Corinthians condenado a pagar pensão a ex-jogador da base até os 75 anos. Dirigentes de outros clubes com medo de avalanche de processos
Kauê Moreira conseguiu na Justiça, em segunda instância, provar que sofreu negligência médica no Corinthians, no tratamento de seu joelho. Dirigentes de outras equipes temem que possa despertar a atenção de outros atletas, que se machucaram

O caso despertou a atenção geral dos clubes brasileiros.
Kauê Moreira, ex-lateral corintiano, machucou o joelho.
Ele chegou como grande esperança, em abril de 2019.
Veio do São Bernardo, depois de passagem pelo São Paulo.
Assinou contrato de dois anos, depois prorrogado por mais um.
Atuou em 12 partidas no sub-23.
Não foi bem.
Acabou emprestado ao Oeste, clube paulista, por cinco meses.
Voltou ao Corinthians.
Em 2021, sofreu duas gravíssimas lesões.
Tendinopatia patelar e espessamento fibrocicatricial.
De acordo com os advogados de Kauê, houve negligência no tratamento oferecido pelo Corinthians.
O lateral ficou com limitações no joelho.
Teve de se aposentar com 24 anos.
E não consegue realizar funções básicas do dia a dia, como subir escadas, andar de bicicleta, dirigir um carro. Muito menos praticar exercícios físicos.
Kauê resolveu entrar na justiça contra o Corinthians, pedindo indenização e aposentadoria.
Conseguiu vencer na primeira instância.
O clube recorreu.
Ele venceu novamente.
A sentença: indenização de R$ 200 mil e mais R$ 144 mil por danos morais. E mais pensão de R$ 1,8 mil por mês. Até que ele complete 75 anos, idade média do brasileiro.
A grosso modo, o total que o atleta pode receber é de R$ 2,5 milhões.
O Corinthians vai recorrer.
Mas a preocupação não é só da direção do presidente Osmar Stabile.
De forma fulminante, a notícia correu o Brasil.
E o que aconteceu com Kauê não é raro.
Pelo contrário.
Muito mais comum do que se imagina.
Daí o acompanhamento de perto dos dirigentes de clubes deste país.
Em caso de vitória definitiva de Kauê, o medo é de uma avalanche de processos, de garotos que acabaram se lesionando na base.
De acordo com especialistas, o processo do ex-jogador corintiano tem fartura de provas.
Dificilmente o clube irá se livrar da indenização.
E pode abrir o que na legislação se chama precedente, modelo que serve como base para casos parecidos, exigindo coerência no resultado dos julgamentos.
Ou seja, Kauê não briga na justiça só por ele.
Para desespero dos dirigentes dos clubes deste país...













