Gol ‘dado’ por Raniele, que complicou vitória sobre o São Paulo, não fará o Corinthians mudar a maneira de jogar. É o ponto fraco do ‘Dinizismo’
O principal defeito que Fernando Diniz leva para os times que treina, sair trocando passes perigosamente na área, vai continuar. Erro de Raniele na vitória por 3 a 2 contra o São Paulo não assustou o treinador. Corinthians seguirá jogando da mesma forma

O Corinthians dominava o São Paulo.
Vencia por 1 a 0, gol de Raniele, ontem, em Itaquera.
Roger Machado sabia o que todos os técnicos que enfrentam Fernando Diniz sabem.
Todo tiro de meta é um convite.
Diniz acredita que, ‘quebrando a primeira linha adversária’, será muito mais fácil para atacar.
Basta adiantar a marcação.
E começa o sufoco.
Foi o que o ataque são-paulino fez.
Marcou sob pressão.
Até que o próprio Raniele errou.
Bobadilha tomou a bola e a tocou para Luciano empatar.
Gol infantil dado pelo Corinthians.
A vitória veio no 3 a 2, mas o clube poderia ter goleado.
Lógico que Fernando Diniz foi questionado.
E jurou que não vai mudar a estratégia corintiana.
Seguirá de pé em pé, desde o tiro de meta.
“Para nunca errar, só se a gente não fizer. Foi um erro do Raniele, mas não um erro que eu condeno.
“Eu condeno a falta de vontade, que o Raniele nunca falta. Ele foi corajoso para tentar. É um erro que aprende com o erro”, disse Diniz.
Na saída de bola, no gol de empate do São Paulo, havia cinco jogadores adiantados, sabendo que os corintianos iriam sair trocando passes.
Bobadilha ficou atento a Raniele. O colombiano tomou a bola e deu para Luciano empatar.
E quem critica o ‘dinizismo’ ganhou argumentos ótimos.
“Estimulei o time a jogar. A gente tinha feito um ótimo primeiro tempo. Ele nunca tinha cometido esse erro em treinamentos e jogos. É um lance difícil para a bola entrar, por dentro.
“A gente fala para dar esse passe frontal com margem de segurança alta.
“Quando tem esses erros, eu acho que vale mais a confiança que teve para fazer e coragem.
“Da minha parte, é saber fazer. Esse gol sofrido foi um estímulo a mais para não se acovardar e jogar com a confiança e a coragem que tem nos treinamentos”, voltou a enfatizar Diniz.
Diniz sabe que se inspirou no Barcelona de Pep Guardiola.
Mas jamais teve a mesma qualidade de jogadores que tivessem a mesma convicção e técnica que o elenco do time catalão.
Percebendo a pressão dos jornalistas sobre o tema, Diniz tratou de mudar de assunto.
“A ideia principal é ter comprometimento e vontade. Suar sangue para poder ganhar os jogos. Isso tem muita ligação com a torcida do Corinthians.
“Aí o resto da parte tática, obviamente os treinamentos vão passando e as coisas acontecendo...
“Vocês (jornalistas) sabem que fico no campo muitas horas. A tendência é de evolução tática, cada vez evoluir mais e dominar as fases do jogo, para defender e atacar.”
A vitória no clássico tirou o Corinthians da zona do rebaixamento.
Mas trouxe os holofotes para o ponto fraco, e muito criticado, de Diniz.
E que seus adversários sempre exploraram.
O Corinthians encurralou o São Paulo.
Deu 15 arremates a gol.
Contra apenas seis do rival.
3 a 2 foi muito pouco, placar surreal.
Graças à falha de Raniele e ao gol contra de Matheuzinho.
Dois gols ‘dados’ pelo Corinthians...












