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‘Um corintiano ajudou o São Paulo a ganhar o tri Mundial. Jogou um bicho de pelúcia no Ceni. Parou a final contra o Liverpool. Acertamos o time’, Amoroso

O genial meia deu entrevista exclusiva. E contou segredos da formação do time sensacional que conseguiu o que nenhum outro clube brasileiro tem: o tricampeonato mundial

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'Só o São Paulo é o brasileiro três vezes campeão do mundo", diz, orgulhoso, Amoroso Reprodução/Instagram Oficial Amoroso

Seu talento transformou um adjetivo em nome próprio. Amoroso.


Dono de uma carreira assustadoramente vitoriosa, Márcio Amoroso dos Santos não poderia passar pelo futebol sem ser campeão mundial.

“Foi muito injusto para mim não estar entre os convocados para a Copa de 2002. Só ficava atrás de Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo. Estava no meu auge, artilheiro e campeão no futebol alemão. Não merecia ficar de fora. Não tenho a menor ideia por que o Felipão fez isso.


“Mas o futebol me reservou a volta por cima. Fui para o Japão e acabei tricampeão do mundo com o São Paulo. E é muito mais difícil com um time do que com uma seleção. Minha carreira e o São Paulo merecíamos ter o título que nenhum outro clube brasileiro tem”, celebra Amoroso, em entrevista exclusiva.

Ele sabe o motivo pelo qual não houve pressão da mídia brasileira por sua convocação.


Ignorância.

“O Campeonato Alemão não era acompanhado pela população como um todo. Só a ESPN transmitia, era um canal fechado e com muito menos acesso do que é hoje. Ganhei com o Borussia a Bundesliga 2001/2002. Terminei na artilharia e jogando bem demais”, relembra, ainda deixando escapar uma ponta de mágoa.


Amoroso foi prejudicado pela troca de Vanderlei Luxemburgo por Felipão. O técnico gaúcho preferiu apostar no futebol prático, funcional, de Kleberson.

“Seria muito talento junto. Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno, Rivaldo e eu. Como também teria lugar para o Alex e para o Djalminha. Só que o Felipão não quis.”

Nascido em Brasília, sobrinho de Amoroso, centroavante histórico do Fluminense e Botafogo, Márcio nasceu para ser jogador. Tinha tanto talento como garoto que, aos dez anos, treinava autógrafos que daria quando ‘estrela’.

E ele brilhou.

Depois de passar em testes no Vasco e Fluminense, apostou seu início no Guarani. De lá deslanchou. Japão, Flamengo, Parma, Borussia, Málaga até chegar no Morumbi.

“Não queria voltar para o Brasil. Mas o Grafite se machucou e veio o convite inesperado para jogar no São Paulo. O time estava na semifinal da Libertadores. Pensei logo de cara. Time espetacular. Clube espetacular. E chance de ganhar o título que deveria ter ganhado no Japão com a Seleção: ser campeão do mundo. Aceitei e sabia que iríamos fazer história.“

Amoroso revela parte importante do sucesso.

‘Paulo Autuori. Ele é um treinador excelente. E ser humano fantástico. Soube entender o potencial de cada jogador e do time em conjunto. Nós tínhamos talento, força física, vibração, união e personalidade. Mostramos isso logo de cara, eliminando o River Plate dentro da Argentina, na semifinal. Contra o Athletico sabíamos que a Libertadores era nossa.“

Ele revela um detalhe importantíssimo da final contra o Liverpool. “Um corintiano nos salvou. Estávamos tomando um sufoco enorme. O Liverpool iria fazer um gol. Quando este torcedor invadiu o gramado, foi fazer graça, e jogou um bicho de pelúcia na direção do Rogério Ceni. A polícia prendeu o invasor. Mas ganhamos uns cinco minutos para conversar e encaixar o time, acertar a marcação. Por isso tenho de agradecer a este corintiano pelo nosso título mundial”, ironiza.

O torcedor corintiano ficou nove dias preso pela invasão.

Amoroso teve enorme desilusão depois do título mundial pelo São Paulo.

“Queria ficar e encerrar a minha carreira no Morumbi, tão feliz que eu estava. Propus contrato de três anos. Não me fizeram oferta alguma. Soube que o Milton Cruz, auxiliar, falou que eu já tinha ‘dado o que tinha de dar’. Fui para o Milan.“

O meia/atacante voltou para o Brasil com uma missão muito difícil. “Salvar o Corinthians do rebaixamento. O time estava mal. Pude ajudar e conseguimos evitar o pior. Foi marcante para mim.”

Depois ganhou título gaúcho no Grêmio, passou pelo Aris, da Grécia, Guarani, Boca Raton, nos Estados Unidos. Mas assustadora foi jogar no Delhi, time treinado pelo ex-lateral Roberto Carlos. “Enfrentei um terremoto assustador. Jurei para mim que nunca mais voltaria para a Índia. E não voltei.”

Amoroso se transformou em excelente comentarista da ESPN. “Me sinto muito bem trabalhando com o futebol. Mas de uma maneira que posso aproveitar a minha família, meus amigos. Estou bem feliz. E sinto que fiz tudo o que poderia na carreira. Só faltou a Copa do Mundo.”

Quem perdeu foi a Copa do Mundo...

A exclusiva, na íntegra, está no Canal Cosme Rímoli, no YouTube.

Há mais de 200 personagens importantes do esporte deste país.

Toda terça-feira uma entrevista diferente.

O canal já passou de 15,9 milhões de acessos.

Aos sábados, a Record News passa as mais significativas entrevistas, sempre às 10 horas.

Neste final de semana será Serginho Chulapa...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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