Paulinho, outra vez. Pisou, de novo, no escudo do Flamengo. Mandou a torcida ‘calar a boca’. Fez pelo Palmeiras o que já havia feito pelo Atlético
A cena foi idêntica. Na noite de 29 de novembro de 2023, Paulinho, jogando pelo Atlético, marcou contra o Flamengo no Maracanã. Pisou no escudo rubro negro e mandou a torcida se calar. Ele repetiu a mesma sequência ontem, na vitória do Palmeiras, por 3 a 0. Pisou no escudo e colocou o dedo indicador em frente a boca. Daí a revolta dos jogadores de Leonardo Jardim. Vitória estupenda quase acaba em briga, por ‘provocação sadia’

“Os caras foram na nossa casa e tiraram a nossa chance de título. Fizeram gol e pisaram no nosso escudo.
“Mandou a nossa torcida calar a boca e desrespeitou a gente. Isso eu não aceito.
“Não aceito que ninguém vá na nossa casa e nos desrespeite.”
Esse discurso foi feito por um jogador do Flamengo.
Não um que esteve em campo ontem, no Maracanã, na goleada do Palmeiras, por 3 a 0.
Mas por Gerson, quando vestia a camisa rubro negra, no dia 3 de julho de 2024.
A revolta era com o que havia acontecido na noite de 29 de novembro de 2023.
No mesmo Maracanã.
Aos oito minutos do primeiro tempo, Hulk lançou Paulinho que não desperdiçou. Marcou o início da goleada sobre o Flamengo, pelo mesmo placar de ontem: 3 a 0.
Só que Paulinho vestia a camisa atleticana.
E seguiu o mesmo roteiro de ontem.
Gol, desta vez aos 49 minutos do segundo tempo, pisada no escudo do Flamengo e o mundial sinal de ‘calar a boca’ para a torcida do clube carioca.
Por coincidência, ele fez exatamente a mesma coisa.

Jogadores de Leonardo Jardim sabiam o que havia se passado há três anos e cobraram Paulinho, aos empurrões.
Os demais jogadores e membros da Comissão Técnica do Palmeiras o protegeram de agressões.
Foi constrangedor.
E um enorme desperdício.
Paulinho preferiu a fútil provocação a celebrar o gol que não fazia há quase um ano.
Por conta de sua sofrida luta para voltar a jogar futebol.
Com direito a duas fraturas por stress.
Foram 320 dias que o separavam da sensação de marcar. A última vez foi contra o Botafogo, no Mundial da Fifa, no ano passado.
“Eu comemorei o gol da minha maneira, com a torcida e meus companheiros.
“Às vezes rola uma provocação, mas é sadia”, disse.
Percebendo o que havia dito, assumindo a provocação, ele voltou atrás. Mas era tarde. E ficou feio.
“Não quero desrespeitar a instituição do Flamengo, que é muito grande. Fui falar com a minha família no camarote, sou do Rio de Janeiro, vi eles ali.
“Eles pensaram que fiz para a torcida, mas fiz sinal para a minha família. Situação de jogo, muito feliz pelo gol, emocionante para mim.”
Assim como os jogadores do Flamengo, é difícil acreditar que ele não tenha feito o gesto de calar a boca, para a torcida rubro negra.
Ele não celebra os gols que faz mandando sua família calar a boca.
É bom Paulinho ficar sabendo que o seu próprio treinador, Abel Ferreira, que tanto o apoia, é contra provocações desrespeitosas, como a que fez há três anos e ontem no Maracanã, contra a torcida do Flamengo.
“Sou contra qualquer ato provocatório que incentive violência, seja dos nossos torcedores ou adversários, isso posso dizer, mas do caso em questão eu não vi. Sei que essa rivalidade é muito grande, mas sou contra esse tipo de provocação.”
Paulinho estragou a própria celebração.
Um fato que deveria ser tocante.
Se transformou em gestos agressivos, que só provocam violência.
O tempo de provocação ‘sadia’ não existe mais.
Paulinho precisa saber que mundo vive.
Pisar no escudo do clube adversário não é festa para ninguém.
E mandar 71 mil das 75 mil pessoas no Maracanã ‘calar a boca’.
Como Flaco López, melhor em campo, estapear a bandeira de escanteio, com o símbolo do Flamengo.
Isso não é futebol.
É mero incitamento ao ódio.
E que tirou o brilho a uma vitória estupenda do Palmeiras...













