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Pedrinho sabe: Philippe Coutinho abriu mão de R$ 12 milhões para jogar no Vasco. Do sofrimento do meia. Neymar quis acabar com a injustiça. Recuperar o amigo

O presidente do Vasco não reclama e nem reclamará de Philippe Coutinho por ele ter fechado contrato com o Santos. Pedrinho sabe que o meia abriu mão de R$ 12 milhões que tinha a receber do Al-Duhai, pelos últimos três meses de contrato. E mais dois anos com o Aston Villa. Trocou salário de R$ 4 milhões mensais para receber R$ 1,5 milhão em São Januário. Ainda ficou arrasado psicologicamente por não conseguir render. E ser xingado por vascaínos desde a final da Copa do Brasil de 2025

Cosme Rímoli|Do R7

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Neymar sabia do sofrimento de Philippe Coutinho, seu amigo desde a infância, quando ambos eram convocados para os time de base da Seleção Brasileira Reprodução/Santos TV

São Paulo, Brasil

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‘O Coutinho voltou! O Coutinho voltou!’

No dia 13 de julho de 2024, mais de 20 mil pessoas estavam em São Januário.

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O motivo: receber o filho pródigo.

No imaginário dos vascaínos, ele mudaria a realidade de domínio dos rivais. Flamengo e Fluminense acumulavam Libertadores. E o Botafogo se encaminhava para a sua primeira conquista da América.

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Philippe Coutinho, que saiu do clube para brilhar na Europa, estava de volta. No currículo, Inter de Milão, Liverpool, Barcelona, Bayern de Munique.

Mas ele não conseguiu mostrar o futebol que os vascaínos sonhavam. Muito pelo contrário. Nada de arrancadas, dribles, lançamentos, chegada com imponência na área adversária.

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Seu futebol foi decepcionante, para o ídolo que sonhava em ganhar um título relevante com a camisa cruzmaltina. Ele só tinha o da Segunda Divisão, em 2009.

Houve dois momentos marcantes para o final da relação. O primeiro, no dia 21 de dezembro de 2025, na decisão da Copa do Brasil. Muito mal em campo, foi substituído ainda no intervalo do jogo que deu o título ao Corinthians.

Na noite de 14 de fevereiro deste ano, o Vasco jogou mal demais contra o Volta Redonda, pelas quartas do Carioca.

A esmagadora maioria dos vascaínos, em São Januário, xingou duramente o camisa 10 do time.

‘Ei, Coutinho, vá tomar....’

Philippe chorou muito e disse que entendeu o recado, nada sutil, da torcida. Não jogaria mais no Vasco. E iria se afastar do futebol porque estava ‘mal psicologicamente’.

O presidente do clube, Pedrinho, que já enfrentou a depressão quando jogava, reconheceu traços do que passou em Philippe e aceitou a rescisão amigável.

Pedrinho sabe. Philippe Coutinho abriu mão de muito dinheiro para voltar ao Vasco. E tem o direito de recomeçar no Santos Reprodução/Vasco

14 de setembro de 2026.

Philippe Coutinho é apresentado oficialmente na Vila Belmiro.

Enquanto isso, uma petição de quase 1500 assinaturas chega a Pedrinho, das torcidas organizadas vascaínas. Para que todas as imagens do jogador sejam apagadas de São Januário.

E ainda nas redes sociais, ele é tratado como ‘Judas’.

Pedrinho sabe que está longe de ser uma traição.

Há sete meses, Philippe Coutinho estava longe do futebol.

Treinando sozinho. Fez terapia.

Buscando recuperar forças para voltar a jogar, exercer sua profissão.

Ele sabia que o retorno a São Januário era impossível, pelo fraquíssimo futebol que mostrou no retorno.

Em 2020, ele sofreu o rompimento do menisco do joelho esquerdo. E precisou passar por três cirurgias. Acumulou várias lesões musculares depois das cirurgias.

Ele exigia um cuidado especial para poder fazer partidas seguidas, que o Vasco, pela fragilidade do elenco no seu retorno, não teve como ter.

Pedrinho sabe desse momento delicado, psicológico e físico que Coutinho enfrentou.

E mais: o quanto ele abriu mão de dinheiro para voltar a São Januário. Foram R$ 12 milhões do Al-Duhail. E também a redução drástica salarial. De R$ 4 milhões para R$ 1,5 milhão.

E mais um ano de contrato com o Aston Villa. Um ano...

No seu retorno, mesmo com companheiros de baixo potencial técnico, marcou 17 vezes e sete assistências em 81 partidas pelo Vasco.

Aos 34 anos, milionário, mas triste pelo esquecimento dos grandes clubes, Philippe Coutinho recebeu o chamado de Neymar, seu amigo há mais de 20 anos, quando começaram a jogar juntos nas Seleções Brasileiras de base.

Foi convencido a jogar no Santos.

Sabia que iria enfrentar o questionamento da magoada torcida vascaína, depois da fracassada volta.

Mas também teve a plena consciência de que não receberia apoio tão importante, como o de Neymar, em lugar nenhum.

E aceitou fazer um contrato de risco. De três meses.

Por R$ 600 mil mensais.

No Barcelona, chegou a ganhar cerca de R$ 10 milhões por mês, em 2018.

Rony deu sua camisa 11 para Philippe Coutinho, que adora o número. Ambiente mais que favorável a Coutinho na Vila Belmiro Reprodução/Santos

No final do ano, o jogador e a direção do Santos analisarão se haverá renovação ou não.

“Tenho visto algumas coisas. Tentando me blindar, mas sei que a repercussão foi grande. Fico triste, mas tenho espaço para falar. O Vasco, para mim, sempre foi a minha casa.

“Fui criado no Vasco, joguei a base toda, subi para o profissional. Sempre deixei clara a gratidão ao clube.

“Fiz tudo que pude, agora é vida nova no Santos.”

Pedrinho não vai apagar a imagem do jogador com a camisa cruzmaltina, em São Januário.

O dirigente, mais do que ninguém, admite.

Philippe Coutinho tem o direito de recomeçar...

Veja também: Coutinho celebra chegada ao Santos e parceria com Neymar

Philippe Coutinho destaca a honra de vestir a camisa do Santos, seguir os passos de Pelé e atuar ao lado de Neymar em um clube pela primeira vez.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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