Memphis vai ficar no Corinthians. Apesar da revolta da torcida. Tem R$ 104 milhões a receber 2028. Diniz pede apoio à direção. Medo é real de rebaixamento
O Parque São Jorge amanheceu com pichações exigindo a saída de Memphis. O holandês está sendo massacrado nas redes sociais. E divide a opinião de conselheiros e de chefes das organizadas. O pênalti que perdeu ontem contra o Estudiantes traz enorme prejuízo financeiro e moral ao Corinthians. Fernando Diniz, tenso, já pediu para a direção apoiar seu principal líder do time. Ainda mais que agora começa a luta para fugir do rebaixamento no Brasileiro. Precisa dele em campo, para os 11 jogos que restam ao Corinthians em 2026. E os principais mercados estão fechados

São Paulo, Brasil
Cabisbaixo, envergonhado, balançando a cabeça.
Arrasado, sem força sequer para desabafar.
Logo ganhou o abraço de Fernando Diniz e de companheiros.
Gustavo Henrique sugeriu que evitasse o contato com a imprensa e com a torcida. Cercado de seguranças, Memphis Depay e o zagueiro foram embora por uma porta lateral da arena de Itaquera.
Memphis estava muito abalado no vestiário.
Não só pelo pênalti perdido, no último lance contra o Estudiantes, que valia a sobrevivência do Corinthians na Libertadores.
Mas pela maneira com que foi tratado.
Ele liderou os jogadores para tentarem bater palmas, retribuir o apoio da torcida corintiana.
O que recebeu de volta foi constrangedor.
Vaias, palavrões, gritos para ir embora.
De homens, mulheres e crianças com a camisa do Corinthians.
Memphis Depay sentiu toda a idolatria que tinha da torcida corintiana virar rejeição, como nunca na sua vitoriosa carreira.
Ele é o maior artilheiro da história da Seleção Holandesa.
Jogou no Barcelona, Manchester United, Real Madrid, PSV, Lyon.
Jamais recebeu tamanha hostilidade de uma torcida que fosse ‘sua’, como ontem, na Neo Química Arena.
O homem de 32 anos, que nas músicas que canta declara não ter medo de nada, fugiu da torcida corintiana.
E da imprensa.
‘Somando um mais um’, Fernando Diniz se antecipou. Percebeu que o genioso jogador que comanda poderia decidir ir embora, pelo tratamento que recebeu. O que seria completar o desastre.
O Corinthians está impedido de contratar pela Fifa, por três transfer ban. Ou seja, tem três processos por falta de pagamentos a clube onde buscou jogadores.
O elenco é limitado, apenas razoável. Mas não pode perder peças importantes, como Yuri Alberto, que está lesionado. O reflexo em campo chega a ser assustador.
Diniz sabe que só restou o Brasileiro. E o Corinthians está a apenas quatro pontos da zona do rebaixamento.
A sequência dos três próximos jogos será decisiva para o futuro do time. Pela frente, já o Fluminense, domingo, em Itaquera, no reencontro com a torcida. Depois, o Internacional, em Porto Alegre. E o Palmeiras, no Nubank Parque.

O treinador precisa de Memphis.
E já disse ao próprio holandês no vestiário, enquanto o abraçava.
Foi o que já falou para o executivo Marcelo Paz.
O pedido para o presidente Osmar Stabile.
O pênalti chutado para fora por Memphis prejudicou politicamente Stabile.
Desde o final da noite de ontem, ele vem recebendo mensagens de conselheiros que o apoiam. Mas criticando seriamente a renovação de contrato do jogador de 32 anos por dois anos.
E que compromete R$ 104 milhões do Corinthians, em salários, luvas, premiações. Nesse valor estão os R$ 42 milhões que o clube já deve a ele, do contrato anterior.
O salário atual é de R$ 2,5 milhões. Com o acordo para o pagamento da dívida, ele chega a receber R$ 6 milhões a cada 30 dias...
Stabile não quer nem pensar em rescisão agora.
Primeiro porque não há dinheiro e Memphis pode cobrar o Corinthians na Fifa.
Além disso, sabe da importância do jogador nas 11 partidas que restam para o Corinthians acabar o ano, os últimos jogos do Brasileiro.
Memphis também sabe que os principais mercados para onde ir estão fechados. Clubes turcos que o queriam só podiam contratar até o dia 4 deste mês. A janela de transferência dos Estados Unidos se fechou dia 2. A do mundo árabe está aberta, mas para lá ele não deseja ir pela postura religiosa rígida.
Memphis recebeu o apoio do time, de todos os jogadores, sem exceção. Ele é um líder positivo. Os atletas engrossaram o coro puxado por Fernando Diniz para a renovação do holandês.
No Parque São Jorge, há quem garanta que ele estava jogando com dores, reflexo de um estiramento mal curado, pelo próprio Corinthians, em março deste ano. E que o atrapalhou muito a sua temporada.
A pressão neste dia seguinte à eliminação da Libertadores é enorme.
O Corinthians deixou de ganhar, de acordo com cálculos da direção, ao não passar à semifinal da Libertadores, uma quantia muito significativa.
R$ 12 milhões da Conmebol e, pelo menos, mais R$ 7 milhões de arrecadação no mais do que provável jogo contra o Flamengo, em Itaquera.
Ou seja, R$ 19 milhões.
Mais o aspecto moral, a confiança para o time.
Tudo foi para longe com a cobrança por cima do gol de Muslera.
Com o chute raivoso, mas sem direção, de Memphis.
Foi o terceiro pênalti que perdeu em seis que cobrou desde que pisou no Brasil.
Mas, quando ele pegou a bola ontem para cobrar, ninguém teve coragem de dizer ‘não’.
Era o líder assumindo sua responsabilidade.
Apesar de vivido, não tinha ideia do tamanho do reflexo por errar a cobrança, no último lance das quartas de final da Libertadores, em plena Itaquera.
Mas o dinheiro e as circunstâncias atuais de mercado o segurarão no Corinthians.
Pelo menos até dezembro.
Mês de eleição presidencial no clube.
Muita coisa pode mudar no Corinthians.
Inclusive sua permanência.
Mas, até lá, não há saída.
Memphis fica para os 11 jogos restantes do triste ano de 2026.
Mesmo com o artilheiro de todos os tempos da Holanda...














