A Juve ganha o "Derby" de Turim e reabre 11 pontos à frente do Napoli
Na cobrança de um penal, Cristiano Ronaldo registrou um gol histórico, aquele de número 5.000 no belo percurso da "Senhora" na antologia da Série A
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

Que me perdoem os torineses fanáticos. Porém, a Mole Antonelliana, suposta maravilha visual da capital do Piemonte, não passa de uma barbaridade arquitetônica. Construída a partir de 1863 para abrigar uma sinagoga, dez anos depois se transformou num monumento em homenagem ao “Pai da Pátria”, o monarca Vittorio Emmanuele II, também se tornou um mirante e, desde 1995, sedia o Museu Nacional do Cinema Italiano. Com 167,50m de elevação, a mais alta edificação de alvenaria de toda a Europa, paira como uma excrescência sobre o perfil de uma cidade placidamente de quatro andares. De todo modo emprestou o seu nome ao clássico futebolístico Torino X Juventus, batizado de “Il Derby della Mole”.

Fundados, respectivamente, em 1897 e 1906, a “Zebra Bianconera” e o “Toro Granata”, uma sua dissidência, se defrontam desde 13 de Janeiro de 1907, quando o clube mais jovem ganhou por 2 X 1. E neste sábado, dia 14 de Dezembro de 2018, se digladiaram pela 237ª vez, uma vitória da Juve por 1 X 0, mesmo no Stàdio Olìmpico Grande Torino, repleto em seus 27.958 lugares. Com o resultado, a “Velha Senhora” somou 104 triunfos a 73, com 373 tentos registrados contra 316. Realizado pela rodada 16 do Campeonato Nacional de 2018/19, o jogo propiciou à “Zebra” escalar o patamar dos 46 pontos, enquanto o “Toro” permaneceu empacado nos 22.

Episódios bastante tristes, duas quedas, uma fisicamente dramática e outra conceitual, marcaram as histórias das duas agremiações. Ambas num dia 4. Em Maio de 1949, quando retornava de um amistoso diante do Benfica, em Lisboa, o elenco do Torino, praticamente já dono de um quinto “scudetto” consecutivo, sucumbiu inteiro em um acidente, o choque do seu avião contra o morro no qual de situa a Basílica de Superga. O esquadrão “Granata”, então, ostentava o absurdo de dez titulares da seleção da Bota. Acumulou o seu sexto título. Mas, depois, apenas conquistaria um único certame, em 1975/76.

A coincidência pegaria a Juve em 4 de Julho de 2006, a data em que a Justiça Esportiva determinou a sua punição pelo escândalo “Calciopoli”, quando dois cartolas seus, Antonio Giraudo e Luciano Moggi, se envolveram em conversas telefônicas, devidamente monitoradas, sobre a designação de árbitros que interessassem à “Senhora”. A Justiça cassou-lhe o “scudetto” de 2004/05, que seria o seu 28º, retirou todos os 91 pontos que lhe garantiriam o título de 2005/06, e ainda a rebaixou à Série B. Apenas em 30 de Setembro de 2007 a “Zebra” e o “Toro” outra vez se debateriam, no primeiro turno do Campeonato, 1 X 0 Juve, gol de Trezeguet já dentro dos acréscimos.

O combate deste 14 de Dezembro foi o 12º dos 237 em que a Juve e o Torino duelaram num sábado. E desde o seu desafio inaugural, pela Copa Itália de 1980, 0 X 0, a “Senhora” permanecia imbatível, duas igualdades e dez sucessos. Mais: no global do “Derby”, só tinha sofrido uma única derrota nas últimas 40 pugnas, 26 sucessos e 13 igualdades. E mais ainda: como visitante, na Série A, não tombava desde 19 de Novembro de 2017, Sampdoria 3 X 2, uma fiada de 17 sucessos e 3 igualdades. Inúmeros erros de passe, uma desconcentração absurda, no entanto, atrasaram as ações da “Zebra” e do “Toro”. Cotejo feio como a Mole. No intervalo, Andrea Agnelli e o anfitrião Umberto Cairo, presidentes rivais mas bons amigos longe das tribunas, não disporiam de motivos para as jocosidades de praxe.

Produziu mais perigos o elenco “Granata”, especialmente graças a um ex, o ala Simone Zaza, e ao tanque ofensivo Andrea Bellotti. Estava escrito, todavia, que a Juventus registraria, precisamente no adversário citadino, o gol de número 5.000 da sua bela antologia na Série A. Aos 69’, depois de uma barbeiragem de Zaza, uma bola muito mal recuada, o arqueiro Ichazu cometeu um penal irrefutável em Mandzukic. Cristiano Ronaldo converteu, apesar da acrobacia de Ichazu, que chegou a espalmar a pelota, 1 X 0. Também a 11ª “rete” do CR7, artilheiro do certame ao lado do polonês Piatek, do Genoa. A “Senhora” abriu 11 pontos à frente do Napoli, que visita o Cagliari, neste dia 16, domingo. E espera pelo sorteio das oitavas-de-final da Champions, na segunda-feira. Podem lhe caber seis adversários: Atlético de Madrid, Tottenham, Liverpool, Schalke, Ajax e Olympique Lyonnais. Alguma preferência particular?
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