Dinheiro de Neymar fez a metamorfose do Santos. Com a força dos reforços, time poderia ter goleado o Cruzeiro. ‘Fizemos valer a força do grupo’, resumiu Cuca
Rodinei, Cebolinha, Arthur, Lima deram estabilidade ao time. Fizeram com que Bontempo e Rollheiser rendessem tudo que podem. O Santos ontem foi dominante, vibrante, assustador. Foi a melhor partida de 2026. Sem Neymar, Gabigol e Philippe Coutinho, que está contratado. O Cruzeiro parecia um time pequeno. 2 a 1 foi muito, mas muito pouco, para o Santos. São dois os objetivos agora: vencer a Sul-Americana mas, por garantia, ficar entre os seis primeiros do Brasileiro, para disputar a Libertadores, se o time não for campeão do torneio

São Paulo, Brasil
31 arremates a gol do Santos contra apenas nove do time titular do Cruzeiro.
Sem Neymar e Gabigol.
Se alguém dissesse esses números, há um mês, ninguém iria acreditar.
Nem mesmo Cuca.
Mas 30 dias e dinheiro investido para contratar Arthur, Éverton Cebolinha, Rodinei e Lima, mudam muita coisa.
“Nós fizemos valer a força do grupo. Pessoal está com pegada, confiança, tocando bem a bola. Lógico que tem erros. Tomamos um gol, Brazão fez defesa importante.
“Soubemos usar os espaços e isso é mérito do jogador. Se você tem ideia e ela não é bem executada, é ruim. Eles tiveram duas, três formações no campo e se adaptaram bem. Mérito do time”, disse, humilde, mas empolgado, Cuca.
Na verdade, o mérito grande é do treinador que soube encaixar as peças que ganhou, do dinheiro de Neymar.
Lembrando sempre, que o Santos deve R$ 1,4 bilhão. A empresa do atacante adiantou dinheiro para o clube se livrar da dívida de R$ 12 milhões por Jean Lucas. Pagou ao Monaco e possibilitou novas contratações de alto nível, para reforçar o time nesta reta final.
“Estou me sentindo em casa desde que eu cheguei. São poucos dias. Já tinha jogado com metade do elenco. Isso facilita muito a adaptação.
“Me senti muito bem hoje, apesar de fazer um tempo que eu não começava uma partida, eu acho que dois meses.
“Me senti muito bem. Na metade do segundo tempo, deu uma abafa, que é normal pelo tempo sem estar iniciando. Estou me sentindo em casa, com a camisa do Santos, na Vila Belmiro, é muito especial. Começando com o pé direito, com a vitória.”
Cuca teve muita coragem em transformar Igor Vinícius em terceiro zagueiro. Fazendo a dobra pela direita com o vigoroso, e ainda ótimo para o nível atual do futebol brasileiro, Rodinei.
Pode parecer heresia, mas Rollheiser é outro jogador sem Neymar no time. Para começar, atua onde gosta, no espaço que é ocupado pelo ídolo midiático.
E Gabriel Bontempo ganhou o doping psicológico de ter sido, pela primeira vez, convocado. Foi o grande jogador na partida. Rendeu muito, de forma individual, assim como coletivamente.
“Saio muito contente do jogo todo que fizemos, da forma como nos postamos no jogo do primeiro minuto até o final. O adversário não teve desgaste na semana.
“Nós não tivemos tempo de treinar, com jogadores que mal treinaram juntos. Planejamos algo diferente hoje. Sabemos que é arriscado.
“Mas quem comanda tem que correr riscos e fazer o que é melhor pro time independente de resultado. Tudo deu certo e passa desapercebido. Importante é vencer e dar uma respirada”, definia, com acerto, Cuca.
C
O clube conseguiu ficar sete pontos da zona do rebaixamento.
E o objetivo mudou.
São dois.
Primeiro, vencer a Copa Sul-Americana.
Depois, fugir da Série B é muito pouco.
O clube tem elenco para ganhar uma vaga entre os seis melhores do Brasileiro e garantir a vaga da Libertadores.
Neymar e Gabigol estiveram na Vila.
Assistiram ao jogo, já que Neymar está contundido e Gabigol, supenso. Ao lado dos dois, Philippe Coutinho, novo reforço, que deverá ser anunciado como contratado nas próximas horas.
Cuca estava entusiasmado no vestiário. Principalmente pela maneira com que a torcida apoiou e aplaudiu de pé, o time, que há um mês provocava vaia e coro de ‘sem vergonha’.
Se houvesse justiça no placar, o Santos deveria ter feito pelo menos cinco gols no fortíssimo Cruzeiro de Arthur Jorge.
“O time fez a torcida vibrar, torcida vez o time vibrar. A comunhão que pedimos. Jogadores vão limite da lealdade para vencer duelos, vencer espaços, jogando no ataque.
“Saem todos felizes”, vibrava Cuca.
“Dia de chuva, pessoal se molha e empurra o time. Bacana poder presentear o torcedor que tem sido judiado. Faz a vida deles serem mais felizes.”
E a sua também Cuca, que estava sendo xingado por torcedores santistas e também questionado pelos conselheiros.
Mas ontem, o Santos deu show.
Os reforços são fundamentais.
Assim como o trabalho de Cuca, que um dia já foi cogitado para assumir a Seleção Brasileira.
Tudo mudou na Vila Belmiro.
É essa tal de metamorfose ambulante que o dinheiro trouxe...












