As radicais condições para o retorno do Calcio, talvez em 4 de Maio

Uma comissão de especialistas já definiu as exigências que todos os clubes deverão seguir. Resta o governo da Itália aprovar, agora neste dia 22.

Uma encenação do "Calcio Storico", em Florença

Uma encenação do "Calcio Storico", em Florença

Reprodução

Ainda não aconteceu, digamos, uma alta médica digna desse nome. Parece provável que o Calcio retome as suas atividades básicas a partir do dia 4 de Maio. O retorno, porém, deverá ocorrer ainda dentro do hospital. Uso a metáfora, adequadíssima, para explicar a decisão que a FIGC, ou Federazione Italiana Giuoco Calcio, também conhecida por Federcalcio, promete adotar depois de se aconselhar com a sua douta Comissão Científica, sob a presidência do professor Paolo Zeppilli. Tal comissão definiu o “Protocolo Sanitário” que determina as regras indispensáveis à retomada dos treinamentos. Normas que não parecem confortáveis, pelo contrário.

Paolo Zepilli

Paolo Zepilli

FIGC

Para a Comissão, especificamente instituída em função da Covid-19, o professor Zepilli reuniu quatro mestres de currículos extraordinários e indebatíveis: Roberto Cauda (o catedrático de Moléstias Infecciosas da Universidade Católica), Massimo Fantoni (o diretor da Unidade Covid-19 do importantíssimo Instituto Policlinico Gemelli de Roma), Walter Ricciardi (membro da OMS e conselheiro do Ministério da Saúde), e Francesco Vaia (Diretor do histórico Instituto Nacional para Moléstias Infecciosas Lazzaro Spallanzani, também da capital da Bota).

O Instituto Lazzaro Spallanzani

O Instituto Lazzaro Spallanzani

Reprodução

Fruto de quase três semanas de trabalho, o “Protocolo” indica os procedimentos cruciais a se adotarem para que não se comprometa a segurança de ninguém: “Todos nos empenhamos sem pressa, mas sem descanso”, observa Zepilli, “até que concordássemos no estabelecimento de uma série de princípios duros mas factíveis que garantam a proteção de atletas, do estafe técnico, dos médicos e dos fisioterapeutas, dos funcionários de seu entorno, e ainda dos seus familiares e agregados. Nada será liberado antes que todas as investigações dêem resultados negativos.”

O retiro do Milan, em MIlanello

O retiro do Milan, em MIlanello

acmilan

Num passo inicial, em 4 de Maio, clube a clube, todos se submeterão a um teste molecular e a um teste sorológico, de acordo com as normas padronizadas da OMS, para se avaliarem as suas condições. E, igualmente, passarão por análises clínicas e corpóreas, da medição de temperatura à investigação de eventuais sintomas da Covid-19 e até de outras doenças possíveis. Aqueles considerados aptos, então, iniciarão uma concentração fechada, ao estilo dos retiros de pré-temporada. Por uma questão de logística, a Comissão sugere um escalonamento: primeiro a Série A e, posteriormente, a Série B, a Série C etcetera etcetera.

Cristiano Ronaldo, no DM da Juventus

Cristiano Ronaldo, no DM da Juventus

juventus.com

Obviamente, o lugar do retiro respectivo já deverá estar compulsoriamente higienizado, sanitizado, desinfetado, em todos os seus departamentos, campos, quadras, spas, alojamentos, refeitórios, auditórios. No caso de o clube não dispor de hospedagem na sua própria concentração e se utilizar de hotéis ou equivalentes, absolutamente todos os ambientes dos albergues receberão o mesmo cuidado. Um outro profissional, Angelo Pizzi, médico-chefe da AIA, a Associazione Italiana Arbitri, se encarregará de formular e de vigiar os procedimentos relacionados aos mediadores, mesmo que por enquanto permaneçam em isolamento domiciliar.

Gabriele Gravina

Gabriele Gravina

FIGC

Gabriele Gravina, o presidente da FIGC, e Paolo Zepilli, consolidaram todos os detalhes do “Protocolo” em um documento enviado a Vincenzo Spadafora, o Ministro do Esporte, e a Roberto Speranza, o Ministro da Saúde, que já marcaram, para a próxima quarta-feira, 22 de Março, um “Super Vértice” on-line, via conferência televisiva, de toda a cúpula do Futebol da Velha Bota, cartolas em geral, representantes dos atletas, dos árbitros, inclusive da Mídia, para se dirimirem dúvidas e se ajustarem detalhes. Minúcias, claro, apenas em relação à súbita necessidade de uma pré-temporada de meio de certame. Daí, quando o torneio poderá ressuscitar? Eis a questão. Gravina ao menos já prometeu: “Eu não serei o coveiro do Calcio.”


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