Palmeiras fez a proposta que o Botafogo queria por Barboza. R$ 20 milhões. Abel fica irritado com o vazamento da negociação. E desabafa sobre suspensão. ‘No futebol brasileiro pode ser tudo. Menos, Abel’
A vitória sobre o Jacuipense, por 3 a 0, pela Copa do Brasil, foi o que menos interessava na coletiva do treinador português. Ele seguia rancoroso pela suspensão de sete jogos no Brasileiro. E tentou ironizar a negociação com Barboza. Mas sabe que a transação está para ser fechada. A seu pedido

“Não tenho que explicar nada.
“Está muito claro para quem quiser ver.
“Parece que no futebol brasileiro se pode ser tudo, menos Abel.”
Abel Ferreira tinha motivos dobrados para sua irritação.
Nada a ver com a vitória por 3 a 0 contra o Jacuipense, no Allianz Parque, pela Copa do Brasil.
Primeiro, o rancor com a suspensão de sete partidas no Brasileiro, por reincidência de reclamações.
Não se conforma com a postura do STJD, mesmo 15 dias depois do anúncio.
O treinador português deixou claro, ontem, que se sente perseguido.
Ele usou como exemplo o que aconteceu na partida entre Flamengo e Vitória, quando o clube carioca deveria ter tido três jogadores expulsos por entradas violentas. Se colocou no lugar de Jair Ventura, técnico da equipe baiana.
“Há momentos do jogo que nos tiram do sério. Ontem eu estava vendo o jogo na TV, e se eu fosse o treinador daquela equipe (Vitória), eu teria sido expulso mais uma vez. Há decisões que não se compreendem.”
Com dois gols de pênalti de Sosa e outro de Felipe Anderson, o Palmeiras venceu o Jacuipense, equipe do interior da Bahia, por 3 a 0.
Seu time deu 31 finalizações. E só permitiu cinco à equipe baiana.
Mesmo assim, Abel Ferreira reclamou.
Ele queria uma goleada maior, para não se preocupar com o jogo ‘da volta’, em Londrina, dia 13 de maio. A partida será no Paraná porque o Jacuipense vendeu o mando da partida para empresários de Londrina. Mesmo assim, Abel colocará uma equipe recheada de reservas para garantir a classificação.
Ele só admitiu que a arbitragem foi boa. O que é raro, partindo do técnico. E falou sobre as duras entradas do time baiano, que custaram três amarelos, uma expulsão e a saída de Vitor Roque do jogo, depois de um violento carrinho por trás. Ele deixou a partida aos 13 minutos. Fará exames mais apurados hoje.
“Esperava (um jogo duro), é normal nesses tipos de jogos. Uma equipe como a do Palmeiras motivas todas, ainda mais uma equipe como essa que entrou, não digo de forma maldosa, mas agressiva.
“Uma agressividade na bola para meter presença, defender bem, mas a verdade é que essa agressividade nos custou caro no primeiro lance”, disse.
“Sinceramente, hoje, VAR e Marcelo de Lima foram muito bem, e é assim que tem que ser, para qualquer clube. Se a bola bateu na cabeça e não na mão, não é pênalti.
“Se o Sosa dominou com a mão e o árbitro não viu, mas o VAR sim, está correto. É isso que o Palmeiras, mas não é o que tem acontecido em todos os estádios. É isso que queremos e exigimos.”
Tenso e irônico. Foi assim que Abel ficou ao ouvir a previsível pergunta sobre a contratação de Barboza, zagueiro do Botafogo.
O Palmeiras ofereceu R$ 20 milhões pelo defensor de 31 anos.
Era o quanto o clube carioca queria, já que Barboza quer sair e não renovará seu contrato, que termina no final de dezembro. E poderia ir embora sem render ‘um centavo’ ao Botafogo.

Entre o clube paulista e o zagueiro argentino, naturalizado uruguaio, está tudo certo.
A saída de John Textor do comando da SAF botafoguense não alterará a negociação, garantem conselheiros palmeirenses.
E a transação está acontecendo a pedido de Abel Ferreira.
Mas ele não só negou.
Como também ironizou quem ousou perguntar a ele sobre o zagueiro.
“Não faço a mínima ideia do que você está a falar. Uns dizem verdades, outros mentiras, outros estão ligados a clubes. Sobre isso não tenho nada a falar.”
Nenhuma transação, desde outubro de 2020, quando Abel chegou ao Palmeiras, é feita sem sua autorização...














