregaram na criação do empate. E, aos 65’, o treinador recorreu a Jadson, que repousava no banco de reservas, e substituiu, inesperadamente, o volante Gabriel.
Ficou ostensivo que Carille busca um sistema alternativo para o seu bem sucedido 4-1-4-1. Até agora, porém, não encontrou. Além de Mateus Vital, também Lucca gastou uma oportunidade de se consolidar. Daí, a partir dos 80’, o treinador se limitou a galopar atrás dos três pontos pela vitória. E o triunfo aconteceu aos 83’, num lance isolado de um outro reentrado, Clayson, no lugar de Marquinhos Gabriel, 2 X 1. No próximo sábado, o São Paulo.

PS.: Conforme antecipei em meu texto aqui do R7, em 14 de Janeiro, a FIVB, entidade que regula o Voleibol no planeta, debateu hoje o chamado “Caso Tiffany”, sobre as condições exigíveis de um transgênero, ex-masculino, disputar um certame de mulheres. Pois a FIVB, à moda de Pilatos, lavou as mãos e colocou o gorila no colo das suas afiliadas (que cada qual adote a sua posição) e do COI, Comitê Olímpico Internacional, que promete uma discussão para depois do próximo 25 de Fevereiro.
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