Neymar nunca esteve tão perto da Copa. Ancelotti está cedendo à pressão dos jogadores, que querem um escudo. ‘Não será uma bomba no vestiário. Ele é amado!’
‘O talento dele é indiscutível. Vamos avaliar seu estado físico e Neymar está melhorando’, diz Ancelotti a uma semana da convocação final. O filho, e auxiliar, Davide é ainda mais direto. ‘Ele é o maior artilheiro da Seleção e tem tempo para fazer (na Copa) o seu melhor’

“Não é como se eu fosse jogar uma bomba no vestiário.
“Ele é muito querido, muito amado.
“Neymar é um jogador importante para este país pelo talento que sempre demonstrou. Ele teve alguns problemas, e está trabalhando forte para se recuperar.
“Ele melhorou muito recentemente e está jogando regularmente.
“Obviamente, para mim não é uma decisão fácil. Temos que ponderar bem os prós e os contras.
“Sei perfeitamente que Neymar é muito querido, não só pelo público, mas também pelos jogadores”, Carlo Ancelotti à agência Reuters.
“Ele é o maior artilheiro da Seleção Brasileira. Tem tempo para fazer o seu melhor e se colocar na lista”, palavras de Davide Ancelotti ao podcast Euro Leagues, da BBC, há três semanas.
Quando o filho é auxiliar do pai em um clube, ou selecionado, quer ter relevância. Até porque está sendo preparado para trabalhar como técnico.
Davide foi mais direto e mostrou o que Carlo está apenas sugerindo nos últimos dias, preparando o ambiente para a convocação de Neymar.
A postura dos demais jogadores convocáveis, querendo Neymar na Copa do Mundo, é importantíssima.
Para Ancelotti, eles aceitam a liderança do jogador nos vestiários.
Ele sabe, mas jamais vai concordar publicamente, ter o camisa 10 do Santos para o restante do time é ter um grande escudo. Desviará o foco em caso de dificuldades nos Estados Unidos.
Ou até em uma possível eliminação.
O blog teve acesso a uma informação muito importante no contexto.
Quando Ancelotti deixou Neymar fora da convocação diante da França e Croácia, houve muita atenção na CBF com a reação do jogador.
Avisado, ou não, por alguém importante, o jogador do Santos teve comportamento exemplar. Não reclamou, cobrou, desabafou, xingou. Nada. Só lamentou.
Ganhou pontos com o treinador italiano.
Há ainda um grande receio da personalidade forte e do grande espaço que Neymar sempre teve na CBF. Por conta dos treinadores e dos coordenadores de Seleção.
Mesmo se poupando de forma escancarada, nos segundos tempos dos jogos, Neymar foi aumentando a sua participação, sua minutagem nas partidas, o que é outro ponto favorável.
Também o privilégio de bater todas as faltas perto da área, os pênaltis e ser a primeira opção dos atacantes santistas facilita.
Assim como o esquema tático de Cuca, que não se importa em sacrificar a intensidade, a recomposição, a velocidade dos contragolpes. Tudo para que Neymar brilhe, como é o desejo do presidente Marcelo Teixeira.
Cercado de tanta proteção, ele tem reagido, com gols, tabelas, lançamentos. Atrair a marcação adversária.
Dribles e arrancadas, não. Isso ele não consegue mais. Por conta das 44 lesões, cinco cirurgias importantes, 34 anos, e o fato de não levar uma vida espartana fora dos gramados, que afeta o organismo de um atleta de elite.
Ancelotti acompanha com prazer a dúvida que domina o país. Neymar vai ou não para a Copa? Esta é a grande pergunta.
O sarcástico técnico chegou até a perguntar para o presidente do Brasil, Lula, se deveria ou não levar o jogador.
O efeito colateral para essa discussão é óbvio.
Ninguém questiona o fato de a Seleção não ter padrão e chegar ao Mundial acumulando altos e baixos.
São dez partidas, cinco vitórias, dois empates e três derrotas, campanha que abriria questionamentos, se não fosse Ancelotti o treinador.
O poder midiático de Neymar é tão grande que ofusca o trabalho nada empolgante, até agora, do treinador italiano.
Os indícios de convocação são grandes.
E aumentam a cada instante.
Neymar tem duas partidas contra o Coritiba, equipe não mais do que competitiva, pela frente.
O mais importante confronto é hoje, valendo sobrevivência na Copa do Brasil. E, na véspera da convocação, domingo, ele jogará onde adora, na Vila Belmiro, com o palco montado para uma atuação privilegiada.
Basta ele não machucar novamente.
E a vaga, com direito à camisa 10, parece estar reservada para ele à Copa dos Estados Unidos.
Com a garantia de visita à Disneylândia, que ele tanto adora...













