Guerra Fria. E cruel. Sem medo, Leila enfrenta o Flamengo. Não aceita o clube carioca querer mais R$ 140 milhões pela transmissão dos jogos. E ameaça tirar o Palmeiras da Libra
A direção do Flamengo manobrou. Convenceu vários clubes que têm de ganhar mais dinheiro pelas transmissões da televisão. Por ter mais audiência e torcida. Com a ameaça velada de abandonar a Libra. Conseguiu o apoio para receber R$ 140 milhões a mais. Palmeiras se colocou contrário. E Leila pode tirar o seu clube da Libra. É uma guerra fria

Empresária da elite do setor financeiro, Leila Pereira sabe.
O poder do dinheiro transforma qualquer segmento da sociedade.
Principalmente o futebol.
Quanto mais dinheiro, mais poder.
A guerra entre Palmeiras e Flamengo rompeu os limites deste gigantesco país.
Domina a América do Sul.
Os dois clubes que mais faturam têm os melhores elencos.
E os grandes contratos.
Se Leila administra a Crefisa e a Faculdade das Américas, o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, também foi executivo de altíssimo padrão.
Foi presidente da Direct TV e da Sky Brasil.
Ele conhece o meandro do poderio econômico das transmissões esportivas do país.
Bap e Leila têm personalidades fortíssimas.
E fazem questão de honra a briga aberta por ter o clube mais poderoso da América do Sul.
Sabem que o segredo está no dinheiro.
Em 2025, os dois clubes quebraram recordes históricos.
O Flamengo esteve à frente.
Faturou incríveis R$ 2,089 bilhões.
O Palmeiras chegou a R$ 1,696 bilhão.
Vale um raio-X dos dois rivais.
O Flamengo chegou a R$ 611,5 milhões, somando direitos de transmissão em todas as mídias e premiações.
O Palmeiras ficou atrás.
R$ 527 milhões.
A diferença aumentou muito em patrocínios dos clubes.
O Flamengo chegou a R$ 401,4 milhões e o Palmeiras ‘só’ R$ 213,6 milhões.
Em licenciamento, R$ 131 milhões para os rubro-negros. R$ 35,2 milhões aos alviverdes.
Na bilheteria, passeio do Flamengo.
R$ 142,4 milhões contra R$ 95 milhões.
Com os sócios-torcedores, R$ 87,6 milhões para o Flamengo. Para o Palmeiras, R$ 73,6 milhões.
A forra ficou na venda dos jogadores.
Leila viu o clube paulista arrecadar R$ 653 milhões. E Bap se conformou com R$ 519 milhões.
A sede social rendeu R$ 79 milhões ao Palmeiras. E R$ 44 milhões ao Flamengo.
O clube carioca venceu as disputas mais importantes e diretas entre os dois, dentro do gramado: a Libertadores e o Brasileiro.
A disputa segue ainda mais acirrada em 2026.
Cada centavo conta.
E Bap cumpre o que prometeu.
Conseguiu convencer e pressionar dirigentes de outras equipes da Libra, Liga Brasileira de Clubes, de que o Flamengo, por ter a maior torcida do país, tem de receber mais na distribuição da transmissão pela tevê.
Essa briga é antiga.
Desta vez conseguiu apoio para que seu clube receba R$ 35 milhões a mais por ano. A partir desta temporada.
Atlético Mineiro, Grêmio, Red Bull Bragantino, São Paulo, Vitória, Santos, Remo, Paysandu, ABC, Guarani e Sampaio Corrêa formam a liga, ao lado dos dois rivais.
Como o contrato com as tevês vai até 2029, são R$ 140 milhões a mais para os cofres cariocas.
Leila acompanha esse movimento de BAP desde que ele assumiu a presidência do Flamengo.
E é completamente contrária.
Alega que a divisão do dinheiro é justa.
A divisão atual é feita nos seguintes moldes.
40% - Divisão Igualitária: valor dividido igualmente entre todos os clubes da Libra na Série A.
30% - Desempenho: valor distribuído com base na posição final na tabela do Campeonato Brasileiro.
30% - Audiência/Engajamento: Valor pago conforme o tamanho da audiência das partidas (transmissão em TV aberta e fechada).
O Flamengo alega que tem mais jogos transmitidos e audiência garantida pela maior torcida do país.
E ameaçou abandonar a Libra, se não passasse a ganhar mais esses R$ 140 milhões até o final do contrato de 2029.
A postura firme de BAP fez a maioria dos clubes aceitar.
Leila Pereira ficou revoltada.
Aliados dela chamam de ‘submissão’ ao Flamengo.
Ela não aceita essa fatia a mais ao grande rival.
E está firme em não permitir que a decisão seja concretizada.
Se for, como tudo indica, estuda o que fazer.
Tirar o Palmeiras da Libra.
Ir para a Liga Forte União, que reúne Botafogo, Corinthians, Ceará, Cruzeiro, Fluminense, Internacional, Juventude, Mirassol, Sport, Vasco, Atlético Goianiense, Athletico, Amazonas, América Mineiro, Avaí, Botafogo (SP), Chapecoense, Coritiba, Criciúma, CRB, Goiás, Novorizontino, Operário (PR), Vila Nova, CSA, Figueirense, Ituano, Londrina, Náutico, Ponte Preta e Tombense.
Ou seguir na Libra e exigir para o Palmeiras também mais dinheiro, por conta do desempenho do time. Se não receber, aí sim, trocar de liga.
Leila não quer mais vantagem financeira para o Flamengo.
A rivalidade nos bastidores nunca esteve tão acirrada.
Nesta Guerra Fria, os dois clubes usam suas armas.
O clube carioca, a sua popularidade.
O paulista, a busca por inéditas fontes de renda.
O prêmio é para quem tiver mais dinheiro?
O domínio do futebol sul-americano.
Nesta corrida, o resultado já existe.
Jamais dois clubes brasileiros faturaram tanto.
Flamengo e Palmeiras, ironicamente, se empurram para cima...














