Com dinheiro, Vasco saindo das trevas. Venceu o Boca e calou a Bombonera. Pela semifinal da Sul-Americana. Depois de 26 anos pode voltar a disputar uma final
O resultado é evidente. Valeu a luta do presidente Pedrinho para buscar o dinheiro da família Lamacchia e bancar a SAF vascaína. Com contratações caras, o português Pedro Emanuel montou uma equipe muito competitiva, que está em duas semifinais: da Sul-Americana e da Copa do Brasil. Em plena Bombonera, com um jogador a menos, depois de expulsão tola de Andrés Gómez, aos 18 minutos do segundo tempo. Vitória por 1 a 0, gol de Adson. Basta o empate no Maracanã, na semana que vem, para o clube voltar a uma final de competição internacional, depois de 26 anos. Desde 1951, o Vasco não vencia o Boca Juniors

São Paulo, Brasil
“Eu disse aos jogadores algo como isso: se queremos demonstrar algo nesta competição, tínhamos que demonstrar hoje.
“Acho que demonstramos que queremos escrever nossa história. Respeitamos o passado, mas queremos escrever a nossa no presente.”
O orgulho de Pedro Emanuel era evidente, após a vitória vascaína, por 1 a 0, diante do Boca Juniors, na Bombonera. Com um jogador a menos, depois da expulsão infantil, tola, de Andrés Gómez. Foi a primeira partida da semifinal da Sul-Americana. Na próxima terça-feira, o segundo jogo, no Maracanã.
O treinador português além de celebrar a vitória, que tem tudo para ser um marco do ‘renascimento’ do Vasco, ele quer mostrar aos próprios vascaínos que, finalmente, o clube tem condições de projetar presente e futuro vitoriosos. Fazer com que reverenciem, mas não ‘vivam do passado’.
A família Lamacchia promete investir, pelo menos, R$ 1,5 bilhão no clube.
E foi o aporte de dinheiro, de Marcos Faria, filho de José Roberto Lamacchia, que revolucionou o elenco. Trouxe não só talento, mas personalidade, com contratações importantes.
Só em 2026, o Vasco gastou cerca de R$ 210 milhões em atletas.
Estes foram os principais jogadores que chegaram com o dinheiro antecipado do dono da Crefisa, antes mesmo da efetivação da Almirante Participações como dona do futebol do clube: Sosa, Lescano, Colídio, Hinestroza, Paulinho, Bruno Duarte, Brenner, Robert Renan, Spinelli, Gabriel Pereira.
Marcos Lamacchia, enteado da presidente do Palmeiras, Leila Pereira, está à frente da revolução em São Januário.
Na partida de ontem, o Vasco foi melhor no primeiro tempo. Jogou de forma compacta, sem medo, pressionou os argentinos durante vários momentos, mérito de Pedro Emanuel e da qualidade e do caráter dos jogadores contratados.

O técnico Rodolfo Arruabarrena não esperava tamanha ousadia. E o Boca sofreu. Aos 24 minutos, o lance capital. Cuiabano pressionou Di Lollo. A bola caiu nos pés de Gómez. Dele, o cruzamento perfeito para a cabeçada de Adson, no ângulo do goleiro Montero, que nada pôde fazer.
O Vasco tinha a partida controlada, com os jogadores não se impressionando com a vibração incrível da torcida do Boca Juniors.
A personalidade do time brasileiro era impressionante.
No segundo tempo, como era esperado, o Boca partiu decidido para o ataque. Sem o poderio financeiro de décadas passadas, o elenco do principal clube argentino é limitado. Mas havia a força física, os ataques em bloco, os cruzamentos para a área.
O Vasco não sofria até Andréz Gómez empurrar duas vezes o árbitro chileno Piero Maza. No meio-campo, o colombiano tumultava a cobrança de uma falta. Tomou o vermelho.
A partir do momento da expulsão, 18 minutos, tudo mudou.
Com um a menos, o Vasco sofreu. Tomou sufoco, duas bolas nas traves, encolhido na defesa, garantiu o resultado com unhas, dentes e personalidade.
Foi suado, sofrido.
Mas o resultado trouxe alegria, fez renascer a esperança nos torcedores que, nos 20 anos, viram festas internacionais de Flamengo, Fluminense e Botafogo, os rivais.
Depois de 75 anos, o Vasco voltou a vencer o Boca Juniors. E em 26 anos, está para chegar à nova final de uma competição sul-americana.
Nesses 26 anos, houve quatro rebaixamentos à Segunda Divisão.
Mas a vergonha, o inferno astral está indo embora.
Com a força do capitalismo, do dinheiro.
O Gigante da Colina está renascendo.
Voltando a dar orgulho.
Excelente notícia para o futebol brasileiro...















