O escândalo que deu o bicampeonato brasileiro para o São Paulo. ‘Sofri o pênalti mais pênalti da história. É revoltante.’Exclusiva com João Paulo, do Guarani
O lance não sai da memória de quem viu. Aos 41 minuto do segundo tempo da decisão do Brasileiro de 1986, João Paulo foi derrubado por um carrinho de Wagner Basílio. Pênalti que o árbitro José de Assis Aragão não marcou. ‘Ele nos tirou o título. E deu para o São Paulo", reclama o principal personagem da final inesquecível, João Paulo
Cosme Rímoli|Do R7

São Paulo, Brasil
21 de fevereiro de 1987.
Final do Campeonato Brasileiro de 1986.
Pela primeira vez um clube seria bicampeão deste país.Guarani e São Paulo fariam o jogo derradeiro. No Morumbi, haviam empatado em 1 a 1.
O estádio Brinco de Ouro da Princesa teria o privilégio da decisão.
41 minutos do segundo tempo, a partida estava empatada em 1 a 1. João Paulo invade a área do São Paulo, Wagner Basílio dá um carrinho absurdo, violento. E que acerta as duas pernas do atacante.
Pênalti claríssimo.
O Guarani tinha nada menos do que Evair, um dos maiores cobradores de pênaltis da história deste país.
O árbitro José Roberto Aragão de maneira inacreditável não marcou. Ele tinha visão clara do lance.
É com certeza o maior erro das decisões de Campeonatos Brasileiros da história deste país.
A decisão terminou 3 a 3. O São Paulo venceu nos pênaltis. Por 4 a 3. E ganhou o bicampeonato brasileiro.
“Mesmo depois de 40 anos, quem acompanha futebol de verdade já viu este lance. Eu fico revoltado. Não há como não ver o pênalti. O carrinho do Wagner Basílio atingiu só as minhas duas pernas.
“Foi um escândalo. Não sei como o Aragão teve coragem de não marcar. Foi o maior erro da história do Guarani. Nós tínhamos o Evair para bater o pênalti. Uma vergonha”, lastima, de forma exclusiva, o personagem principal deste inesquecível lance: João Paulo.
Ele fez história como um dos pontas mais habilidosos e velozes da história deste país. João Paulo não ficaria marcado só por esse vice brasileiro.
E por essa polêmica com a arbitragem. ‘Nós decidimos o Módulo Amarelo com o Sport. A decisão foi em Recife, com um juiz (Josenil dos Santos Souza, da Federação Maranhense) que nos prejudicou o jogo todo. Fomos para os pênaltis.
“Ele seguiu ajudando o Sport, quando eles erravam, cobravam de novo. Foi absurdo. Quando ficou empatado em 11 a 11, nós vimos que não poderíamos vencer.A direção do Guarani mandou que abandonássemos o campo. E o título ficou para eles.“
João Paulo também perderia a final do Paulista de 1988, para o Corinthians. Com o gol decisivo de Viola, em Campinas.
‘Fomos muito melhores do que eles. Mas deram sorte”, lastima. João Paulo teve propostas de clubes europeus importantes. Mas a direção do Guarani escondeu.

Quando ele descobriu que o Bari, o queria, enfrentou os dirigentes e foi para a Itália. ‘O time era pequeno, lutava para não cair. Mas consegui virar ídolo por lá. Conseguimos vitórias históricas como contra o Milan. Vivi uma fase espetacular.’Foi injustiçado. Sabe que deveria ter ido à Copa de 1990. Em 1993, veio o segundo baque.
“O Parreira ligou e disse que iria me convocar para a Copa dos Estados Unidos. Eu seria o primeiro jogador da Segunda Divisão a ir a um Mundial. Mas tive uma contusão séria e perdi a chance.”
Sua passagem marcante com a camisa da Seleção foi a medalha de prata, na Olimpíada de 1988, na Coreia do Sul.No Bari veio uma lesão muito séria. Fratura na perna direita, por conta de uma entrada maldosa do italiano Marco Lana, em setembro de 1991, contra a Sampdoria.
Perdeu um ano e meio de sua carreira. Por falta de sorte, houve erro médico na sua cirurgia.Ficou cinco anos em Bari. Fez 24 anos. Voltou para o Brasil, acreditando que o Vasco formaria uma grande equipe em 1994.
Foi uma escolha frustrante. Decepcionado com a promessa falsa, com a falta de pagamentos, teve rápida passagem pela Ponte. Foi muito bem no Goiás. Cometeu outro erro. Aceitou a proposta do Corinthians, em 1996.
“O clube é um gigante. Acontece que não encontrei um bom ambiente.”
João Paulo foi boicotado no Parque São Jorge. Encontrou um elenco rachado e ele não foi aceito.
Jogou até os 40 anos. Encerrou sua carreira na Inter de Limeira. Hoje trabalha na base do Guarani, buscando jovens talentos para o clube, que está na Terceira Divisão do Brasil.
“Tenho muito orgulho da minha carreira. Só não vou me conformar nunca em não ter conquistado o Brasileiro de 1986. Nunca vi um juiz tirar o título de um clube como o Aragão fez com o Guarani. Ele fez o São Paulo bicampeão do Brasil.”
A entrevista integral com João Paulo está no canal Cosme Rímoli, no Youtube.
São mais de 200 personagens marcantes do futebol.
E mais de 18,6 milhões de acessos.
As principais exclusivas do canal são exibidas aos sábados, às 10 horas, na Record News, no programa Cosme Rímoli Entrevista.
A desta semana é especial.
Com Basílio, autor do gol que acabou com o jejum de 23 anos do Corinthians.
Com direito à muita emoção e lágrimas...













