Agora pela Copa Itália, e o Milan elimina o seu rivalérrimo Napoli
Depois do empate de 0 X 0 pelo Campeonato, um novo confronto entre os dois clubes, decidido por 2 X 0 com tentos do excelente polonês Piatek
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

Seguramente por se tratar de um mata-mata, um combate fatal, eliminatório, bem mais do que o medíocre Milan X Napoli do último sábado, 0 X 0 no campeonato da Bota, efetivamente empolgou os “tifosi”, nesta terça-feira, 29 de Janeiro, o duelo entre os mesmos clubes pelas quartas-de-final da Copa Itália de 2018/19. Mera coincidência, o cotejo de novo aconteceu no Stadio San Siro da capital da Lombardia. Placar de 2 X 0, e o Milan na semifinal.

Datada de 1922, na sua edição inicial a Copa ficou com o Vado, um time de uma cidade da Ligúria, vizinhanças de Gênova, cerca de 8.000 habitantes. Detalhe: hoje o Vado participa do que corresponderia a um certame da Série F. Depois de atravessar intermitências e transformações, a competição, atualmente, congrega 78 agremiações: 9 da Série D, 27 da C, 22 da B e 20 da A. Nesta temporada, a de número 72, inaugurada em 28 de Julho, já ocorreram 71 prélios com 193 tentos registrados, a ótima média de 2,72.

Sempre em confrontos únicos, sempre no campo do time de melhor ranking, primeiro se digladiaram os 36 da C e da D. Os 18 remanescentes se debateram com os 22 da B. Restaram 20, que brigaram com os 12 de pior posição na A. Sobraram 16, que resultaram nos 8 que se debateram com os 8 melhores da A. Sorteios então definiram os emparceiramentos das quartas. E só na fase semifinal haverá pugnas de ida e volta. Agora marcada para 15 de Maio, desde 2007/08 a decisão se desenrola em uma só peleja no Olímpico de Roma, com a presença solene do Presidente da República, na festa de praxe o encarregado cerimonial e protocolar da entrega da taça.

Em 9 de Maio de 2018, a Juventus de Turim dilapidou o Milan por 4 X 0 e arrebatou a Copa pela 13ª vez. Aliás, a “Velha Senhora”, nesta quarta, 30, visitará a Atalanta de Bérgamo (um título solitário, em 1963). Ainda no dia 30, em Florença, a Fiorentina (6 sucessos, o último em 2001) hospedará a Roma (9/2008). Na quinta-feira, dia 31, em Milão, enfim, a Internazionale (7/2001) receberá a Lazio de Roma (6/2013). O Milan acumulou 5 títulos, o último em 2003. E o Napoli abiscoitou 5, o seu mais recente em 2014.

Para a alegria dos fãs do “Diavolo”, o treinador Gennaro Gattuso decidiu escalar desde o instante inicial o avante polonês Krzysztof Piatek, recém-contratado ao Genoa, 13 tentos em 19 porfias. Opção naturalíssima. Esquisita, de todo modo, a formação titular de Carlo Ancelotti, um ex-volante do Milan, hoje na orientação do “Burro” da Terra da Pizza. Ancelotti relegou ao banco o capitão Hamsik, o perigoso Dries Mertens e o arisco Callejón.

Pois logo aos 10’ das escaramuças Laxalt desceu através da esquerda do gramado e cruzou. O central Maksimovic titubeou e Piatek investiu, furioso, para cravar o gol do 1 X 0 em favor do Milan. E brotaria a “doppietta” do Milan e de Piatek aos 27’, depois de um lindo passe de Paquetá, o ex-Flamengo. A oitava “rete” do polonês na Copa, ele que já havia anotado 6 pelo Genoa. O segundo da lista de “marcatori” na competição, Rosseti, do Catânia, time já eliminado, fizera 3. De fato estupenda a prestação do atacante.

Evidentemente, quando Piero Giacomelli, o mediador da contenda, enviou os elencos ao intervalo, caberia a Carlo Ancelotti ensaiar um milagre muito maior do que aqueles de San Gennaro, o padroeiro da Terra da Pizza. Milagre? Pelo contrário. Sacou o brasileiro Allan, que retornava de lesão, ignorou o seu trio de esquecidos e enviou ao prélio o franco-argelino Ounas, até esta terça apenas 2 gols em 12 aparições. Aos 66’, Ounas quase diminuiu a diferença em uma invasão isolada da área do Milan e um tiro seco, que o jovem arqueiro Donnarumma, atônito, assustado, basicamente rebateu como pôde.

Sem o frenesi de Callejon nas fugas em diagonal, sem a criatividade de Hamsik e a habilidade de Mertens, sobrou ao “Burro” uma coleção interminável de arremates de precária pontaria, todos de longe da área. Quando Mertens pisou o relvado do San Siro o preparo físico do Napoli se desmanchava a cada desperdício. Callejón? Ancelotti só convocou o espanhol aos 85’. Giacomelli concedeu 4’ de acréscimos. Insuficientes para o resgate do Napoli.
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