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A patética colaboração da FIFA na sua campanha contra a Covid-19

Além de uma participação ridícula em dinheiro, a entidade que comanda o Futebol no planeta convoca seis treinadores e as suas táticas anti-vírus

Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

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A fachada da sede da FIFA, em Nyon, Suíça
A fachada da sede da FIFA, em Nyon, Suíça

A metáfora pode parecer grosseira. Porém, define muito bem aquilo que, inevitavelmente, sucederia no Futebol do planeta: o cenário do dominó, as peças empilhadas na vertical, uma que cai e daí desanda a derrubar todas as outras. Primeiro, houve o adiamento da Copa América e da Eurocopa, de agora para Junho/Julho de 2021. Daí houve a suspensão, para uma data indefinida, da Copa do Mundo de Clubes, que aconteceria em 2021 e ficará para ainda nem se imagina quando. Ironia: essa competição, originalmente, deveria acontecer lá na China, de onde a Covid-19 disparou.

A entrada, vazia, da sede da Juventus, em Turim
A entrada, vazia, da sede da Juventus, em Turim

Afora tais medidas, paliativas, voluntariosas, a entidade que comanda o Ludopédio no planeta adotou atitudes que, convenhamos, parecem mais provenientes de um grupo de alunos de Jardim de Infância. O estabelecimento de um fundo de US$ 10 milhões de apoio à Organização Mundial de Saúde quando a Fiat/Juventus de Turim designou 50% mais, só em apoio à crise na Itália. Isso e a divulgação de um manifesto assinado pelo presidente Gianni Infantino, apelo à solidariedade. E para completar a ridicularia a FIFA criou um comitê de treinadores “renomados” para lutar contra a Covid-19.


Infantino e Arséne Wenger
Infantino e Arséne Wenger

Integra o comitê, por exemplo, Arsène Wenger, o ex-Arsenal de Londres e diretor de um certo Departamento de Desenvolvimento Global do Futebol na entidade. E também um rivalérrimo de Wenger, Maurizio Pochettino, manager do Tottenham, outro time da capital da Inglaterra. Entre várias ginasianas superficialidades, os dois aparecem num filme em que supostamente ensinam a lavagem das mãos com álcool-gel etcetera e tal ou, melhor ainda, com água e sabão etcetera e tal. Também fazem parte do elenco de “professores” Jill Ellis, da seleção feminina dos Estados Unidos, Casey Stoney, do time feminino do Manchester United, e Aliou Cissé, da seleção masculina do Senegal.

José Mourinho
José Mourinho Reprodução

Completa gloriosamente a pantomima o “Special One”, ele mesmo, José Mourinho, o atual do Tottenham, dias atrás eliminado, acachapantemente, pelo RB Leipzig, da Alemanha, nas oitavas-de-final da Champions League. Com a sua clássica postura de professor, acima do bem e do mal, Mourinho discorre sobre a “interação social” e ensina as pessoas a se manterem a no mínimo um metro de distância “de quem tosse ou espirra”. Não bastassem tantas "novidades", Gianni Infantino fecha o seu pronunciamento com uma frase que faria Tiririca gargalhar: “Juntos, vamos ganhar este jogo tão difícil!”

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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