A Lazio na liderança provisória, e Juve X Inter adiado para Maio
Ao bater o Bologna, por 2 X 0, sem um gol sequer do artilheiro Immobile, a "Águia" da capital subiu ao topo da tabela. Ao menos até... quem saberá?
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

Caso conquiste, nesta temporada de 2019/20, o terceiro “scudetto” da sua história de praticamente 120 anos, a Lazio de Roma sem dúvida deverá, e muitíssimo, ao seu atacante Ciro Immobile. Aos 30 de idade, desde 2016 na “Águia” da capital da Velha Bota, Immobile adentrou o gramado do Olímpico, neste sábado, dia 29 de Fevereiro, como o artilheiro indebatível do presente Campeonato Italiano de Futebol, 27 tentos em 25 partidas e 2.102 minutos de movimentação, a média efetivamente excepcional de um gol a cada 78'.

Sossegadamente a Lazio bateu o mediano Bologna por 2 X 0, subiu aos 62 pontos e, pela primeira vez desde 14 de Maio de 2000, assumiu o topo do pódio no Calcio. Então, a caminho do seu título de número dois, fizera 3 X 1 na Reggiana. Desta vez, a sua tarefa se concretizou em meros 180 segundos, entre os 18' e os 21’, graças a Luís Alberto, um espanhol, e a Correa, um argentino. Ironia: muito abaixo da sua habitual efusividade, Immobile sequer participou dos tentos. E, depois de desperdiçar várias chances, apesar do empenho dos colegas em municiá-lo, acabou substituído aos 84’.

Importante: a liderança, de fato, não mais se decidirá na partida derradeira da rodada, noite do domingo, 1º de Março, em Turim, cerca de 710 quilômetros distante de Roma por uma gostosa ferrovia. Lá, no Allianz Stadium, deveriam se digladiar, com os portões fechados ao público, conseqüência do risco de contágio pelo Coronavírus-19, presentes apenas representantes da mídia e da cartolagem, a Juventus, 60 pontos, e a Internazionale de Milão, 54. São essas duas agremiações e a Lazio, quase que matematicamente, as únicas em condições de lutar pelo título. A Atalanta de Bérgamo, no quarto posto, tem 45 pontos, O prélio, porém, foi adiado para o longínquo dia 13 de Maio.

Em circunstâncias normais, nos seus domínios, a “Zebra” do Piemonte seria a favorita dos apostadores. Desde o seu duelo inaugural, 2 X 0 em Turim no dia 14 de Novembro de 1910, até o mais recente, 2 X 1 em Milão no dia 6 de Outubro de 2019, em 236 partidas oficiais ganhou 107 e perdeu 71, anotou 337 tentos e concedeu 291. Detentora de um galardão insólito, oito “scudetto” em sequência desde o certame de 2011/2012, nesse percurso, em 19 cotejos, venceu 11 e só tombou em 5. Não permite um único sucesso da “Biscione”, a serpente mitológica da Lombardia, no Allianz, desde 3 de Dezembro de 2012.

Ocorre que fatores nada convencionais envolvem a Juve de agora. E se exibir num Allianz vazio dos seus 41.507 torcedores não passaria do mais trivial. No sábado, dia 22, padeceu para sobrepujar a lanterninha SPAL de Ferrara por meros 2 X 1. Depois, na quarta-feira, 26, jogo de ida nas quartas-de-final da Champions League, em viagem à França, sucumbiu ao Olympique Lyonnais, 0 X 1. Nada de particularmente grave caso se provasse convincente o sistema tático que o treinador Maurizio Sarri implantou, num time que era fluente, dinâmico, sob Antonio Conte e Massimiliano Allegri, os “condottiere” do octo.

Estilo de jogo muito feio na frente, um excesso de lances equivocados na armação e uma retaguarda balbuciante, eis as marcas da “Zebra” de Sarri. Enquanto isso, evoluiu a Inter, agora, ironicamente, sob a orientação de Antonio Conte. Ao contrário da Juve, parada na recente “janela de Inverno”, a “Biscione” se reforçou com uma contratação primorosa, o versátil dinamarquês Christian Eriksen, 28, ex-Ajax da Holanda e ex-Tottenham da Inglaterra. E, um detalhe crucial, os 54 pontos da Inter na verdade podem ser 57, pois a esquadra de Conte tem uma pugna adiada a recuperar, em casa, contra a frágil Sampdoria de Gênova, ameaçadíssima de rebaixamento. Enfim, até 13 de Maio muitas outras intempéries podem desabar sobre o Calcio.
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