A Holanda faz 3 X 0 e a Alemanha já vê um inusitado "Auf Wiedersehn"
Na Nations League, num grupo liderado pela França, a "Mannschaft" se isola na última colocação e corre o risco do rebaixamento à Série B da Europa
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

Com Holanda versus Alemanha, um desafio que foi um grande clássico, na Europa, principalmente nas décadas de 70 e de 80, continuou neste sábado, 13 de Outubro, na ArenA Johan Cruijff de Amsterdam, 54.990 lugares, a Nations League da UEFA. Na Copa de 1974, realizada na Alemanha, por exemplo, as duas seleções disputaram a decisão, que a dona da casa venceu por 2 X 1. Na Euro de 1988, realizada na mesma sede, a Holanda ganhou por 2 X 1, numa das semis e, daí, superou a União Soviética, na final, por 2 X 0, o seu único título significativo em toda a História do Futebol.

A chamada “Laranja Mecânica” voltou a ser protagonista na Copa do Brasil, em 2014, quando abiscoitou o bronze ao superar o anfitrião, na briga pelo terceiro lugar, 3 X 0. De todo modo, sequer se qualificou à Copa da Rússia. E a “Mannshaft”, depois de dilapidar o Brasil naqueles 7 X 1 do Mineirão, levantou a Taça FIFA ao bater a Argentina, 1 X 0 na prorrogação, e então fracassou rotundamente na Rússia, sequer ultrapassou a fase inicial de jogos. Agora, na novíssima competição do Velho Continente, ambas as equipes periclitavam no Grupo 1, que também inclui a França campeã do mundo. Desembarcaram no campo do Johan Cruijff com uma exclusiva intenção: vencer.

Na corretíssima intenção de mandar na porfia desde o seu apito inicial, Ronald Koeman, o capitão da equipe de 88 e autor de um dos gols do triunfo da “Laranja”, escalou um time bastante ofensivo. De fato, a Holanda acossou o elenco de Joachim Loew, mescla de novatos com alguns ainda remanescentes de 2014, e desperdiçou três ótimas chances até que surgisse o tento do 1 X 0. Aos 30’, Depay cobrou um escanteio na cabeça de Babel, que acertou o travessão. Já dominante na retaguarda, nos raros instantes de ataque dos tedescos, Virgil Van Dijk aparou a rebatida, de testa, longe de Manuel Neuer,

Uma “Mannshaft” bem diferente reapareceu no gramado na etapa derradeira. Lançou-se à frente o suficiente para assustar o arqueiro Cillessen. Numa talagada o treinador Loew trocou Emre Can e Thomas Mueller por Draxler e por Sané. Que, aos 65’, chutou o tento da igualdade pela linha de fundo, a cinco metros da meta da Holanda. Claro que, preocupado, Koeman também substituiu a granel e reforçou o seu meio de campo, Promes e Groeneveld nos lugares de Babel e Bergwijn. Funcionaria muito melhor.

Os tedescos com a posse de bola e os nederlandeses na contra-ofensiva: qual dessas escolhas prevaleceria? Pois a Holanda se locupletou. Aos 82’, Cuneyt Çakır, árbitro da Turquia, não viu um penal de Depay em Ginter. Um fatal equívoco. Pois logo em seguida, aos 87’, o velocíssimo Promes galopou pela direita e tocou de lado a Depay que, cara a cara com Neuer, cravou 2 X 0. Pior para Loew, aos 93’ Wijnaldum, em outra investida impiedosa, marcou 3 X 0. Pobre Alemanha a um passo do adeus ao seu Grupo, e de um patético e absolutamente insólito “Auf Wiedersehen” à Série A da NL.

Classificação
FRA – (2j) 4pg, 2gp X 1gc
HOL – (2j) 3pg, 4gp X 2gc
ALE – (2j) 1pg, 0gp X 3gc
Cotejos restantes:
16/10
França X Alemanha
Stade de Saint-Denis, Paris, 80.698 lugares
Na ida, mesmo em Munique, a França várias vezes acuou a Alemanha, que agradeceu ao resgatado arqueiro Manuel Neuer por não conceder o tento que já, naquela data, precocemente significaria o seu fim.
16/11 Holanda X França
19/11 Alemanha X Holanda
Eis os eventos que complementarão a programação:

GRUPO 3
Itália, Polônia, Portugal
11/10 Polônia 2 X 3 Portugal
Classificação
POR – (2j) 6pg, 4gp X 2gc
POL – (2j) 1pg, 3gp X 4gc
ITA – (2j) 1pg, 1gp X 2gc
Cotejos restantes:
14/10
Polônia X Itália
Stadion Slaski, Chorzov, 55.211 lugares
Não existe outra alternativa para uma das piores gerações da “Azzurra” desde o seu título mundial de 2006. Então, se tratará de vencer ou de se humilhar na queda à Série B, uma tragédia inominável no gloriosíssimo Calcio.
17/11 Itália X Portugal
20/11 Portugal X Polônia

GRUPO 2
12/10 Bélgica 2 X 1 Suíça
Classificação
BEL – (2j) 6pg, 5gp X 1gc
SUI – (2j) 3pg, 7gp X 2gc
ISL – (2j) 0pg, 0gp X 9gc
Cotejos restantes
15/10
Islândia X Suíça
Laugardasvoellur, Reykjavyk, 15.000 lugares
Por mais simpatia que a Islândia suscite, será impossível, ao menos nesta competição, que reedite o desempenho que a levou à Copa da Rússia.
15/11 Bélgica X Islândia
18/11 Suíça X Bélgica

GRUPO 4
12/10 Croácia 0 X 0 Inglaterra
Classificação
ESP – (2j) 6pg, 8gp X 1gc
ING – (2j) 1pg, 1gp X 2gc
CRO – (2j) 1pg, 0gp X 6gc
Cotejos restantes:
15/10 Espanha X Inglaterra
Stádio Benito Villamarín, Sevilha, 60.720
Enorme a possibilidade de a “Fúria”, hoje sob o treinador Luís Enrique, ex-craque do Barcelona, antecipar a sua passagem à fase definitiva da competição. A Inglaterra, ao menos, ainda terá a chance de competir, no dia 18 de Novembro, pela sobrevivência na divisão de cima.
15/11 Croácia X Espanha
18/11 Inglaterra X Croácia

Competição que a UEFA criou para mobilizar as suas 55 afiliadas, as suas torcidas e, principalmente, os donos das verbas de patrocínio, a Nations League utiliza as “Datas FIFA” com pelejas verdadeiramente oficiais, não apenas aquelas do estilo caça-níqueis, sem valor comparativo, e se baseia num conceito inusitado. A partir de um ranking fechado logo após a fase de grupos das eliminatórias da Europa à Copa da Rússia, separou as suas 55 afiliadas em quatro divisões. Na A, claro, obviamente a das melhores, doze seleções. Na B, mais doze. Na C, outras quinze. E, na D, as restantes dezesseis. Em cada grupo das divisões, prélios de ida e de retorno, a se travarem até o dia 20 de Novembro. Os vencedores de cada grupo, em cada Série, então se digladiarão, entre 5 e 9 de Junho de 2019, para a decisão do respectivo campeão. Da D até a B ainda merecerão o acesso à categoria logo acima. Os quatro últimos de cada grupo, da Série A até a C, serão rebaixados.
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