Até quarta, dia 13, a Champions define os seus oito sobreviventes
Eliminados o Real e o PSG, os últimos quatro jogos dos mata-matas das oitavas-de-final definem o futuro de times como Liverpool e Juventus
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

Difícil de acreditar que o jovem elenco de Erik ten Hag, o treinador do Ajax de Amsterdam, Holanda, despachou o Real Madrid, 13 vezes o campeão da Europa, dono da taça, consecutivamente, desde 2016. Um elenco cuja folha de pagamento para todos os seus 25 "Filhos dos Deuses", equivalente a R$ 115 milhões. corresponde aos rendimentos apenas do galês Gareth Bale, um dos astros dos “Merengues” da Espanha. Difícil e todavia aconteceu, na edição 64 da Champions League, a 27ª, desde que recebeu esse batismo em 1992/93.

Além do Ajax, sobreviveram na CL o Porto de Portugal, o Tottenham e o Manchester United da Inglaterra. Agora, nesta terça e nesta quarta, dias 12 e 13 de Março, ocorre a última leva dos confrontos de retorno das oitavas-de-final da competição. Daí, definidos todos os classificados, em 15 de Março, na sua matriz de Nyon, na Suíça, a UEFA promoverá o sorteio das quartas-de-final, assim como o chaveamento das pugnas das semifinais.

Antes, a CL se chamava European Cup e apenas incluía o detentor da taça e os ganhadores dos certames nacionais dos então 31 países da UEFA. Paulatinamente o continente se fragmentou e a associação, claro, se obrigou a multiplicar a quantidade de times participantes. Inaugurada em 26 de Junho, com 79 equipes das hoje 55 nações afiliadas, esta CL se desdobrou em cinco eliminatórias e uma etapa com oito grupos de quatro agremiações, cujos remanescentes, ou 16 clubes, presentemente se digladiam nas oitavas.

Num total de 199 prélios, até aqui houve 518 tentos, a média de 2,60. A partir dos grupos, já com o creme-do-creme em ação, em 108 pelejas houve 307 gols e a média melhor de 2,84. Exatas 5.102.874 pessoas presenciaram os 108 combates, média de 47.249 por pugna. De 9 a 17 de Abril acontecerão as quartas-de-final. De 30 de Abril a 8 de Maio, as semis. E a decisão, como de hábito na CL, ocorrerá numa única partida, em local pré-escolhido. Data e local, 1º de Junho, desta vez no Estádio Wanda Metropolitano de Madrid.
Eis os cotejos do dia 12:

JUVENTUS X ATLÉTICO DE MADRID
Allianz Stadium, 41.507 lugares
Na ida, Atlético de Madrid 2 X 0 Juventus
Wanda Metropolitano, 67.193 espectadores
(Giménez, Godin)
Apesar da sua folga estrepitosa de 18 pontos na tabela do Calcio, a “Senhora” amarga uma sucessão de partidas em que se demonstrou insegura e precária na retaguarda, precisamente onde residiu a sua força maior em todos os seus anos de busca do octocampeonato. Falhas que lhe custaram a derrota, com dois tentos entre os 78’ e os 83’, diante dos “Colchoneros”, na "andata" na Espanha. No "ritorno", não poderá cometer um errinho sequer.

MANCHESTER CITY X SCHALKE
Etihad Stadium, 53.000 lugares
Na ida, Schalke 2 X 3 Manchester City
Veltins-Arena, Gelsenkirchen, 54.740 espectadores
(Bentaleb/2/2pen X Aguero, Sané, Sterling)
Empacados, nas oitavas, em suas três aparições recentes, os “Citizens” tranquilamente podem, agora, romper essa escrita incômoda. Desafortunados os “Mineiros” que, até os 85’, ganhavam por 2 X 1- e os seus hóspedes com um atleta menos, expulso o beque Otamendi. Talvez atrapalhem Pep Guardiola as ausências do argentino e do brasileiro Fernandinho, também suspenso. Os “Citizens”, todavia, até podem tombar por 2 X 1. Bastante improvável.
Eis os cotejos do dia 13:

BARCELONA X OLYMPIQUE LYONNAIS
Camp Nou, 99.354 lugares
Na ida, Olympique Lyonnais 0 X 0 Barcelona
Parc Olympique Lyonnais, 57.889 espectadores
O time “Blaugrana” jamais perdeu do “Leão” em torneios da Europa: em 7 jogos, 4 triunfos e 3 empates. Bastante improvável que Bruno Genésio supere Ernesto Valverde e quebre tal tabu em plena Catalunha, num caldeirão que obviamente, como sempre, estará repleto em todos os seus andares.

BAYERN X LIVERPOOL
Allianz Arena, 70.000 lugares
Na ida, Liverpool 0 X 0 Bayern
Anfield Road, 52.250 espectadores
Mesmo sem o zagueiro Kimmich e o atacante Thomas Mueller, punidos pelo excesso de advertências, na sua Bavária os “Roten” de Niko Kovac devem atingir as quartas pela oitava temporada consecutiva. Juergen Klopp, o treinador dos “Reds”, dirigiu o Borussia Dortmund, um super-rival do Bayern, de 2008 até 2015, e não montou um currículo feliz: em 30 pelejas, ganhou só 9 e fracassou em 16. No Allianz, em 15 porfias, perdeu 9 e ganhou apenas 4.
Eis como os já classificados alcançaram as quartas:

TOTTENHAM
No Wembley Stadium, Londres, 71.214 espectadores
Tottenham 3 X 0 Borussia Dortmund
(Son Heung-min, Verthongen, Llorente)
No Westfalenstadion, 66.099 espectadores
Borussia 0 X 1 Tottenham
(Harry Kane)
O capitão Harry Kane, que já registrou quatro tentos em quatro partidas diante da “Muralha Amarela”, e aquela alaranjada do uniforme do arqueiro Lloris, asseguraram os “Spurs” nas quartas pela primeira vez desde 2011.

AJAX
Na Johan Cruijff Arena, 52.286 espectadores
Ajax 1 X 2 Real Madrid
(Ziyech X Benzema, Asensio)
No Santiago Bernabéu, 77.013 espectadores
Real Madrid 1 X 4 Ajax
(Asensio X Ziyech, David Neres, Tadic, Schone)
E dizer que os portentosos “Merengues” ostentavam sete vitórias nos seus últimos sete prélios diante dos “Filhos dos Deuses”. Padeceram, no seu estádio sagrado, a maior humilhação de toda a sua história fenomenal em Champions League. Memorável a performance do sérvio Dusan Tadic.

PORTO
No Olímpico de Roma, 51.727 espectadores
Roma 2 X 1 Porto
(Zaniolo/2 X Ádrian Lopez)
No Estádio do Dragão, 49.029 espectadores
Porto 3 X 1 Roma (na prorrogação)
(Soares, Marega, Alex Telles/pen X De Rossi/pen)
Um duelo nervoso, tenso, em que o treinador Eusebio Di Francesco, depois da igualdade em 1 X 1 nos primeiros 45’, se escondeu numa tola retranca. Pior, depois dos 2 X 1 em favor do elenco de Sérgio Conceição, decidiu apostar no bingo dos penais. Acabaria por ceder a sua vaga, ironicamente, na marca de cal, mas aos 117’, cobrança irretocável de Alex Telles, ex-Grêmio/RS.

MANCHESTER UNITED
No Old Trafford, 74.054 espectadores
Manchester United 0 X 2 PSG
(Kimpembe, Mbappé)
No Parc des Princes, 47.441 espectadores
PSG 1 X 3 Manchester United
(Bernat X Lukaku2, Rashford/pen)
Sem se intimidarem como o barulho absurdo da torcida de Paris, os briosos pupilos de Ole Gunnar Solskjaer logo aos 2’ atestaram que o placar adverso de casa poderia ser recuperado e, por isso, lutaram até os acréscimos e o gol crucial de Rashford, num pênalti. Foi pedante o elenco de Thomas Tuchel, também prejudicado pela maior falha da carreira do arqueiro Gigi Buffon. Foi patética, para dizer o menos, a presença de Neymar na tribuna e até na lateral do campo, depois de farrear absurdamente no Carnaval do Brasil.
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