Apesar da sua ótima dupla, o Tênis do Brasil descamba na Colômbia
Ganha com o habitual Melo e com o excelente Demoliner, mas perde três dos quatro jogos de simples e a chance de retornar ao Grupo Mundial da Davis
Silvio Lancellotti|Sílvio Lancellotti

Graças a uma atuação extraordinária do gaúcho Marcelo Demoliner, 29 de idade, 1m93, 90kg, um profissional desde 2006 mas nenhum título na sua carreira, o Brasil superou a Colômbia no prélio que prometia ser o mais difícil na briga por uma vaga na repescagem do Grupo Mundial da Copa Davis de Tênis. No tal Grupo se inscrevem as 16 melhores seleções da modalidade.
Sem Bruno Soares, tradicional parceiro de Marcelo Melo, número 1 do ranking de duplas, Demoliner (#55) recebeu a complicada incumbência de ajudá-lo contra a parceria formada por Juán Sebastián Cabral (#18) e Robert Farah (#21), os vices no recente Australian Open. E o gaúcho brilhou mais do que o líder da classificação. Apesar da zoeira da torcida presente ao Parque de Raquetas de Barranquilla, o Brasil fez 2 X 0 (7-6 e 6-4) na partida e passou à frente da sua hospedeira, 2 X 1, no placar geral da competição.

Um dia antes, na sexta-feira, 6 de Março, em desafios de simples, Thiago Monteiro (#125) havia batido Santiago Giraldo (#290) enquanto Guilherme Clézar (#234) havia perdido de Daniel Galán (#257). Quer dizer, 1 X 1, fato que tornava crucial a pugna de duplas. Claro, uma folga de 2 X 1 deveria impor um peso inferior na porfia subsequente entre Thiago e Galán. Ambos já tinham se defrontado uma vez, um fácil sucesso de Thiago. Contudo, mesmo mais jovem, 21 anos a 23, menos experiente, e na sua estreia na Davis, o garoto realizou a maior exibição de sua vida, um outro triunfo, 2 X 0 (6-3 e 6-3).

Igualada a contenda, a programação oficial estabelecia a decisão da vaga para o ganhador de Clézar X Giraldo. As duas equipes, no entanto, trocaram seus representantes. A Colômbia substituiu Giraldo, que já fora um Top 30 mas convalescia de lesão, por Alejandro González (#305). E o Brasil substituiu Clézar, psicologicamente abalado, por João Pedro Sorgi (#359), o herói dos 3 X 2 de dois meses atrás sobre a República Dominicana. Clézar, de fato, tem uma personalidade, digamos, peculiar. Diante do Japão, quando apareceu no lugar do cortado Rogério, grosseiramente ousou ironizar um juiz de linha ao esticar os olhos com os dedos. Gonzáles, bem. se portou como um vero paredão e resistiu à garra de Sorgi. Resultado inapelável de 2 X 0 (6-3 e 7-6).

Sim, um problemaço precioso para o jovem catarinense Rafael Westrupp, 36 de idade, que em Março de Março de 2017 assumiu a presidência da CBT, a Confederação Brasileira de Tênis. Westrupp já conhecia muito bem as dimensões da caverna em que havia se enfurnado. Fora um dos vices de Jorge Lacerda (no trono de 2004 a 2016), afastado na esteira de um escândalo de desvio de verbas públicas, e sucessor de um quase ditador, Nelson Nastás (de 1994 a 2004), a quem até mesmo superastros como Gustavo Kuerten e Fernando Meligeni consideravam um irresponsável.

Um administrador de empresas, também um professor de Educação Física, e um tenista apenas mediano mas com quem Guga adorava treinar, Westrupp herdou um espólio tristemente depauperado. Numa decisão dolorosíssima os Correios diminuíram o seu patrocínio de R$ 9mi para só R$ 2mi. Ficou impossível, por exemplo, sustentar o o Centro Olímpico de Tênis, legado dos Jogos do Rio/16, cerca de R$ 10mi, pois não lhe sobraria a grana, sequer, para o café de coador. Pior, o Tênis do País vive a sua mais dramática transição desde o apogeu de Thomaz Koch & Edson Mandarino nas décadas de 60 e 70.

Desde 2000, quando Guga e Meligeni só caíram na fase das semifinais, em visita à poderosa Austrália, e numa quadra de grama. o time do Brasil nunca mais brilhou na Davis. Em 17 disputas, apenas em cinco vezes ocupou a nobre zona da Primeira Divisão, abrigo das 16 melhores equipes do planeta. Pior, além das suas onze temporadas de sofrimento na Série B, em 2005 ainda perambulou pelo Grupo II das Américas, uma espécie de Terceira Divisão. Desafortunadamente, nesta edição da Davis o Tênis do Brasil desperdiçou uma série invicta de oito matches contra a freguesa Colômbia. A missão de Westrupp, agora, árdua, ingente, será recomeçar do zero.
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