‘Cumpri minha missão de levar o Neymar à Seleção. Não largo o boné’, avisa Cuca, após mergulho do Santos na zona do rebaixamento. Duas vitórias em dez jogos
Santos volta a ficar entre os piores do Brasileiro. Faz campanha medíocre na fraca Copa Sul-Americana. É um dos piores trabalhos da carreira de Cuca. Derrota ontem por virada, para o limitado Grêmio, 3 a 2. ‘Tenho prazer de ver meu time jogar’, disse, de forma surpreendente, o técnico

Era óbvio.
Mas não assumido.
Cuca colocou o Santos para jogar por Neymar na Copa do Mundo.
Expondo sua equipe a perder 10% de intensidade, recomposição, velocidade no gramado.
Situações que o ídolo de 34 anos não poderia oferecer.
Ainda mais nos segundos tempos em que atuou.
O que importava era a estatística.
Mostrar para Carlo Ancelotti que ele havia ficado 90 minutos em campo, várias vezes.
O prejuízo ao time era claro.
E veio a conta.
A celebração pela classificação às oitavas da Copa do Brasil, contra o limitado Coritiba, é estarrecedora.
O Santos está quase eliminado da fraquíssima Copa Sul-Americana.
E ontem voltou à zona do rebaixamento no Brasileiro, após perder por 3 a 2 para o Grêmio, de virada.
Vale lembrar que os quatro últimos do torneio nacional vão disputar a Segunda Divisão, em 2027, na qual o gigante Santos Futebol Clube esteve em 2024.
Cuca cultivou a fama de abandonar trabalhos.
Palmeiras, Athletico, São Paulo, Atlético Mineiro, Corinthians.
Com a péssima campanha no Santos, conselheiros e dirigentes de organizadas querem sua saída.
Em 17 jogos, quatro vitórias, oito empates e cinco derrotas.
“Tínhamos algumas missões e vamos ver se a gente cumpre. Tínhamos a missão de classificar na Copa do Brasil e classificamos.
“Temos a missão de classificar na Sul-Americana. Dependemos de uma vitória na terça-feira. Temos a missão de não estar na zona vermelha (do rebaixamento) quando acabar essa primeira etapa. Vamos torcer por isso.”
O treinador revelou o que todos sabiam e ele não assumia.
“Tínhamos a missão de ter o Neymar na Seleção e conseguimos fazer.”
Pela primeira vez na carreira, ele trabalhou por um jogador.
E não pelo espírito coletivo de uma equipe.
Colhe o resultado.
Depois de convocado para a Copa do Mundo, Neymar não jogou mais pelo Santos.
Não esteve no jogo contra o San Lorenzo e nem ontem diante do Grêmio.
Sua última partida, por coincidência, foi um dia antes da convocação.
Quando o Santos foi goleado pelo Coritiba, no Brasileiro, em pleno estádio do Corinthians, diante de 45 mil santistas, por 3 a 0.
Diante do fracasso de ontem, em Porto Alegre, contra o Grêmio, ele teve a coragem de dizer que deu prazer ver seu time jogar.
“Se a vitória tivesse vindo, estaríamos empolgados com o desempenho. Tive prazer de ver o Santos jogar, mas a bola que está indo, está entrando.”
O Santos, outra vez, jogou mal. Contou com falhas da defesa gremista para Gabigol marcar duas vezes.
Mas tomou três gols.
E voltou para a zona do rebaixamento.
Enquanto Neymar se prepara para a Copa, Cuca está enfrentando a realidade da pressão por sua demissão, que está crescendo.

O presidente Marcelo Teixeira garante que o treinador não será mandado embora. De jeito algum.
Pedro Caixinha e Juan Pablo Vojvoda ouviram algo parecido.
Cruzeiro, Corinthians e Vasco podem deixar o Santos ainda mais distante da zona de classificação.
Se vencerem Chapecoense, Atlético e Bragantino.
O Mirassol tem uma partida a menos.
Se vencer, passa o Santos.
Cuca já fez o que pôde por Neymar.
Passou da hora de o foco total ser no Santos Futebol Clube.
São só duas vitórias nos dez últimos jogos, não custa
“Não largo o boné”, garantiu ontem, após a partida contra o Grêmio.
O problema é se tirarem o seu boné...













