A Juve ignora o Milan, em Milão, e mantém a sua folga de 6 pontos
Gols de Mandzukic e do CR7, numa rodada em que o Napoli, vice-líder, passou pelo Genoa, 2 X 1, e a Inter, que corria ao seu lado, levou 4 X 1 da Atalanta
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

Graças ao seu triunfo, apertadíssimo, e no sufoco, 2 X 1 contra o Genoa no campo do inimigo, o Napoli subiu aos 28 pontos em 36 disponíveis, abriu uma folga de 3 sobre a Internazionale de Milão e diminuiu para 3 a vantagem que lhe impunha a Juventus de Turim. Só que a Inter e a Juve ainda disputariam, neste domingo, 11 de Novembro, os seus duelos respectivos pela jornada de número 12 do Campeonato Italiano. Desafios que poderiam consolidar a posição do Napoli na tabela. A Inter visitaria a Atalanta, em Bérgamo. E a Juve, muito pior, visitaria o rivalérimo Milan em plena casa do inimigo, o San Siro.

De nome curiosamente singular, Atleti Azzurri d’Italia, o estádio de Bérgamo, uma cidade de 120.000 habitantes, a meros 46 quilômetros de Milão, na Lombardia, norte da Itália, também hospeda os prélios do AlbinoLeffe, clube da Série C, o equivalente à terceira divisão. E a Atalanta, aliás, também utiliza, como seu fardamento principal, as camisas verticalmente listradas em azul e preto, iguais às da Inter. Pois com a sua roupagem principal a “Dea”, ou a “Deusa” auxiliou o Napoli a ficar sozinho como vice e detonou a “Biscione” por 4 X 1. Ainda houve equilíbrio até os meados da etapa derradeira. Hateboar tinha aberto o resultado para a Atalanta aos 8’ e Icardi havia cravado 1 X 1 aos 49’, na cobrança de um pênalti inexistente. De todo modo, Mancini aos 62, Djimistic aos 89 e Gomez aos 93 destruiriam a desalentada visitante.

Efetivamente, o estádio que alberga os cotejos da Inter e do Milan se chama Giuseppe Meazza. Um avante nascido na cidade e, no dialeto local, apelidado Peppin, ele vestiu os uniformes de ambos os grandes clubes. Foi, contudo, o astro da “Biscione” nas décadas de 20 até 40, o realizador de 239 tentos em 366 partidas. Pelo “Diavolo”, registrou meros 9 gols em 37 combates. Daí, formalmente, quando lhe cabe um mando por lá, o “Diavolo” prefere o utilizar o nome do bairro em que se localiza, o de San Siro. Motivo básico dessa folclórica inimizade: de 1908, a Inter nasceu de uma dissidência radical do Milan, fundado em 1897. Curiosidade: o Milan não aceitava estrangeiros.

Consciente de que não poderia desperdiçar a chance de preservar uma folga de 6 pontos sobre o “Burro” e ainda escancarar a sua vantagem sobre a “Biscione” para 9, o treinador da “Zebra”, Massimiliano Allegri, escalou o seu time da forma mais audaciosa que poderia, três homens de frente (Dybala, Mandzukic e Cristiano Ronaldo) mais dois laterais bem ofensivos (Cancelo e Alex Sandro). Deu certo, logo aos 8’, num cruzamento do brasileiro que caiu exatamente na testa do croata, 1 X 0. Incrível: do outro lado, Gonzalo Higuaín, a quem a “Senhora” dispensou de modo a abrir espaço à chegada do CR7, tentava tudo para enervar os ex-companheiros. E até cavou um pênalti, aos 40’. Bateu bem, no cantinho destro do arco da Juve. Mas, elasticamente, de maneira empolgante, o polonês Szczesny conseguiu espalmar.

Sempre mais perigosa, também na etapa final, a “Zebra” cedeu o controle de bola ao Milan, um controle estéril. E daí abusou do contropiede em velocidade. impressionante na armação e nos lançamentos o argentino Dybala. Ao estilo do seu atual treinador, o providencial mastim Gennaro Gattuso, o “Diavolo” exagerava na agressividade e nos choques de corpo. E quando se aproximava da área dos “bianconeri” invariavelmente esbarrava na atenção de Chiellini, 34 de idade e a disposição de um adolescente. Pregado, aos 79’ Dybala entregou o seu posto a Douglas Costa. Então, logo aos 81’, uma jogada inteiramente portuguesa definiria a porfia. Pela direita, João Cancelo investiu em diagonal e desferiu um petardo que Donarumma desafortunadamente rebateu no pé destro do CR7, Juventus 2 X 0. Enfim, desastrado, Higuaín ainda provocaria o seu segundo cartão amarelo, uma expulsão grotesca, patética, triste, aos 83’.

Foi o cotejo 224 entre “bianconeri” e “rossoneri”. Na sua primeira pugna, 29 de Abril de 1901, pelo campeonato, mesmo em Turim o “Diavolo” bateu a “Zebra”, 3 X 2. No mais recente, de 9 de Maio último, no Olímpico de Roma, pela Copa Itália, a Juve arrasou o Milan, 4 X 0. No percurso, 88 triunfos da Juve e 66 do adversário, 325 gols a 226. Eis os outros resultados desta rodada: Frosinone 1 X 1 Fiorentina, Torino 1 X 2 Parma, Spal 2 X 2 Cagliari, Empoli 2 X 1 Udinese, Chievo 2 X 2 Bologna, Roma 4 X 1 Sampdoria, Sassuolo 1 X 1 Lazio.
A classificação ficou assim: Juventus 34, Napoli 28, Inter 25, Lazio 22, Milan 21, Roma 19, Sassuolo 19, Atalanta 18, Fiorentina 17, Torino 17, Parma 17, Sampdoria 15, Cagliari 14, Genoa 14, Spal 13, Bologna 10, Udinese 9, Empoli 9, Frosinone 7, Chievo 0 (iniciou com – 3). Caem três clubes à Série B.
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