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As (boas) perspectivas do Judô do Brasil para os Jogos de Tóquio

Depois do Grand Slam da charmosa modalidade de luta, realizado em Brasília, como estão as chances, categoria a categoria, dos rapazes e das moças

Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

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A estilização de uma luta
A estilização de uma luta

Prestes a completar o seu século de presença nos Jogos Olímpicos, um percurso que se inaugurou em 1920, no evento de Antuérpia, Bélgica, o Brasil já acumulou 129 medalhas: 30 de ouro, 36 de prata e 63 de bronze. Por esportes, lideram a Vela com 18 (7-3-8), o Atletismo com 17 (5-3-9) e o Voleibol, na quadra e na praia, com 10 (5-3-2). No geral de pódios, o Judô tem mais lauréis, 22. De qualquer modo, não ocupa o topo da tabela porque a tradição dos Jogos pede que sempre se conte o ouro em primeiro lugar. Das 22 medalhas do Judô, 15 são de bronze, 3 de prata e só 4 de ouro.

O centenário do Brasil nos Jogos acontecerá em Tóquio, no Japão, de 24 de Julho a 9 de Agosto de 2020. E quem cuida do Judô, e quem pratica o Judô, torce bastante para que tal volume se amplifique o suficiente para, talvez, até melhorar na classificação. Haverá, em Tóquio, em cada categoria habitual de peso, 7 para rapazes e 7 para moças, mais a inovação de uma competição por equipes mistas, 4 medalhas à disposição: um ouro ao campeão, uma prata ao seu vice e duas de bronze aos dois perdedores das semifinais.


Chiaki Ishii, bronze em Munique/72, a primeira das medalhas do Brasil nos Jogos
Chiaki Ishii, bronze em Munique/72, a primeira das medalhas do Brasil nos Jogos

Praticamente o Brasil já garantiu participação em 6 das 7 classes destinadas aos marmanjos: -60kg, -66kg, -81kg, -90kg, -100kg e +100kg. Há dúvidas na de -73kg. Mas, já se assegurou nas 7 destinadas às damas: -48kg, -50kg, -57kg, -63kg, -70kg, -78kg e +78kg. As equipes mistas precisam incluir, entre os homens, atletas que se ajustem, como o peso máximo, às de -73kg, -90kg e de +90kg. E, entre as garotas, às turmas de -57kg, -70kg e de +70kg.

Um ranking criado pela FIJ, a Federação Internacional de Judô, define os ocupantes de 18 vagas, uma por nação e por categoria de peso. Trata-se de vagas preferenciais, de cabeças-de-chave. Ainda, de modo a se determinar um emparceiramento adequado, se selecionam outros 50, em lista decrescente. As Américas têm direito a 10 dessas 50 vagas suplementares.


Homenagem ao Dia Mundial do Judô, 29 de Outubro
Homenagem ao Dia Mundial do Judô, 29 de Outubro

O ranking da FIJ resulta de um sistema de pontuação que considera uma série de competições. Um Mundial, por exemplo, oferece 2.000 pontos. Um Masters, 1.800. Um Grand Slam, como o recém-realizado em Brasília, 1.000. Um Mundial Jr., o Continental, um Grand Prix, 700. Um Open Continental, 100 pontos. Em 25 de maio de 2020 a FIJ fechará o ranking para Tóquio.

Brasíli/2019
Brasíli/2019

Até os Jogos de Tóquio ainda ocorrerão 6 certames de Grand Slam e 5 de Grand Prix. Evidentemente, é importantíssimo lutar no maior número possível desses eventos e, claro, conquistar a maior quantidade de pódios. Em função dos resultados do GS de Brasília e da sua situação no ranking, eis uma síntese, categoria por categoria, do momento dos principais judocas do País.


FEMININO

-48kg


Gabriela Chibana foi prata. Por enquanto, 24 no ranking. Briga, cabeça a cabeça, com Nathalia Brígida, 23.

Larissa PImenta, no Pan de Lima
Larissa PImenta, no Pan de Lima

-52kg

Ouro no Pan de Lima, Larissa Pimenta ficou com a prata em Brasília. Como os regulamentos do torneio da Capital Federal permitiam quatro representantes do país-sede por categoria, Eleudis Valentim ficou com o bronze. Larissa é a número 13 no ranking. Eleudis é a 24. E, ainda paira, bem pertinho, a saudável ameaça de Jéssica Pereira, a 25.

-57kg

A categoria de Rafaela Silva, ouro no Rio/2016 e ouro no Pan de Lima, laurel que perdeu depois de ser flagrada no anti-doping, um caso bizarríssimo: diz ela que uma nenê de seis meses lhe transmitiu a substância proibida porque, perdão, chupou a ponta de seu nariz como se fosse o bico de uma mamadeira. Na espera do julgamento definitivo, Rafaela pôde competir em Brasília mas, numa semifinal, perdeu de Ketelyn Nascimento, que acabaria por levar o ouro. No ranking, Ketelyn é a atleta número 53. Rafaela é a de número 4. E também existe Tamires Crude, a 63.

-63kg

Bronze em Pequim/2008, uma década depois, aos 32 de idade, Ketleyn Quadros abiscoitou o ouro de Brasília ao suplantar, na final, Alexia Castilho, que fora bronze no Pan de Lima. Briga acirrada entre as duas, Ketleyn a 31 no ranking e Alexia a 28. Também em Brasília, ficou na quinta posição Mariana Silva, que é a 89 no ranking.

Maria Portela
Maria Portela Getty Images

-70kg

Aos 31 de idade, parece eterna a gaúcha Maria Portela, bronze no Pan de Guadalajara/2011 e em Toronto/2015, com um ouro do Pan-Americano específico do Judô, em 2012, e agora bronze em Brasília. Poucos galardões mas uma significativa constância que lhe propicia o ranking de número 6. Poucas chances para Ellen Santana, 38.

-78kg

Ironicamente, única categoria em que o Brasil não subiu ao pódio na sua Capital. Lógica explicação, todavia: nas vésperas do torneio, se lesionou a campeoníssima Mayra Aguiar, bronze em Londres/2012 e no Rio/2016, ouro no Pan de Lima, a segunda no ranking. Aos 28 de idade, ela, evidentemente, pode, e deve, se recuperar até Tóquio.

Suelen e Beatriz, no GS de Brasília
Suelen e Beatriz, no GS de Brasília

+78kg

Outra briga intrincadíssima entre Maria Suelen Altheman e Beatriz Souza. No ranking, Suelen é a terceira e Beatriz é a sétima. Beatriz, porém, abiscoitou um bronze no Pan de Lima e, no GS de Brasília, chegou à final exatamente contra Suelen, e levou o ouro. E tem 21 anos contra 31.

MASCULINO

Allan Kuwabara
Allan Kuwabara

-60kg

Do nada, em Brasília, ressurgiu Allan Kuwabara, que foi promessa na primeira metade da década e já subiu ao lugar de número 45 do ranking, à frente de Renan Torres, 92, ouro no Pan, mas ainda atrás de Eric Takabatake, o décimo na lista, de Felipe Kitadai, o 22, e Phelipe Pelim, o 25. Uma categoria que promete intensas emoções.

-66kg

Quinto no ranking, prata no Pan de Lima e ouro, agora, em Brasília, parece bem seguro Daniel Cragnin. O outro compatriota na categoria, William Lima, que foi bronze no GS, é o número 94. E não descartar Charles Chibana, ouro em Toronto/2015 e, aos 30 anos, o número 34

-73kg

David Lima, prata em Brasília, se limita ao número 40 no ranking. Necessita melhor bastante a sua posição para se tornar candidato ao evento de Tóquio. Até porque briga com Eduardo Barbosa, 38 e Marcelo Contini, 58. A única categoria em que o País corre perigo de não ir a Tóquio.

Eduardo Yudi, no Pan de Lima
Eduardo Yudi, no Pan de Lima

-81kg

Aparentemente sem rival Eduardo Yudi Santos, número 23 no ranking, apenas o sétimo lugar em Brasília. Como ele também sétimo, Guilherme Schimidt ocupa o posto de número 87. Por fora, de todo modo, ainda corre Victor Penalber, 52. Hoje, Yudi iria a Tóquio com uma das 10 vagas suplementares que a FIJ destina às três Américas.

-90kg

Sem rival Rafael Macedo, apenas o sétimo lugar, agora, depois de um quinto no Pan de Lima, número 16, muito à frente de Eduardo Bettoni, o número 79.

-100kg

Batalha acirrada entre Rafael Buzacarini, prata no GS de Brasília, número 21, e Leonardo Gonçalves, 23. Hoje, Buza teria uma das cabeças-de-chave.

Rafael "Baby" Silva e David Moura
Rafael "Baby" Silva e David Moura

+100kg

Outra batalha complicadíssima. No GS de Brasília, David Moura apenas cedeu o ouro ao antológico francês Teddy Riner, 152 triunfos consecutivos. Também bronze no Pan de Lima, Moura é o quinto do ranking e sobrepujou o seu maior rival, Rafael Silva, numa das semifinais. Rafael, o “Baby”, bronze em Londres 2012 e bronze no Rio/2016, se lastimou com uma quinta colocação. Todavia, ainda se mantém à frente de Moura no ranking, o quarto lugar.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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