Romário usa a RECORD e exige Neymar na Copa. Cortado do Mundial de 1998, virou inimigo mortal de Zagallo. E de 2002, fez Felipão ser humilhado
O melhor jogador do mundo de 1994 e responsável pela conquista do tetra foi direto com o narrador Cléber Machado. Principalmente em relação a Neymar. Romário segue traumatizado por não ter jogado as Copas de 1998 e 2002
Cosme Rímoli|Do R7

A cena não sai da retina, de quem teve o ‘privilégio’ de acompanhá-la.
O local era Ozoir-la-Fèrriere, cidade satélite de Paris.
Concentração da Seleção Brasileira para a Copa de 1998.
Jornalistas do mundo todo acompanhara a dramática coletiva.
Aos prantos, Romário anunciava que não iria jogar o Mundial.
Não se recuperou de uma lesão na panturilha esquerda.
Na época, o vilão foi o excesso de futevôlei.
Para ele, os responsáveis foram Zagallo, Zico e o médico Lídio Toledo, que não tiveram paciência para esperar sua recuperação, para que atuasse na fase decisiva da Copa.
Faltavam oito dias para a estreia do Brasil no Mundial da França, contra a Escócia.
Nós, jornalistas que fomos àquela Copa não esperávamos a situação. A responsabilidade pela conquista ficou toda nos ombros de Ronaldo Fenômeno.
As lágrimas e a raiva de Romário pelo corte são inesquecíveis.
Quem acompanhou não esquece.
A sensação, nos jantares de jornalistas em Ozoir era de desolação. E solidariedade pelo pranto do ídolo.

Em 2011, no Panamericano do México, o ex-jogador seguia com ódio no coração. 13 anos haviam se passado, mas a reação era como se o corte tivesse sido no dia anterior.
‘Eles me ferraram. E ferraram a Seleção. Se me esperam, eu jogo. E a gente ganha a Copa. Não me deram esse tempo. Tinha gente que não me perdoava porque o Brasil obrigou que me convocassem em 1993."
3 de maio de 2002.
Fui para a então sede da CBF.
Rua da Alfândega.
A dúvida que parava o Brasil, principalmente o Rio de Janeiro, era a convocação ou não de Romário para a Copa do Japão e Coreia.
Nos bastidores, a história que prevalece até hoje, negada por Romário, é que o atacante teria escapado da concentração para o jogo contra o Uruguai, pelas Eliminatórias. E passado a noite com uma aeromoça da Varig, que transportou a Seleção até Montevidéu.
O Brasil perdeu o jogo por 2 a 1.
Desde então, Felipão não convocou mais o jogador.
O então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, teve acesso à lista dos convocados antes de todos, exigência sua a todos os treinadores que passavam pela Seleção.
E não constava o nome de Romário.
Situação que o revoltou.
Foi a senha para uma situação constrangedora.
Quando Felipão acabou de anunciar os jogadores, que seriam pentacampeões mundiais, deu uma rápida coletiva. E foi embora.
Notei uma movimentação fora do comum na calçada da rua da Alfândega, que fica no centro do Rio. Eram torcedores revoltados pela ausência do ídolo carioca.
Notei algo estarrecedor. Felipão estava sozinho, Teixeira por vingança ou não, não designou seguranças ao técnico gaúcho. Ele passou por momentos vergonhosos.

Vários torcedores passaram a acompanhá-lo na calçada. O xingavam, provocavam. E houve quem se atreveu a dar petelecos, leves tapas na cabeça de Felipão.
Covardia atroz.
A nossa relação no Palmeiras e na Seleção sempre foi de altos e baixos. Mas fiquei ao lado dele, como outros dois jornalistas, evitando agressões. Não pude ser só testemunha da notícia.
Felipão não abria a boca, se fazia de surdo.
Na avenida Rio Branco, entrou em um taxi.
Pensei que tudo estivesse resolvido.
Mas pelo menos 20 torcedores começaram a chacolhar o carro.
Eu e alguns jornalistas pedimos para que o deixasse ir embora.
E muito tenso, Felipão partiu.
Desde então, o ódio entre ele e Ricardo Teixeira jamais passou.
O presidente se sentiu desrespeitado porque exigia Romário na Copa.
E Felipão sabia que Teixeira não mandou seguranças para protegê-lo na saída da CBF exatamente para passar por esses momentos constrangedores.
Mesmo com a conquista do penta a situação não se amenizou.
O técnico foi o último a receber a premiação, cerca de um ano depois.
Teixeira não o quis no cargo mesmo campeão.
Essas as consequências ficaram guardadas para Romário.
E ele sabe: haverá reações se Neymar não estiver na lista de Carlo Ancelotti, que será divulgada daqui a oito dias.
Pelo o ex-jogador e hoje senador, de 60 anos, Neymar precisa estar na Copa do Mundo dos Estados Unidos.
Foi claro com o narrador Cleber Machado, da RECORD.
“O Neymar tem que ir para a Copa! Ele faz diferença, é respeitado e vai ajudar o Brasil. Não sei se a presença do Neymar pode atrapalhar alguns moleques, que podem achar que deixarão de ser o primeiro ou segundo. Essas vaidades babacas que existem no futebol.”
Foi claro: o Brasil está atrás de outras seleções.
Não é favorito.
“A Seleção Brasileira é mais ou menos. Está atrás da Argentina, França, Portugal, Espanha e Alemanha.”
E a renovação de Ancelotti deixa por conta da conquista ou não do título. Não concorda com a cúpula da CBF, que deseja a renovação antes do Mundial.
“Eu não renovaria com o Ancelotti antes da Copa.
“Só renovaria se fosse campeão.”
A entrevista completa de Romário vai ao ar hoje à noit, no programa Esporte Record, às 23h15...
Veja também: Santos faz último treino antes da partida contra o RB Bragantino pelo Brasileirão
Veja as imagens do último treino da equipe santista antes de confronto contra o Massa Bruta na Vila












